Por Cris Marques
Fotos: Rafael Almeida

Antes mesmo de conhecer a empresária Débora Gibertoni, 35, ainda na sala de espera, já havia prendido minha atenção em uma estante, protagonista total da sala e que dizia muito sobre a personalidade da entrevistada. No espaço, “O Segredo” e a “A arte da Guerra” ficavam lado a lado de volumes sobre coaching e, claro, vendas. Iniciada a entrevista, comecei com perguntas sobre sua vida pessoal até perceber que aquele não seria um perfil normal, pois ali mulher, empresa, vocação e o amor por gerir pessoas se misturavam em uma trajetória só.

 

Hoje mastercoach, practitioner em PNL (programação neurolinguística) e diretora e proprietária do Grupo Comercial RH e da K.L.A. Educação Empresarial – unidade Guarulhos, Débora Gibertoni, quando mais nova, tinha um sonho muito diferente sobre sua profissão: queria cursar direito e ser juíza. Nascida e crescida em São Paulo, ela já trabalhava quando ingressou na faculdade de publicidade e propaganda, curso que ela podia custear na época. Em 2004, começou a trabalhar com material promocional e banners no negócio da família. “Fiquei com a parte de pessoal e lembro que, no começo, tínhamos apenas três funcionários: o ajudante, o rapaz da produção e o impressor. Lidar com eles foi bem desafiador porque era fábrica, produção mesmo e eles não tinham nenhuma qualificação; tive até que instruir como deveriam se vestir, não só por segurança, mas pela imagem da organização. Eu criei uma cultura ali dentro, do zero. Em 2011, quando saí de lá, o quadro de funcionários já contava com 37 colaboradores”.

E foi essa experiência que abriu um caminho totalmente novo para ela. “Eu sempre gostei dessa parte de desenvolvimento de potenciais e foi aí que escolhi o coaching, que é uma metodologia que trabalha o autodesenvolvimento. Nesse momento, sabia que queria lidar com comportamento, mas não tinha nada formatado”. Depois de tornar-se coach, de uma formação em PNL e um curso de gestão de RH, pelo Senac, em 2013, surgiu a oportunidade de abrir uma franquia da KLA em Guarulhos, ao lado de uma pessoa que conheceu durante o curso e que era moradora da cidade. “Ela ficou só um ano, mas eu continuei. E atuando na área empresarial, de vendas, finanças, marketing e outras, entrei em contato com proprietários, diretores e gerentes comerciais, que me mostraram uma necessidade do mercado: profissionais voltados para vendas e com formação e especialização naquilo. Assim, em 2014, eu formatei o Grupo Comercial RH pra trabalhar com recrutamento e seleção exclusivamente para a área comercial”.

 

Formando vendedores

De acordo com Débora, quem se torna vendedor de profissão normalmente o faz por falta de opção ou uma formação específica e acaba tendo que aprender por conta própria, sem uma base sólida ou uma formação. E é aí que surgem os problemas das corporações. “Com meu know-how na gestão de pessoas e o coaching, percebi que um bom profissional precisa ser trabalhado, atualizado e motivado. Além dos vendedores caírem de paraquedas, eles acabam tendo de desenvolver algo que é crucial para a sobrevivência daquela empresa: trazer faturamento. Muitos falam que o comercial é o coração de uma instituição e é mesmo; afinal, é ele que ‘paga’ as contas. Mas muitos contratam, ensinam a usar o sistema e não dão treinamento comportamental. E eu vi aí uma oportunidade de negócio, porque vender não é simplesmente apresentar ou empurrar um produto, e sim criar um relacionamento, orientar”. Com a K.L.A. Educação Empresarial e sua metodologia própria de escola de vendas e o Grupo Comercial RH, Débora conseguiu formatar uma solução completa. “Se eu já trabalho como agência de recrutamento, por que não treinar o candidato um pouco mais, entregando para a empresa que me contratou alguém com o perfil ideal, qualificado e mais motivado? Então, minhas empresas vêm totalmente ao encontro uma da outra”.

 

Vossa excelência, o cliente

Antes de sua atuação, Débora também é consumidora e, com suas vivências, entende ainda mais o que o mercado precisa. “Estava em uma loja especializada em café, na Mooca, em São Paulo; pedi uma salada de frutas e a funcionária me disse que não tinha, porque as frutas estavam na geladeira do escritório do dono e ela não podia pegar; faltava papel higiênico no sanitário feminino e o wi-fi estava bloqueado. Não fiquei satisfeita e mandei um e-mail para o endereço eletrônico geral da rede. Isso exemplifica a importância do que fazemos como um todo, incluindo o serviço de cliente oculto, no qual a gente elege algumas pessoas para ir em determinado estabelecimento e fazer toda a avaliação: do produto ao atendimento, passando até pela limpeza do banheiro. Eu acredito que quem está pagando pode exigir, sim, e um bom atendimento é o mínimo de respeito que pode ser oferecido”, conta ela, que almeja e trabalha arduamente para que sua empresa se torne referência em excelência no atendimento ao cliente até 2020.

 

Vida e trabalho

E se tem quem diga ser rato de biblioteca, Débora assume mesmo ser rata de treinamentos e reuniões de negócios, o que não a faz menos leitora, claro. “Eu adoro fazer cursos, tanto que participo dos que a empresa dá, mesmo que sejam repetidos. Sobre as reuniões, eu gosto de entender qual o problema daquela organização e oferecer uma solução. Atuar junto com ela e poder entregar resultados é minha paixão. Já com relação aos livros, tenho uma mania diferente: dificilmente leio uma obra do começo ao fim. Eu pego dez de uma vez e aí leio um capítulo aqui, outro ali e isso vai me agregando conteúdos e ensinamentos que vou colocando em prática na vida pessoal e também nos processos de coaching, e é por isso que tenho uma estante cheia. Isso me deixa aberta para o conhecimento, algo que acho que todos deveriam fazer”, finaliza ela.

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