Resenha do livro Eu Sou a Lenda – Richard Matheson

 

A obra homônima que deu origem ao filme “Eu sou a Lenda”  foi escrita em 1954 Richard Matheson, sendo considerada inovadora para sua época, mas não para a nossa realidade de 2015.

Robert Neville está só em um mundo dominado por vampiros. O livro apesar de ser escrito em terceira pessoa, não tem um narrador onisciente e, por isso, toda a trama é acompanhada pela visão Neville – que é bem deprimente.

Pensem em você tendo de viver enclausurado na mesma casa que outrora sua filha e esposa e moravam e, todos os dias, à noite, vampiros cercam sua casa, sendo um deles seu antigo vizinho que constantemente repete a frase: Sai, Neville. É angustiante. Você sente o desespero do personagem.

Você também não sabe como tudo começou. Não entende como os vampiros não suportam o alho, a cruz, o sol e até o torá (?)… sim, o torá – para quem não sabe, a obra mais sagrada dos judeus que traz em sua compilação os cinco primeiros livros bíblicos. A partir daí, encara-se favorável uma possível demência de quem vive assim. Mas o personagem é forte e tenta sobreviver, sem deixar a loucura lhe dominar.

A distopia, o resultado dela, como um humano reagiria no meio dessa selvageria (…) foram pontos positivos para o enredo, pois nos traz uma reflexão da solidão e de como seria viver anos isolados de outras pessoas. É muito interessante a preocupação que Neville tem com o cachorro e a desconfiança quando ele se depara com outra sobrevivente.

Mas o enredo como todo é um pouco confuso. Nada se explica. Fim. Sim, fim. O livro começa muito bem. Ele te envolve. Você quer saber mais. Continua lendo; quer descobrir. Vira mais páginas… você continua querendo até o fim do livro. Não capitou? O que se entende é que um vírus dominou a humanidade. Matou todos e o único sobrevivente, que aparentemente é imune ao vírus, tenta sobreviver. Fim.

A narrativa é excelente. Simples e ligeira. Descreve o necessário e bem descrito. Você não trava e não precisa reler para conseguir entender. O livro já é relativamente curto, e a narração ajuda a ser mais ainda, pois você consegue ler muito rápido! E de certa forma, a escrita ajuda você a querer ir até o final.

eu sou a lenda

Extra: o filme de Eu sou a Lenda

Há muitas diferenças entre a obra escrita e audiovisual. A versão cinematográfica estrelada por Will Smith já começa com as mudanças na escolha do ator. Richard Matheson descreve Neville loiro do olho azul e, acreditem, isso é bem complicado. Pois você não consegue tirar a imagem do conhecido maluco no pedaço (?) da mente.

Agora, algo bem interessante é o fato de o Neville do livro é só um ser humano qualquer que está aprendendo a se virar, enquanto o filme é um cientista.

O cachorro (a)… bom, eu confesso que comecei a ler o livro pensando no cachorro. Ele não aparece. Então, imaginei que o (a) pastor-alemão surgiria como salvador(a). Mas não foi bem assim. Primeiro que como o ator, ele é bem diferente dela – já começando pelo gênero. E a atuação, também. Você fica com dó, mas de uma forma diferente.

O enredo também é diferente, uma porque no livro são vampiros; no filme… bom, não sei bem explicar o que sejam aquilo, mas devem ser algo relacionado a zumbis. E a própria explicação para a fatalidade; no livro não tem.

O final – sem spoilers

A explicação do porquê do título é interessante e até reflexiva. Mas, não irá agradar os fissurados por finais eletrizantes, chocantes e reviravoltas surpreendentes, como no filme.

A edição

O destaque fica por conta da edição da Editora Aleph. É fantástica. Capa dura, com pequenas ilustrações para iniciar o capítulo e diagramação que não força a vista para ler, graças ao tamanho da fonte e as folhas amareladas. Muito bem-feita e aproveitando o ditado: “Não julgue o livro pela capa”, eu compraria só pela capa.

Conclusão

Apesar dos pontos baixos, o enredo foi inovador – para sua época – e muito explorado por outros autores, que tomaram “Eu sou Lenda” como ponto de partida para suas histórias. Sem dúvida, é um livro que merece estar na cabeceira da sua cama, ainda mais com essa edição fantástica da Editora Aleph.