
Denys Souza, 49, nasceu no interior da Bahia, em Itapebi. Mudou-se para Eunápolis, cidade próxima a Porto Seguro, onde viveu até os 19 anos. Começou a trabalhar muito cedo, aos nove. Engraxava sapatos, carregava carrinho de feira e vendia jornal. Aos 16, tinha sua própria oficina de eletrodomésticos, mas foi no trabalho de pintor e letrista que teceu sua história profissional.
Em época de eleição, Denys vinha para São Paulo, especificamente em Guarulhos, para pintar nomes e números de candidatos nos muros, quando isso ainda era permitido. Numa dessas vindas conheceu Ana. Ficaram noivos em Guarulhos e casaram-se na Bahia. “Um ano depois, eu voltei para trabalhar na campanha e surgiu uma oportunidade de comprar um terreno. Aí eu fiquei por aqui e falei pra ela vir. Ela já estava grávida da nossa primeira filha”, lembra o então letrista.
Depois de alguns meses morando em Guarulhos, o recém-casal teria sua primeira grande surpresa ruim: Denys estava com meningite. “Foi um momento bem delicado da minha vida. Fiquei internado por um período, perdi a memória e esqueci de um monte de coisas”, conta Denys, que na época tinha 24 anos. “Depois de um tempo, saí do hospital, tive uma convulsão e o médico me disse que eu não poderia mais subir em escadas. Aí bateu o desespero. Eu só sabia fazer aquilo e uma das principais ferramentas do meu trabalho era a escada”, recorda o sufoco.
Mas com Ana sempre lhe dando forças, Denys foi seguindo. “Eu continuei fazendo os trabalhos, com muito medo, mas não podia parar. Até que uma prima, que morava lá no Tremembé, me ligou dizendo que uma empresa precisava de letrista. Fui lá ver. Era uma oficina de letreiros, só que eles faziam placas e faixas e, então, eu não precisaria subir em escadas”. Foi aí que Denys começou a perceber que tudo começava a dar certo. “Muito provavelmente, se eu não tivesse tido esse desafio da meningite eu não teria topado esse trabalho, porque eu gostava da liberdade de trabalhar na rua, por conta.”
Nas perfeitas conexões da vida de Denys, mais uma estava por se formar. Ele tinha um diferencial dos letristas da época, que era o conhecimento em geometria. “Eu fazia tudo na escala, bem proporcional”. Até que um rapaz que trabalhava com ele, notando sua habilidade, disse que o levaria para trabalhar em sua oficina de infláveis. “A intenção dele era que eu fizesse os rótulos, porque naquela época não havia máquinas de impressão digital. Então era tudo feito à mão e, no caso dos infláveis, tudo tinha de sair perfeito”, explica.
Denys não sabia exatamente o que eram esses infláveis. O primeiro rótulo que pintou foi para uma garrafa de cerveja Antarctica. “Quando inflaram a garrafa… Nossa! Lembro-me até hoje. Foi extremamente emocionante. Eu disse a mim mesmo que tinha de aprender a fazer aquele negócio!”. Foi amor à primeira vista. “O negócio entrou no sangue naquele momento”. Então, Denys abriu sua própria oficina de infláveis. Eu fazia tudo: comprava, vendia, fabricava e entregava.
Sua esposa era enfermeira. Trabalhava no hospital Nipo-brasileiro e vendia produtos da Avon. Denys, percebendo o talento de Ana com vendas e ao mesmo tempo precisando de alguém que pudesse cuidar desta parte na oficina, vivia insistindo para que ela trabalhasse com ele. Até que ela engravidou do terceiro filho, enfrentou problemas no nervo ciático e teve de ficar em casa. Foi quando começou a trabalhar com o esposo. “Hoje ela é a melhor vendedora de infláveis do Brasil”, comemora Denys.
“Agora somos empresários!”, diz Denys, que tem um feeling incrível para negócios. “Tinha um anuário de publicidade que, na época, para anunciar nele era o valor de um carro.
“Vendi meu carro e anunciamos!” Foi o divisor de águas. “Comecei a fechar com vários clientes, fizemos um site, criamos um logotipo”. Tudo ia bem, até a CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) bater à porta da oficina, que ficava no Jardim Moreira, bairro residencial.
“Tínhamos 60 dias para mudar, era um prazo muito curto. Tivemos de fazer isso às pressas, sem planejamento e o galpão mais barato custava 3, 4 vezes mais do que o aluguel que eu pagava”. Mudaram-se para um galpão na avenida Santos Dumont. O número de trabalho triplicou. Em cinco anos a Big Format Infláveis já era a melhor empresa de infláveis do Brasil.
A filosofia de Denys inclui qualidade e prazo. Ser ágil, mas com o melhor produto. A Big Format foi a primeira empresa do Brasil a ter impressão digital própria. “Com a terceirização da impressão, eu não tinha como acompanhar a qualidade ou garantir o prazo”, explica Denys, que em seguida criaria um departamento de criação dentro de sua empresa.
Denys não tem graduação, mas diz ter MBA em crise. “Diante da crise nos tornamos mais produtivos. Hoje estamos mais fortes, mais organizados. Não me arrisco tanto como no começo. Sou mais pé no chão”, conta o empresário, que há 12 anos está em um galpão muito maior, no qual abriga todos os departamentos, desde a criação de arte até a confecção do inflável.
Ana fez Administração. Denys, que já tinha a sensibilidade de um empreendedor nato, fez cursos de liderança e de produção. Leu e até hoje lê histórias e casos de sucessos. “Muita gente dizia que eu era louco. Mas eu sempre pensava em inovar, em me superar. Fomos a primeira empresa no Brasil a fazer impressão digital em esfera”, comemora.
Mas o grande ensinamento, Denys não encontrou nos livros. Seu pai, um semianalfabeto, sempre lhe dizia a seguinte frase: “Nunca perca a oportunidade de aprender”. E isso ficou tão marcado em Denys que ele até se emociona ao contar. Porque, com certeza, se ele não tivesse aproveitado a oportunidade de aprender geometria com um letrista que era também professor de Educação Artística, com quem Denys trabalhou em uma das vindas a São Paulo, essa história toda seria bem diferente.



