A analista de sistemas Márcia Marinho fez, em uma postagem no Facebook, uma interessante análise do quadro sucessório nacional. Cita os mais diversos nomes cogitados para disputar a Presidência da República. Em determinado ponto, foca na suposta força eleitoral do deputado Jair Bolsonaro (Pode), mencionando que ele enfrentará dificuldades quando o eleitor se der conta de que há outros candidatos com alguma viabilidade ou, ainda que não sejam tão viáveis, podem tirar votos dele, pela alta rejeição que tem, deixando-o fora do segundo turno ou, caso vá para a etapa final, sejam o fiel da balança para impedir que ele vença.
Quero, entretanto, ater-me ao trecho no qual ela aborda a encruzilhada em que a posição do PSB pode deixar Guti no cenário municipal. Reproduzo: “”No campo do Centro, Bolsonaro também enfrentará problemas. Ciro Gomes e Marina Silva são nomes com potencial de crescimento na faixa de rejeição do deputado, que também cresce. E, num segundo turno, podem ser o fiel da balança. Para decolar, as campanhas de Ciro e Marina dependem muito dos apoios que conseguirão reunir. Ambos disputam o apoio do PSB (Partido do prefeito Guti. O que não deixa de ser duplamente irônico já que o partido de Ciro é o PDT, para onde Almeida migrou depois de sair do PT, e Marina é da Rede, partido do vice Zeitune, com quem Guti rompeu). Parte do PSB tenta manter a aliança com o PSDB, que deve ir de Alckmin (agora que o nome de Dória desidratou e Aécio morreu politicamente). A outra ala quer exatamente o oposto: se afastar dos tucanos! Pelo fato de estarem enrolados com a Lava Jato e ainda ligados ao governo Temer, do qual o PSB desembarcou recentemente”, comenta Márcia Marinho.
Pois é. Se o PSB não tiver mesmo candidato à Presidência, o que é muito provável, e se a opção não for o PSDB, cujo nome mais forte neste momento é Geraldo Alckmin, Guti ficará em um mato sem cachorro. Se o PSB aderir à candidatura de Ciro Gomes (PDT), o prefeito estará no mesmo palanque de seu antecessor, Sebastião Almeida, que trocou o PT pelo PDT e deve ser candidato a deputado federal. Se o PSB resolver somar com Marina Silva (Rede), Guti estará – de novo – no mesmo palanque de Alexandre Zeitune, seu vice e ex-aliado.
Diante desse quadro, não resta dúvida que Guti torcerá muito para que seu correligionário Márcio França, o vice-governador que sonha com o Palácio dos Bandeirantes, tenha força política suficiente para influenciar o PSB nacional a aliar-se a Geraldo Alckmin na busca pelo Planalto. Afinal, no campo local, os tucanos são carne e unha com Guti na atualidade. Posição bem mais cômoda do que ele ver-se forçado a ficar lado a lado com Almeida ou com Zeitune.
Valdir Carleto

