O jornal O Estado de S.Paulo vem publicando uma série de reportagens, assinadas pelos jornalistas Ricado Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo, a respeito de denúncias de pagamento de propinas em esquema de fornecimento de gêneros para a merenda escolar, tanto do governo do Estado de SP quanto de 22 prefeituras.

O esquema giraria em torno da cooperativa Coaf, que, ao menos teoricamente, venderia hortifruti de pequenos produtores rurais. Propinas seriam pagas a agentes públicos que facilitariam os trâmites para que a Coaf vencesse os pregões. Entre esses agentes estão um de codinome Moita, funcionário da CPTM (Cia. Paulista de Trens Metropolitanos) e era assessor do secretário da Casa Civil do governador Geraldo Alckmin, Edson Aparecido (PSDB), e foi exonerado pouco antes da deflagração, no dia 19, da operação Alba Branca, que investiga esse caso.

Outro agente seria Marcel, cuja função exata não foi definida nos depoimentos, mas seria a pessoa encarregada de levar comissões ao deputado Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa do Estado de S.Paulo e procurador de Justiça licenciado. Propinas também seriam destinadas ao deputado Baleia Rossi, presidente estadual do PMDB, e ao presidente da Uvesp – União dos Vereadores do Estado de São Paulo, Sebastião Misiara, que facilitaria as negociações com prefeituras.

Devido ao foro privilegiado de Capez e de Rossi e como as denúncias também envolvem prefeitos, o Ministério Público de Bebedouro, que concentra as apurações, não cuidará dos casos de políticos, que ficarão a cargo do procurador-geral de Justiça, Marcio Fernando Elias Rosa, que criou uma força-tarefa para levar adiante as investigações.

Todos os apontados como beneficiários da propina rechaçam as acusações. Capez afirma que provará inocência e quem não conseguirão macular sua honra. Rossi também nega. Em nota, Misiara diz que irá colaborar com as investigações e desabafa: “É inconcebível que depois de mais de 40 anos de imagem pública limpa tentem arranhar minha reputação.”