Detran exige documentação específica para blindagem de veículos

 

É cada vez maior o número de pessoas que tem se preocupado com a segurança e buscado a blindagem veicular para se proteger de possíveis assaltos e até mesmo de balas perdidas, mas você sabia que para blindar um automóvel é preciso seguir alguns procedimentos exigidos pelo Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran)? E o processo não é tão simples. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), toda alteração na característica original (de fábrica) de um carro, como blindagem, cor, envelopamento ou modificação de combustível, precisa ser previamente informada aos órgãos de trânsito.

Sendo assim, antes de blindar um veículo, é necessário pedir uma autorização prévia ao Detran, preencher o formulário que está no site do órgão, no link “veículos”, e entregar na unidade de trânsito onde está registrado o veículo, com cópias do documento de identidade (RG ou CNH) e do CRV ou da nota fiscal, em caso de carro zero KM. Feito isso, o dono do automóvel precisa obter o Certificado de Registro (CR) com o Exército Brasileiro, que autoriza a utilização do veículo blindado.

Tendo o certificado, é recomendado procurar por uma empresa idônea e que tenha registro no Exército Brasileiro. De posse de todos os documentos, ainda é preciso providenciar o Certificado de Segurança Veicular em uma Instituição Técnica Licenciada (ITL). Essa etapa é uma inspeção de segurança veicular para descobrir se o veículo, diante da modificação (blindagem), permanecerá seguro.

Então, com todos os documentos, é preciso que o condutor vá até a unidade do Detran.SP onde o veículo está registrado e solicite a emissão de nova via do CRV com a inclusão da informação de blindagem.

Ainda de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, o condutor que for autuado com alguma característica do veículo alterada sem constar a informação nos documentos recebe cinco pontos na carteira de motorista e multa no valor de R$ 195,23, além de ter o veículo retido para regularização.

Que tipo de veículo pode ser blindado?

Importante lembrar que a maioria dos modelos pode ser blindado, mas carros com motorização 1.0 talvez não se adaptem com o ganho de peso “extra” que a blindagem causa. E veículos conversíveis não são blindados. O valor médio do procedimento gira em torno de R$ 50 mil, mas isso pode variar bastante dependendo do modelo do carro, da oficina e da região. E se você acha que para por aqui, engana-se, porque os blindados exigem manutenção a cada 10 mil quilômetros rodados.

Também é importante ressaltar que pela complexidade do processo, valores muito baixos o cliente deve suspeitar. Para ser blindado, o veículo é completamente desmontado, mantendo-se apenas a lataria, o motor e o painel. São retiradas a capa interna do teto e o forro das portas, os bancos, os vidros e as rodas para que os materiais com resistência balística sejam instalados. E depois ainda é preciso remontar o carro com extremo cuidado para preservar as características do veículo.

Níveis de proteção

No Brasil existem quatro níveis de proteção de blindagem: o I, II-A, II e III-A. Todos seguem as normas americanas, que especificam a quais projéteis um determinado nível de blindagem deve resistir.

Nível I: É a menor proteção disponível. Resiste a disparos de armas calibre 32 e 38, mas é vulnerável a calibres maiores. Com esta proteção, o motorista precisaria analisar o tipo de arma para saber se o carro resistiria à bala

Níveis II e II-A: Esses níveis fazem parte de um único nível segundo a tabela americana. Eles resistem a armas de calibre 9 milímetros e à Magnum 357. Não seria uma proteção resistente, por exemplo, em sequestros, quando bandidos costumam usar armas de maior porte.

Nível III-A:  tem uma resistência quatro vezes maior que o nível I e é a proteção usada por 95% mercado. É resistente a armas de mão de todos os calibres, inclusive a submetralhadoras (pistolas) 9 milímetros e à Magnum 44.