Professora faz ‘vakinha’ na internet para participar de curso no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares

Karina posa ao lado da estátua do físico alemão, Albert Einstein, criador da Teoria da Relatividade - Foto: Arquivo Pessoal
 

A guarulhense Karina Alves de Melo, 31, professora de física e mestre em astrofísica pela Universidade Cruzeiro do Sul, é uma das 20 professoras em todo o Brasil selecionadas para participar de um curso de física de partículas no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), maior acelerador de partículas do mundo, com sede na Suíça. Para se ter uma ideia da importância do CERN, “se um dia alguma pesquisa descobrir um meio de viajar no tempo, provavelmente será testado lá”, explica a professora.

Filha de uma faxineira e um motorista de ônibus, Karina fez trabalho de iniciação científica e tecnológica na escola Antônio de Ré, no Macedo. Atualmente trabalha lecionando física no Colégio Batista de Guarulhos. “Devido ao trabalho com os alunos, a Prefeitura de Guarulhos, em 2017, me laureou com o prêmio Professor Destaque de 2017”, conta.

Como não há recursos financeiros disponíveis, Karina está fazendo uma ‘vakinha’ online. Segundo a professora, a Sociedade Brasileira de Física estima um gasto aproximado de R$ 10 mil para participar do curso, que acontecerá na Suíça, de 28 de agosto a 8 de setembro deste ano.

No ano passado, Karina foi selecionada para um curso semelhante na Espanha, porém não pode participar por falta de recursos financeiros.

Segundo Karina, a seleção para a vaga no curso se deu por análise de currículo e elaboração de projeto a ser desenvolvido com alunos do ensino básico. “Para ser selecionada, elaborei um projeto, no qual descrevi como pretendo divulgar, ao regressar ao Brasil, os conhecimentos e experiências que obtiver lá. Farei workshops, palestras e minicursos com alunos do ensino básico, tanto de escola pública quanto particular. Pretendo percorrer toda Guarulhos e estender até outras cidades, fomentando os alunos a participarem de olimpíadas e feiras de ciências, também oferecendo mini cursos a professores de ciências de toda São Paulo”, explica.

Graduada em administração, com licenciatura em física e mestrado em astrofísica e física computacional, suas pesquisas enfatizam a física solar. “Desde 2016 desenvolvo projetos de iniciação cientifica para alunos da rede pública ligados à física, matemática e astronomia. Fui professora de matemática na rede estadual de São Paulo e venho desenvolvendo trabalho voluntário, preparando alunos para a Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA), pois acredito que trabalhos como estes fazem a diferença”, disse.

A professora lembra os tempos difíceis e sua determinação para estudar. “Durante toda a minha formação enfrentei muitas adversidades, pois fui aluna da Educação de Jovens e Adultos (EJA), fiz minha graduação por intermédio do Prouni e depois conclui meu mestrado em Astrofísica”.

Não é a primeira vez que Karina estuda fora do país. “Fiz um curso na Itália, sendo a única pessoa a representar o Brasil, porém não tive auxílio do governo, fiz campanha pessoal na internet para levantar fundos”.

“Na Itália, consegui ser aceita num curso de Física de Partículas, no qual havia 26 participantes, de 19 países. Infelizmente não tive ajuda dos órgãos (públicos e privados) de nossa cidade. Fiz uma campanha ‘vakinha’ para arrecadar fundos na internet, porém não consegui todo o dinheiro necessário. Então parcelei as passagens, que custaram R$ 6 mil”, conclui.

Para vencer mais essa etapa, Karina pede apoio às pessoas na internet, compartilhando ou contribuindo com essa ‘vakinha’ online.