O prefeito Guti e seu vice, Alexandre Zeitune, ainda quando mantinham entrosamento, eram sensatos em dizer que não transformariam Guarulhos em uma cidade modelo, mas que a colocariam nos trilhos para que um dia pudesse provar dessa sensação, nunca sentida antes.
No entanto, nas redes sociais, campo fértil para os gutistas e cenário onde o jovem prefeito tinha maior relevância, seus entusiastas pregavam que ele seria o responsável por tirar a cidade das mãos da dinastia falida da estrela vermelha, elevando Guarulhos a um patamar jamais visto.
O exagero nas recorrentes afirmações de que “Guti tudo resolveria” levou-me a escrever na época o artigo “Será Guti o Messias de Guarulhos?”. Diferente de seus aguerridos apoiadores, que o defendiam com unhas e dentes, Guti desde o princípio sabia que a resposta para essa questão era não.
Ledo engano quem pensa que a culpa dessa falta de credibilidade perante a população seja culpa da oposição que o governo tem sofrido. Na verdade, os opositores apenas se aproveitaram de brecha aberta ainda na campanha e que se desgastou pouco a pouco.
Os eleitores compraram essa ideia de “salvador” e fizeram com que a expectativa no novo governo chegasse a um ponto que traspassou a realidade e o bom senso. Com isso a dupla, até então unida, ganhou a eleição, mas sobre um verdadeiro campo minado. Guti e Zeitune sabiam que um passo em falso e toda a credibilidade de um governo com tudo para decolar desabaria.
A verdade é que Guti tem plantado ações que podem dar bons resultados em um futuro não tão distante. Esse planejamento estava desde o início na cabeça do prefeito, mas não tem sido bem visto pela maioria da população, que exige soluções prementes para os inúmeros problemas do município.
O que Guti tem feito pode pôr Guarulhos na pista para decolar, embora seja bem difícil que o jovem prefeito colha esses louros ainda em seu primeiro mandato.
Os entusiastas do prefeito diminuíram – e muito – suas investidas nas redes sociais. Contudo, a imagem criada do “messias”, disseminada em uma população carente e esperançosa de soluções imediatas, continua muito viva. Para ampla maioria dos moradores da cidade não importam ações estratégicas que o prefeito faça, por mais benéficas que possam ser. O que vale é a solução para o agora, o que Guti bem sabe ser impossível, tendo em vista as condições atuais de Guarulhos.
Para ajudar, as sanguessugas que cercam o governo estão cada vez mais próximas. Dada a inexperiência da administração, esse é um obstáculo difícil de driblar e que, se não ficarem atentos, pode ser uma verdadeira pedra no sapato. Uma comunicação mais efetiva e uma maior (e sincera) aproximação com a população talvez ajudem a melhorar o cenário.
Jônatas Ferreira
jonatas@revistaguarulhos.com.br




