Guarulhos irá às urnas no domingo, 30/10, escolher o novo prefeito da cidade. A Weekend enviou aos dois candidatos que estão no segundo turno, Gustavo Enric Costa, o Guti (PSB) e Adriano Eli Corrêa, o Eli Corrêa Filho (DEM), as mesmas perguntas. Analise as respostas e decida seu voto conscientemente, sabendo que aquele que for eleito terá pela frente uma árdua tarefa e a difícil missão de tentar corresponder às expectativas da população, que são muitas, tantos são os problemas a resolver.
Sabendo-se que a Prefeitura de Guarulhos está arrecadando muito menos do que o previsto e que, portanto, não dá para manter a mesma despesa, é evidente a necessidade de reduzir o número de secretarias. Quais as pastas que irá eliminar de imediato e quais outras assumirão as funções atualmente exercidas por elas?
GUTI: Vamos realizar um amplo estudo sobre todas as secretarias, já nos primeiros dias de governo levantar despesas, cargos comissionados, gastos desnecessários. Não podemos permitir que, ao eliminar departamentos e secretarias, diminua a qualidade no atendimento aos cidadãos e nas políticas públicas.
ELI: Temos algumas possibilidades que serão melhor delineadas depois que tivermos detalhes da situação financeira da cidade, após a auditoria nos contratos que vamos ter de fazer. Podemos citar, por exemplo, a Cultura e Esportes, que podem ser anexadas, sem prejuízo no orçamento, à Educação, e Comunicação que pode ser subordinada ao Gabinete. O objetivo é ter uma estrutura enxuta e eficiente.
Irá manter ou eliminar os cargos de secretário-adjunto? Da mesma forma, vem sendo prometido reduzir o número de cargos comissionados. Pergunta-se: qual o número de cargos de livre nomeação entende ser imprescindível manter?
GUTI: Conforme resposta anterior, é preciso ter os pés no chão para enfrentar a crise e um estudo detalhado da situação atual para definir quais cargos serão extintos.
ELI: Cada caso terá de ser avaliado isoladamente. Pois se integrarmos Cultura e Esportes à Educação, por exemplo, será necessário um secretário-adjunto com capacidade técnica em suas respectivas áreas.
Da mesma forma, vem sendo prometido reduzir o número de cargos comissionados. Pergunta-se: qual o número de cargos de livre nomeação entende ser imprescindível manter?
GUTI: A primeira medida será cortar cargos de confiança. A Prefeitura não aguenta mais tanto cabide de emprego em troca de apoio político. Essa velha política tem que ficar no passado.
ELI: Há uma estimativa de 4 mil comissionados atualmente que vamos confirmar a partir de janeiro. Certamente que este volume é muito elevado. A sua redução é ponto indiscutível. Quanto reduzir vai depender do quanto de prejuízo poderá trazer ou não à prestação dos serviços públicos até que se tenha tempo hábil para suprir as vagas com funcionários concursados. O que terá de ser eliminado, e vai, são postos ocupados por pessoas que, segundo denúncias, são ocupados por pessoas que sequer comparecem aos locais de trabalho ou que apenas abrem o registro de ponto e não permanecem nos seus postos. Isso vai acabar.
Muitos problemas da cidade decorrem da má educação de parte da população, como jogar lixo nas ruas e depositar entulho em lugares indevidos. O que pretende fazer para tornar a cidade mais limpa a curto prazo?
GUTI: O Cuida Guarulhos será nosso maior aliado. A limpeza pública torna-se mais simples ao compartilhar responsabilidades, ou seja, a população e o poder público se unirem para manter a cidade limpa. Teremos campanhas educativas e, com o aplicativo, ficará mais fácil o cidadão solicitar o corte de árvores, tapa-buraco, limpeza de ruas e bueiros, pintura de guias, sinalização, iluminação, etc. O morador acompanha o pedido pelo celular e a Prefeitura fica mais próxima do problema. Além disso, vamos implementar de fato a coleta seletiva, coleta de resíduos e resíduos tecnológicos. Nos bairros, vamos indicar locais onde se faz necessária a limpeza e iluminação de espaços abandonados, praças e quadras de esporte, afim de torná-las locais voltados à socialização da comunidade.
ELI: A Prefeitura tem que fazer sua parte, que é manter uma coleta de qualidade, cuidar da varrição e limpeza da cidade toda e dar as condições para que a população faça sua parte, mantendo lixeiras por toda a cidade e implantando muito mais pontos de coleta de entulho e recicláveis. Também vamos realizar campanhas de conscientização que alcance toda população. Uma forma de alcançar muitas pessoas com esta educação ambiental é a partir das escolas municipais, por exemplo.
Apesar de ter construído várias estações de tratamento de esgotos, Guarulhos ainda não trata praticamente nada de seus dejetos. Considerando que o Saae deve altas somas à Sabesp, não se vê solução a médio prazo. É a favor ou contra entregar o saneamento básico da cidade à empresa do Estado? Caso negativo, como irá resolver a questão da dívida e como viabilizar que os esgotos sejam tratados?
GUTI: É um assunto bastante delicado. Vamos reunir grandes especialistas para avaliar os pós e os contra, levantar hipóteses e alternativas para o saneamento básico de Guarulhos. Precisamos ter acesso a todos os documentos do Saae, analisar com cuidado e critério, por especialistas renomados e isentos. Mas de imediato será necessário uma parceria público-privada para a instalação dos coletores nas ETEs o quanto antes.
ELI: Infelizmente, o PT faliu Guarulhos. Temos fácil interlocução com o governo do Estado, e vamos aplicar isso a favor de Guarulhos, buscando um reescalonamento da dívida a longo prazo. Quanto ao tratamento do esgoto, precisamos da parceria com o governo do Estado, que já sinalizou a disposição em nos ajudar. Esta é uma questão fundamental para o desenvolvimento sustentável da cidade que repercute, inclusive, na atração de empresas que precisam encontrar um contexto em que elas possam cumprir as exigências da legislação na questão ambiental. Essa é uma dentre as muitas questões que dependem da disposição ao diálogo que já foi sinalizada pelo governo estadual.
A atual gestão, para implantar o Bilhete Único no transporte coletivo, fez com que o sistema alimentador com micro-ônibus passasse a só atuar na periferia, ligando-a aos terminais, dos quais as linhas de ônibus transportam os passageiros até a região central. Se for o próximo prefeito, manterá esse sistema?
GUTI: Guarulhos cresceu muito sem o planejamento adequado para uma grande metrópole. Vamos rever o estudo de mobilidade urbana, implantar linhas inteligentes nos bairros e, em especial, na periferia, oferecendo maior conforto e agilidade aos passageiros.
ELI: Este sistema precisa ser muito aprimorado. Faz sentido ter pontos alimentadores, mas o povo espera muito os ônibus nos pontos e perde muito tempo no transporte público. É preciso ampliar a oferta de trajetos, incluindo alguns que sejam diretos dos bairros, naquelas conexões mais usadas pelos usuários do sistema. E exigir das empresas de ônibus mais carros por linha e melhores condições no atendimento.
Pretende voltar a permitir as chamadas lotações para o transporte de passageiros, ainda que fazendo ligações interbairros, sem passar pela região central?
GUTI: Conforme respondido anteriormente, vamos rever a mobilidade urbana e definir as melhores estratégicas para cada região. No entanto, precisamos pensar em um modelo de transporte alimentador e o as lotações são uma opção viável.
ELI: Para iniciar os investimentos em mobilidade urbana, após licitação, vamos implantar rede de transportes complementar com micro-ônibus novos (idade máxima de 5 anos) atendendo todas as comunidades e bairros com integração física e tarifária em qualquer ponto de parada, com o sistema de ônibus de maior capacidade. Também precisamos aprimorar o diálogo com o Estado para que as extensões de trem e Metrô, finalmente, atendam a população guarulhense. E vamos implementar novos corredores de ônibus, sempre com veículos articulados ou biarticulados, inclusive nas vias locais da rodovia Dutra nos trechos de maior volume de ônibus. Implantação de corredor de ônibus metropolitano ligando a Vila Galvão ao Metrô Tucuruvi. Planejar as integrações de nosso sistema de ônibus e micro-ônibus municipais ao monotrilho em construção na Rodovia Helio Smidt. Outras medidas serão melhor avaliadas com uma nova engenharia de tráfego que, infelizmente, não existe em Guarulhos.
Se a Prefeitura está gastando o limite com folha de pagamento e não consegue manter médicos suficientes para atender em todas as unidades de saúde, como viabilizar a ampliação do horário de atendimento como vem sendo prometido?
GUTI: Enxugando a máquina pública, revendo os contratos firmados pela Prefeitura nos últimos anos e cortando cargos comissionados. Incorporando técnicas de gestão mais eficientes, será possível coordenar os recursos públicos a fim de destiná-los para as políticas públicas que realmente deveriam ir. Além disso, vamos fiscalizar as Organizações Sociais de Saúde para que o serviço seja entregue com qualidade e eficiência.
ELI: Guarulhos arrecada uma fortuna, mas tudo é muito mal aplicado. As medidas de austeridade, revisão de contratos, reescalonamento das dívidas, reestruturação da máquina, redução dos cargos em comissão vão nos dar a margem necessária para tirar a cidade do buraco. Assim, vamos aplicar o dinheiro no que realmente se faz necessário como a Saúde, que é prioridade número 1, para evitar tragédias como as mortes de 14 crianças que chocaram o país inteiro e continuam impunes.

