Pensamentos mal calculados

Por Amauri Eugênio Jr.

Calculadoras e demais recursos eletrônicos ajudam em momentos diversos do cotidiano, não dá para negar. Seja na hora de fazer cálculos sobre os gastos domésticos ou ao fazer a divisão da conta com os amigos após a happy hour, recorrer a esse instrumento possibilita ganhar tempo importante. Isso fica ainda mais presente se pensarmos que o acesso a tais recursos acontece cada vez mais cedo, na maioria das vezes por causa de smartphones, que estão sempre à mão, até das crianças. Contudo, condicionar o raciocínio matemático a esse aparelho para fazer até mesmo contas simples pode ser uma medida equivocada.

Pensemos no corpo humano. Se a pessoa não praticar atividades físicas, os músculos, ligamentos, o sistema respiratório e demais partes do organismo têm tudo para não funcionar bem. A mesma coisa vale para o cérebro: se não estiver em atividade, vai ter algumas falhas bem importantes. Inclusive com os cálculos. “O ponto negativo é que o indivíduo não desenvolve o raciocínio lógico, passando a pensar de forma mecânica”, explica a professora Madalena Oliveira Lima, diretora de ciências contábeis da UnG (Universidade Guarulhos).

Recalculando a rota

Para resolver essa equação, que vai muito além da fórmula de Bhaskara, a melhor atitude é praticar, em especial desde cedo. Na escola, por exemplo, jogos e atividades lúdicas auxiliam o desenvolvimento de crianças. Em casa, envolvê-las em atividades financeiras simples, como ir à padaria ou ao supermercado, as ajuda a criar o hábito de fazer cálculos. Já para os adultos, submetê-los a situações em que sejam forçados a raciocinar ajuda na libertação de calculadoras e afins, o que será útil em muitas situações.

Ação e reação

A pessoa torna-se dependente e acaba se condicionando ao uso do equipamento, como se sua capacidade para fazer cálculos só existisse se estivesse com uma planilha ou calculadora em mãos. Isso vale até para situações corriqueiras, como saber quanto será o troco após comprar pães na padaria. Com o passar do tempo, esse vício repercute em demais áreas do conhecimento.
Vai que, de tão condicionado, o cérebro fique preguiçoso, a ponto de a pessoa ter dificuldade para lembrar o número da linha de ônibus que precisa usar.