
Autoretrato
A sujeira nas ruas no dia da eleição mostra bem o nível dos políticos que querem representar o povo. E, de certa forma, retrata o próprio povo guarulhense, pois foram pessoas contratadas para distribuir santinhos que os jogaram. Isso não rende voto, só entope bueiros e polui rios.
Filhos sem pai
É praticamente impossível atribuir responsabilidades pela sujeira das ruas, porque quase todos os partidos agiram da mesma forma, emporcalhando a cidade.
Dia 30, dá…
Já no segundo turno, como são só dois candidatos, a Justiça Eleitoral bem que poderia intimá-los a não fazer nenhum tipo de distribuição de material no dia da eleição, sob pena de impugnação da candidatura.
Não adianta nada
O alto índice de votos em branco e nulos, bem como de abstenções, deixou claro que é pura balela aquele papo de que se houvesse um número muito baixo de votos válidos, o País seria sacudido por uma onda de consciência da classe política. Apenas reduziu o quociente eleitoral. Na prática, o que mudou?
Dança dos números
As pesquisas eleitorais do primeiro turno foram as grandes derrotadas, pois erraram feio, muito feio. Se não houve má-fé, os eleitores pesquisados esconderam as reais intenções de voto. A que mais se aproximou foi a do instituto Cruz Consulting, de Ribeirão Preto, divulgada no início da noite da sexta-feira, dia 30, e só foi divulgada pelo Click Guarulhos e nas redes sociais. Mesmo assim, ficou longe da realidade. Apontou Guti com 16,8% e ele teve 23,12% sobre o total ou 34,54% dos votos válidos. Cravou Eli com 14,1% e passou perto: foram 14,98% do total ou 22,38% dos votos válidos. Apontou Pietá com 13,8% e foram 12,93% do total (bem perto) ou 19,32% dos válidos; para o Xerife, previu 13,4% e foram 7,29% do total ou 10,9% dos válidos. Acertou o total de votos em branco e nulos: previu 18,6% e o resultado foi de 18,15%.
Vizinhos duas vezes
O comitê central de Guti é na rua Luiz Faccini. O de Eli Corrêa Filho também. Guti é chamado pelos opositores de “garoto do Maia”, alusão ao colégio de sua família. Eli Corrêa Filho tem como endereço na cidade a casa de sua sogra, que fica na rua detrás do Colégio Maia.
Vítimas das regras
Vereadores da atual safra foram castigados pela regra do quociente eleitoral. Apesar de bem votados, não foram reeleitos: com 5234 votos, Americano (PHS); Elmer Japonês (PR), com 5096; Verinha Souza (PMB), com 3755 e Toninho Magalhães (PTC), com 2987 votos. Também não se elegeu por pouco o candidato mais votado do PRP, Roberto Farmacêutico, que teve 4423 votos. Seu partido chegou a 17005 votos, pouco abaixo do quociente eleitoral. O PHS de Americano, mesmo coligado ao PV, ficou abaixo do quociente. Na Rede, o jornalista Augusto Pinheiro teve 1416 votos, mas o desempenho do partido foi fraco: só 7668 votos ao todo.
Beneficiados
As vagas que seriam dos partidos que não atingiram o quociente favoreceram a eleição de mais um vereador para as bancadas do PT, PSB, PTB e PSD.
Votos de legenda
Os partidos que tiveram candidatos a prefeito aumentaram a chance de ampliar as bancadas, graças aos votos de legenda: PT, 8893 votos; DEM, 7945; PSB, 7926; PSDB, 4636; PSD, 1898 e PTB, 1105 votos.
Partidos dos vices
Já os partidos dos candidatos a vice-prefeito não tiveram a mesma sorte, pois os votos de legenda foram ínfimos. Assim, a Rede, o PDT, o PMN e o PV não elegeram nenhum representante na Câmara.
Poucas mulheres
Em um ano em que tanto se falou em empoderamento das mulheres e de maior representatividade delas na política, a Câmara de Guarulhos só reelegeu a vereadora Genilda (PT) e terá quatro novas mulheres: Janete (PT), Carol Ribeiro (PMDB) e Sandra Gileno (PSL).
Boca de urna
A boca de urna correu solta; poucas detenções, o que serve como incentivo à compra de votos.
Moleque Alckmin
Discussão na padaria. Um diz: “O governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi eleito prefeito de sua cidade natal, Pindamonhangaba, com 24 anos de idade, após ter sido vereador por um só mandato”. O outro retruca: “Mas Pinda é bem menor que Guarulhos!”.



