segunda-feira, 25 outubro 2021
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Deixem as crianças se sujarem

Por Val Oliveira

Tem mãe que torce o nariz ao ver o filho sujo. Algumas, inclusive, evitam que a criança se lambuze com alimentos ou ande descalço dentro de casa. Mas mexer na grama, rolar na terra e brincar em parques abertos, desde que sob a supervisão de um adulto, são momentos importantes para o desenvolvimento dos pequenos. Isso porque o que muitos pais consideram como “sujeira”, na verdade é essencial para fortalecer a imunidade e construir um sistema de defesa natural do corpo, o que não acontece quando são mantidos em ambientes assépticos.

Nos últimos anos, vem sendo registrado um grande aumento de doenças autoimunes e doenças crônicas em crianças, segundo estudos divulgados pela Sociedade Americana de Alergias e Imunologia e pelo Centro de Controle de Doenças. O diagnóstico de diabetes tipo I em crianças abaixo de cinco anos, por exemplo, tem aumentado cerca de 6% anualmente; a síndrome do déficit de atenção e hiperatividade teve aumento de incidência de 40%. Essa elevação também foi verificada para outras doenças como asma, que aponta 28% mais casos; alergias alimentares com 18% de crescimento em 10 anos; e dermatites, presente em 10% das crianças nos Estados Unidos.

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Rafaella Calmon

“Muitos estudos têm atribuído esse panorama assustador à exposição cada vez menor das crianças a bactérias, fungos e parasitas”, ressalta Ana Laura Kawasaka, pediatra do Portal Saúde4Kids. A médica comenta que a vida em ambientes cada vez mais limpos, a preocupação excessiva com contaminação, o uso exagerado de agrotóxicos e o uso indiscriminado de medicamentos, principalmente antibióticos, têm contribuído para esse cenário. “As crianças estão cada vez mais protegidas e limpinhas, e isso pode ser um limitante para que seu sistema imune seja ‘desafiado’ a se defender”, conclui.

A criança nasce apenas com a imunidade recebida da mãe durante a gestação e, normalmente, começa a desenvolver seu próprio sistema a partir dos seis meses. “Cada vez mais os estudos têm comprovado que estar em contato com estes patógenos nos primeiros anos pode ser muito importante para a imunidade. Nosso sistema imune só desenvolve proteção para aquilo a que é exposto, portanto, ele precisa ser constantemente desafiado para que a criança cresça mais protegida e saudável”, avalia a pediatra e cardiologista infantil Rafaella Calmon, também do Portal Saúde4Kids.

De acordo com Rafaella, mesmo que as brincadeiras de sujar sejam saudáveis, os pais devem tomar alguns cuidados ao exporem os filhos e determinados ambientes. “A partir do momento que o bebê começar a engatinhar e a se movimentar pela casa já é possível deixá-lo mais livre. Contudo, os pais devem ter cuidados habituais com a limpeza, adaptação da casa e segurança do ambiente (tomadas, fios, gavetas etc.). Esse brincar deve ser sempre com supervisão de um adulto para evitar acidentes. Também cabe destacar que se expor ao ambiente não significa rolar no lixo ou viver em más condições de higiene. Somente não ter medo do livre brincar na natureza, como mexer na terra, passear ao ar livre, ter e brincar com animais domésticos. Além disso, deve-se evitar o excesso de esterilização dos objetos do bebê”, indica.

samuel-2Corpo e mente sadios

Deixar que a criança tenha contato com sujeira não é só importante para a saúde, mas também para o desenvolvimento psicológico. Durante a fase de desenvolvimento, os pequenos precisam estimular os sentidos do tato, movimento e equilíbrio para garantir um crescimento saudável e ao brincar livres. Essa estimulação passa, naturalmente, pelo contato mais amplo possível com texturas, cores e cheiros, sempre submetido ao bom senso dos tutores.

Por exemplo, uma criança que está aprendendo a comer precisa entender que a comida é dada na colher, mas necessita igualmente tocar na comida para senti-la. Não tem mal algum deixá-la brincar com um pouco do alimento do prato. O ideal é que os pais estejam sempre atentos a proporcionar às crianças diferentes percepções sensoriais.

Eliane Bueno de Camargo é mãe do pequeno Samuel, de 1 ano e 4 meses, e aprova que a criança tenha esse contato mais direto com a natureza, tanto que desde as primeiras engatinhas já deixava o filho se locomover no chão da casa e varanda. “Sou uma mãe a favor do pé no chão. Eles se tornam mais independentes, desenvolvem a coordenação motora e confiam mais em si. Além disso, percebo pelo Samuel que ele quase não fica doente. Também acho bacana que a criança tenha contato com animais. Acredito que ficam mais carinhosos e aprendam a ter responsabilidade”, afirma.

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