Os números mostram que as alterações no ensino médio eram necessárias. Um dos principais objetivos da nova proposta é atrair e manter os alunos na escola. Isso porque, atualmente, mais de 1 milhão de jovens de 17 anos que deveriam estar no terceiro ano do ensino médio estão fora da escola. Outros 1,7 milhão de jovens não estudam nem trabalham. O resultado mais recente do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) também mostra a defasagem do formato atual do ensino médio brasileiro.
Prós e contras na visão da especialista
Para a pedagoga Vanessa Patrício, da UNG, não faltam dados para embasar a necessidade de intervenção nessa fase da educação. “É importante também no que se refere à possibilidade de introduzir um currículo que dialogue mais com a realidade e necessidades dos nossos alunos com ênfase para o mercado de trabalho e ensino superior”, afirma.
Segundo ela, são vários prós à proposta de reforma, como a possibilidade de o aluno escolher uma área específica para se aprofundar dando base para que ele possa ‘seguir adiante’ com conteúdos de áreas afins à sua formação. No entanto, a mudança como está proposta também traz pontos a ser considerados ruins como a ampliação progressiva da carga horária anual mínima, obrigando o aluno a ficar sete horas por dia na aula.
“Dependendo do contexto sociocultural local, isso gerará um desinteresse ainda maior por parte dos alunos, além de tirar do currículo obrigatório as disciplinas que eles tendem a gostar, como educação física e artes. O ensino médio é a etapa mais problemática do sistema educacional brasileiro e cada escola tem autonomia para refletir, propor e agir na busca da qualidade da educação em um processo de discussão aberto à sociedade”, completa Vanessa.

