Relator da Base Nacional Comum Curricular fez palestra na Faculdade Progresso

Professor Mozart é membro do Conselho Nacional de Educação, do Conselho Estadual de Educação de SP e e relator da Comissão de Formação de Professores na Base Nacional Comum Curricular - Foto: Alexandre de Paulo/Click Guarulhos

Na noite de terça-feira, 12/11, a Faculdade Progresso reuniu mais de 200 professores e estudantes de pedagogia para assistir à palestra do professor Mozart Nunes Ramos, membro do Conselho Nacional de Educação, do Conselho Estadual de Educação de SP e relator da Comissão de Formação de Professores na Base Nacional Comum Curricular. Ele é também o diretor de Articulação e Inovação da Fundação Ayrton Senna. No evento, estiveram presentes as dirigentes de Ensino de Guarulhos Norte e Sul, respectivamente, Vera Lúcia de Jesus Curriel e Maria Aparecida Barretos, além de educadores de outras cidades da Região Metropolitana de São Paulo.

Com a experiência de quem foi reitor da Universidade Federal de Pernambuco e secretário estadual de Educação do mesmo estado, professor Mozart enumerou embates que teve de administrar na elaboração da BNCC, no que diz respeito à formação docente, e garantiu que dedicou-se o melhor que pôde, por entender que nada irá mudar para melhor no Brasil se os professores não tiverem uma formação que lhes permita inovar o jeito de lecionar: “Fiz de mim o melhor que pude, para fazer o melhor pelo Brasil”, afirmou.

Mozart defendeu que a escola precisa preparar os estudantes para o mundo do trabalho – Foto: Alexandre de Paulo/CG

Embora tenha doutorado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pós-doutorado na Itália, minimizou a importância dos títulos acadêmicos. Afirmou que é muito baixo o índice de publicações no Brasil e que o pouco que se produz ocupa espaço nas prateleiras, mas é pouco aproveitado ou absorvido. Assim, defendeu que tem muito mais valor a experiência dos professores que lidam diariamente com a realidade em cada escola, lidam com a dificuldade de ensinar para crianças de famílias desestruturadas, que entregam à escola toda a tarefa de educar que lhes caberia, do que os títulos de doutores que muitos ostentam, mas que nada representam para a melhoria da educação no País. “Em algumas carreiras, o título de doutor já nem é um diferencial importante, porque se tornou comum, corriqueiro”, comentou.

Professor enumerou embates que teve de administrar na elaboração da BNCC – Foto: Alexandre de Paulo/Click Guarulhos

Defendeu que a escola precisa preparar os estudantes para o mundo do trabalho e que os professores precisam estar preparados para isso. Citou que o número de alunos de cursos a distância já supera o de cursos presenciais, motivo pelo qual prega que haja formação específica para professores que atuem na EAD, pois precisam ter competências diferentes já que lidam com outras realidades. Disse crer que em futuro próximo não prevalecerá um sistema nem o outro, mas será híbrido porque várias plataformas irão revolucionar a forma de estudar.

Criticou a chamada “homeschooling” (ensino em casa), por entender que o convívio social é de suma importância para a criança. “Vários estudos mostram que crianças que na pré-escola desenvolveram habilidades como empatia, compartilhamento de saberes, quando chegam na vida adulta, têm 44% mais chances de concluir o ensino médio e 35% menos problemas de relacionamento e até três vezes mais renda, além de outros fatores associados a qualidade de vida”, informou. Defendeu que para lidar com a inclusão nas escolas, tem de preparar bem os professores que ensinarão às crianças nessa condição.

Mais de 200 professores e estudantes de pedagogia assistiram à palestra na Faculdade Progresso – Alexandre de Paulo/CG

Contou como obteve ótimos resultados na gestão estadual em Pernambuco, aplicando metas do Banco Mundial, para evitar a evasão escolar e a reprovação, com melhoria na aprendizagem, mediante contratos de gestão com diretores das escolas. Conquistou por três anos consecutivos o prêmio de melhor gestão escolar. “É imprescindível ter dinheiro, mas só isso não basta. Não vale fazer caixa e ter de gastar de afogadilho, nos últimos meses do ano. É preciso usar as verbas de forma planejada, fazendo o dinheiro chegar à escola no momento certo. O Brasil perde por ano 26 bilhões com reprovação e abandono”, lamentou.

A presença de Mozart Nunes Ramos em Guarulhos foi propiciada pelo fato de ele atuar, no Conselho Estadual, junto com o professor João Alberto Fiorini Filho, diretor da Faculdade Progresso. As diretrizes curriculares da formação docente, das quais Mozart foi relator, foram publicadas pelo Conselho Nacional de Educação, na semana passada.

Na quarta-feira desta semana, o governador João Dória anunciou alterações na forma de remuneração dos professores da rede estadual, o que dependerá de aprovação pela Assembleia Legislativa. A adesão ao novo sistema será opcional pelos atuais docentes. Para quem ingressar na carreira doravante, será automática. Dória disse que quer tornar a carreira mais atraente e que nos próximos quatro anos o aumento salarial poderá chegar a 54%.