Uma das maiores instituições brasileiras dedicadas ao atendimento gratuito às pessoas com deficiência intelectual, as Casas André Luiz atravessam um dos períodos mais críticos de sua história. Em meio à grave crise econômica que afeta o país, pessoas e empresas passaram a doar menos, fato que impactou nas contas da entidade e, consequentemente, nos serviços oferecidos aos cerca de 2 mil pacientes – dos quais 72% possuem deficiência grave ou profunda e 42% são acamados e/ou cadeirantes.
Criada há 68 anos, as Casas André Luiz realizam anualmente 230 mil atendimentos médicos e terapêuticos. Para manter a estrutura na Unidade de Longa Permanência (ULP), em Guarulhos, onde vivem 600 pessoas em tempo integral, e no Ambulatório de Deficiência Intelectual, que atende 1400 pessoas em regime ambulatorial, a instituição precisa arrecadar cerca de R$ 10 milhões por mês. Para se ter uma ideia, apenas na ULP, são consumidos 5 mil refeições e 280 litros de leite todos os dias, sem falar nos gastos administrativos, com manutenção, suprimentos e os 2 mil funcionários que trabalham para garantir a qualidade de vida dos pacientes.
Como o repasse do Sistema Único de Saúde (SUS) representa cerca de 30% desses gastos, a entidade depende de doações de pessoas físicas e jurídicas, além da verba arrecadada pelo Mercatudo, projeto que reaproveita móveis, eletrodomésticos e materiais doados pela sociedade para vendê-los a preços populares. “Sentimos o peso nas contas básicas, e muitos serviços tiveram que ser renegociados ou cancelados. Estamos lutando diariamente para superar as dificuldades financeiras e buscar alternativas, já que tivemos uma queda brusca nas doações, que impactou diretamente a manutenção dos nossos trabalhos”, conta Margareth Pummer, diretora tesoureira da Instituição.
Outra consequência da crise foi o fechamento de uma unidade ambulatorial no bairro de Santana, na zona norte de São Paulo, inaugurada em 2014. Com capacidade para atender outros 2 mil pacientes e suas famílias, o local teve as atividades suspensas no final de 2016 devido à falta de recursos financeiros. “Muitas pessoas perderam seus empregos e acabaram por diminuir as contribuições. Outra dificuldade foi observada em nossos bazares, que tiveram uma queda nas doações de itens como móveis, eletroeletrônicos e roupas”, explica Margareth.
Plano gestor e corte de gastos
Segundo a tesoureira, mesmo que muitos doadores tenham permanecido ativos, as Casas André Luiz precisaram se reinventar para sobreviver à crise. Há cerca de dois anos, foi colocado em prática um Plano Gestor, responsável por enxugar gastos, otimizar os processos internos e até mudar a estrutura – exemplo foi o fechamento do ambulatório em Santana.
Além disso, foi preciso buscar novas fontes para a captação de recursos: a entidade firmou acordos com plataformas de e-commerce para comercializar os produtos do Mercatudo; e criou o leilão virtual, em parceria com a CasaCuria & Feldman, a fim de ofertar produtos como joias, artesanatos, brinquedos e objetos antigos.
“Estamos fortalecendo nossas parcerias, nos aproximando dos doadores e expondo nossas dificuldades, além de implantar um plano completo de redução de custos fixos da instituição. Nos tempos de crise, a criatividade e o esforço coletivo são essenciais para manter o nosso trabalho em benefício ao deficiente intelectual”, finaliza Margareth.

