Gastos com Previdência em SP superam investimentos em educação em 2017

 

Por Raphael Costa/Agência Rádio Mais

O governo federal resolveu suspender a tramitação da Reforma da Previdência, porque havia impedimento legal para votar Emenda à Constituição enquanto perdura a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. Fontes do Planalto, entretanto, asseguram que a necessidade da reforma permanece. E pontam números para explicar a insistência em aprovar mudanças no sistema previdenciário.

A grande quantidade de dinheiro destinado ao pagamento de benefícios e aposentadorias em todo o país é a principal motivação para isso. O tema se tornou uma pedra no sapato de estados e municípios.

No estado de São Paulo, por exemplo, a proximidade dos valores gastos com a Previdência e educação chamam a atenção. Segundo dados divulgados pelo governo estadual, os pagamentos com aposentadorias e pensões por morte em São Paulo ultrapassaram os R$ 31 bilhões em 2017. Por outro lado, o sistema educacional público recebeu R$ 30 bilhões, segundo dados da secretaria estadual de Educação.

Esse alto valor dos gastos públicos também pode ser observado na capital paulista. Em entrevista exclusiva à Agência do Rádio Mais, o secretário municipal de Gestão, Paulo Uebel, deu detalhes da situação previdenciária na maior cidade do país. Segundo dados da secretaria, em 2017, quase 10% da arrecadação municipal foram destinados ao pagamento de benefícios previdenciários. Ao todo, segundo Uebel, o déficit é de R$ 4,7 bilhões.

“É um valor muito alto. Significa que poderíamos dobrar o orçamento de 16 secretarias, 32 prefeituras regionais e o fundo municipal da criança e adolescente. Então é um valor muito expressivo que está pressionando outros investimentos importantes em serviços que beneficiam toda a população”, disse o secretário.

O cenário se repete no interior do estado. Em municípios como Atibaia e Americana, por exemplo, os idosos representam mais de 12% de toda a população, segundo dados do IBGE. Em outros locais, como Santos, esse índice chega a 19%, ou seja, quase 1/5 da população é idosa.

Para o economista Otto Nogami, o aumento na quantidade de idosos no Brasil representa um risco à sustentação da Previdência, ao mesmo tempo em que o número de contribuintes diminui ano após ano.

“Esse é um assunto que está em pauta desde o início da década de 80. Vai governo, vem governo e sempre se toca nessa questão. É inevitável que, à medida que a expectativa de vida da população aumenta, o próprio regime previdenciário tem que passar por uma série de revisões para se adequar à nova realidade”, explicou Nogami