Os vários quadros dolorosos associados ao trabalho são, na maioria das vezes, descompensação de quadros subclínicos pre-existentes, e os esforços físicos realizados agem não como causadores de lesões, mas como favores precipitantes de dor.
Segundo o neurocirurgião Cristiano Diniz, do ICC-Instituto do Cérebro e da Coluna, o nosso corpo apresenta uma melhora geral entre o nascimento e os 20-25 anos, período no qual nossos órgãos, músculos e ossos melhoram progressivamente. À partir daí, e até 30-35 anos, acontece um período de estabilidade, seguido de um lento declínio, até a senilidade, no qual ocorre uma perda progressiva do bom funcionamento do corpo.
“Neste processo, nossos músculos, ossos e articulações também perdem suas tendências ao bom funcionamento, o que frequentemente causará dores e disfunções. Neste momento da vida, a pessoa geralmente estará trabalhando, e associará suas dores aos esforços decorrentes do trabalho, mas, na verdade, provavelmente tais dores aconteceríamos mesmo que os esforços não estivessem acontecendo. Claro que o uso de músculos, ossos e articulações que estão despreparadas fisicamente causará mais sofrimento, mas, por outro lado, se conseguirmos condicioná-los melhor, teremos um resultado muito melhor no que diz respeito às dores decorrentes destes esforço”, explica.
Ele cita algumas situações conhecidas e que devem ser evitadas como, por exemplo, o monitor do computador abaixo do nível da cabeça, o que obriga o funcionário a ficar olhando para baixo e forçando os músculos cervicais posteriores de modo contínuo, o que causa dor e poderia ser contornado com a simples elevação do monitor. “Mas, mesmo neste exemplo, também o fortalecimento da musculatura do pescoço aliviará de modo significativo o sofrimento. Toda postura mantida com esforço por muito tempo causará dor, mesmo a posição sentada. Intervalos de 15 minutos para alongar os músculos do corpo, especialmente os lombares, a cada três horas de trabalho, aliviarão bastante o sofrimento”, recomenda.
O neurocirurgião alerta, porém, que nesses intervalos é imprescindível alongar-se, não apenas levantar, tomar café e fumar um cigarro, que é o que geralmente as pessoas fazem, pois nessa sequência não há benefício algum para o bem-estar do corpo.
Cristiano Diniz, neurocirurgião
CRM 98921

