Entrevistados pelo jornalista Roberto Samuel no Programa Tribuna Livre, o secretário da Saúde, Sérgio Iglesias Filho, e a adjunta, Graciane Figueiredo, esclareceram a respeito da vacinação contra a febre amarela na cidade.
Afirmaram que a Prefeitura tem envidado todos os esforços junto aos governos estadual e federal para obtenção do número de vacinas para atender a população e que a vacina é fornecida exclusivamente pelo Ministério da Saúde, em quantidades compatíveis com a necessidade de cada local. Porém, como a produção pela Fiocruz é limitada, o estoque atual só é suficiente para esta semana. Guarulhos não foi referendada para receber vacinas fracionadas.
Iglesias disse que o Estado havia fixado a meta de 280 mil a 300 mil vacinas em Guarulhos, número que foi bastante superado, tendo já chegado a 485.581 pessoas. Comentou que até o final do ano passado, a Secretaria chegou a usar carros de som para chamar a população de áreas de risco para que fossem vacinar-se. Com a notícia da primeira morte de um guarulhense, embora tendo contraído a doença nos limites entre Mairiporã e Nazaré Paulista, passou a haver uma corrida aos postos, incompatível com a capacidade que o Município tem de atender. Ressaltou que é objetivo da Secretaria vacinar todos os habitantes; porém, gradativamente, sem atropelos.
Graciane recomendou que só procure as 30 UBSs que estão vacinando as pessoas que irão se deslocar para cidades onde há maior risco, como Mairiporã, Atibaia e imediações. Uma preocupação é com o carnaval, quando muita gente irá para sítios e chácaras nessas e outras cidades. Portanto, quem não for sair de Guarulhos não deve ir aos postos de vacinação.
Quanto à distribuição de senhas, nesta segunda-feira os pacientes que foram às UBSs e não puderam ser vacinadas receberam senhas para serem atendidas nos demais dias desta semana. Assim, deixaram claro que não adianta ficar em filas, porque só poderáo receber a vacina quem estiver com senhas distribuídas hoje. Em algumas unidades, restam senhas para outros dias, mas não há necessidade de passarem a noite em filas para isso.
Esclareceram dúvidas enviadas pelos internautas. Por exemplo, que mulheres grávidas só podem vacinar-se se residirem nas cidades de risco. Quem toma corticoides deve passar em consulta médica para avaliar se pode ou não tomar a vacina. Alternativamente, recomendaram o uso de repelentes e de roupas com mangas compridas.
O secretário citou que, para atender uma exigência burocrática, como ele tinha férias vencidas, foi obrigado a formalizar o gozo dessas férias, transferindo o cargo à adjunta. Porém, embora fosse seu direito ausentar-se, compareceu ao trabalho todos os dias, geralmente a partir das 7h da manhã.
A adjunta pediu à população que trate bem os funcionários das UBSs, que estão se desdobrando para atender a todos e não têm culpa da falta de vacinas ou da situação que a região vive. Comentou que muitos têm sido destratados e até agredidos, o que é injusto, pois não está ao alcance deles fazer mais do que estão fazendo.
Com relação à propagação de notícias falsas pela internet, divulgando locais errados de vacinação, ambos lamentaram que isso ocorra. Para Iglesias, devem ser pessoas que, na ânsia de prejudicar o governo municipal, não percebem que agindo assim estão causando transtorno à população em geral. Graciane disse que a equipe de comunicação está tendo trabalho dobrado: um no sentido de difundir as informações corretas; outro, para esclarecer que determinadas notícias são infundadas.
As 30 UBSs que estão vacinando são as situadas mais próximas das cidades consideradas de risco. Aos moradores de outros bairros, pediram paciência e que aguardem que mais doses sejam fornecidas à cidade. Que só procurem uma das unidades se realmente precisarem se deslocar para essas outras cidades. Quem puder evitar esse deslocamento, deve escolher náo ir.
Limpeza de quintais
Secretário e adjunta ressaltaram que a febre amarela do atual surto é silvestre; só se propaga nas áreas onde vivem primatas não humanos. Mas que é imprescindível combater o mosquito Aedes aegypit, para não permitir que alguém que tenha sido infectado em outra cidade e volte a Guarulhos venha a ser picado por esse mosquito e contamine outras pessoas. Há 75 anos não há incidência de febre amarela urbana no Brasil.
O Aedes precisa ser combatido porque transmite dengue e chikungunia. Por isso, é importante verificar os quintais e eliminar todo e qualquer foco que possa servir à proliferação do mosquito.
(foto: reprodução do Facebook de Roberto Samuel)

