Novembro azul: câncer de próstata mata 14 mil homens por ano no Brasil

Centro de Diagnóstico do Câncer de Próstata da rede pública do Rio de Janeiro - Tânia Rêgo/Agência Brasil

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca) o câncer de próstata é a segunda principal causa de morte de pessoas do sexo masculino no país – cerca de 14 mil óbitos por ano. Isso, por si só, já serve de alerta para que os homens não deixem a saúde de lado. Apesar do alarmante índice de mortalidade da doença, o levantamento também mostra que aproximadamente 50% dos brasileiros nunca foram a um urologista.

“Infelizmente ainda há muito bloqueio por parte do público masculino em relação ao exame do toque retal. Felizmente, isso tem melhorado um pouco ao longo dos anos. Associado a esse tabu, de ser um exame um pouco mais evasivo, de mexer com a parte da sexualidade masculina, o homem acaba ficando com um pouco mais de receio de ir ao médico”, ressalta o médico urologista do Hospital do Homem de SP, Felipe Costa.

Em Guarulhos, até o dia 30 de outubro, foram realizados 152 encaminhamentos de residentes da cidade com neoplasia maligna de próstata para a Rede Hebe Camargo.

Tratamento começa na Atenção Básica

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a porta de entrada do SUS para qualquer tratamento, inclusive o de câncer de próstata, é a Atenção Básica. “Ou seja, para realizar exames preventivos, acompanhamento médico e demais ações de promoção à saúde, o munícipe deve primeiro procurar uma Unidade Básica de Saúde.”

Com relação às causas de cânceres de próstata, estima-se que no Brasil 18% dos casos são devidos à exposição a fatores de risco, como: tabagismo, dieta inadequada, prática insuficiente de atividade física, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, além de infecções como hepatites, papiloma vírus humano e Helicobacter pylori.

“Como estratégia para a captação do homem na atenção primária, fortalecendo a prevenção dos agravos à saúde, em Guarulhos foi instituído o ‘Pré Natal do Homem’. Em todas as UBS, enquanto o parceiro acompanha a gestante no pré-natal, ele pode aproveitar para realizar testes de hepatite B e C, sífilis e HIV, exames de rotina como colesterol e glicemia, atualização da carteira vacinal e aferição da pressão arterial”, informa a Secretaria de Saúde municipal.

Faixa de risco e prevenção

“Pessoas que estejam na faixa de risco, composta por homens acima de 50 anos, com histórico familiar, precisam discutir com seu médico sobre o rastreamento e os exames necessários. Mas, em geral, todos os homens devem fazer acompanhamento anual”, explica André Fay, oncologista do Grupo Oncoclínicas no Rio Grande do Sul.

Um dos principais obstáculos na prevenção e detecção desse tumor, e outros que afetam apenas a população do gênero masculino, é exatamente a falta de informação. Pesquisa realizada em 2017 pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), encomendada pelo Datafolha, indicou que 21% do público masculino acreditam que o exame de toque retal “não é coisa de homem”. Considerando aqueles com mais de 60 anos (grupo de risco), 38% disseram não achar o procedimento relevante. Outro dado do IBGE mostrou que aproximadamente 5,7 milhões de homens de 50 anos ou mais realizaram exame físico ou de toque retal nos 12 meses anteriores à pesquisa, equivalendo a apenas 25% dessa faixa de idade. 

Preconceito contra exame de toque

“É preciso esclarecer à sociedade em geral que o exame de toque retal, essencial para a prevenção e detecção do câncer de próstata em estágios iniciais, não precisa ser um tabu. O teste dura em média sete segundos, é simples, não causa dores ou complicações após sua realização e, acima de tudo, é essencial para uma vida saudável”, explica Bruno Ferrari, presidente do Conselho de Administração do Grupo Oncoclínicas.

A melhor forma de combater esse tipo de preconceito é com a melhoria e a ampliação das informações. “Este é, de longe, o tipo de câncer mais comum entre os homens. O número de mortes também está aumentando e o exame de toque retal, juntamente com a avaliação do PSA, é fundamental para diagnosticar o tumor em estágios iniciais e salvar essas vidas”, complementa André Fay. 

“Sinais como sangue na urina, sensação de bexiga não completamente vazia e dificuldade de urinar são os mais comuns e apontam para a presença de tumores na próstata. Por isso, todos os homens, principalmente os acima de 50 anos, devem conhecer esses sintomas. Também é essencial saber que a qualidade de vida, o que inclui uma dieta saudável, prática de exercícios regulares e manutenção do peso corporal, é uma poderosa arma de prevenção do câncer”, diz o médico Carlos de Andrade, diretor da Oncoclínicas Rio de Janeiro.

*Com informações da Agência Brasil