Instrumentistas de diversas regiões do país participam do processo seletivo para compor a Gru Sinfônica

Processo seletivo escolhe os instrumentistas que vão integrar a Gru Sinfônica - Fotos: Camila Rhodes

O processo seletivo para a escolha dos instrumentistas da Gru Sinfônica, a nova orquestra da cidade, agitou ainda mais o intenso ritmo do Conservatório Municipal de Guarulhos. Até o próximo domingo (1º de dezembro), mais de 300 candidatos, selecionados na 1ª fase do processo seletivo, terão passado por testes presenciais nas dependências do espaço.

As avaliações dessa última etapa são responsáveis pela escolha dos 50 candidatos que vão compor o corpo artístico da Gru Sinfônica e estarão à frente de instrumentos como flauta, oboé, clarinete, fagote, trompa, trompete, trombone, tuba, percussão, violino, viola, violoncelo, contrabaixo e harpa.

O processo seletivo, que teve início no dia 21, contou com a participação de instrumentistas da cidade e de outras regiões, como o paulistano Franklin Martins, de 32 anos. Martins conta que ficou sabendo do processo seletivo por meio de amigos que são instrumentistas da Orquestra Jovem.

Além de bacharel em violoncelo pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Martins é músico nas orquestras Sinfônica de Santo André e Bachiana Filarmônica Sesi. Franklin espera que a Gru Sinfônica possa atender à demanda de músicos profissionais de grande qualidade que, muitas vezes sem alternativas, buscam outros países para dar continuidade ao seu trabalho. “A Gru Sinfônica pode ser um primeiro passo para que novas orquestras surjam, espero que outras cidades possam se inspirar em Guarulhos”.

Projeto Música nas Escolas

A Gru Sinfônica é parte do Projeto Música nas Escolas, que no próximo ano vai atuar nas unidades escolares da rede municipal para promover o ensino, a integração e o convívio dos alunos com o universo da música. Os instrumentistas aprovados no processo seletivo da Gru Sinfônica vão atuar na elaboração de atividades pedagógicas nas escolas participantes do programa com uma frequência de seis horas semanais, aos sábados.

Felipe de Luna, de 29 anos, é aluno do último semestre do curso de bacharel em violoncelo da Faculdade Santa Marcelina e está bastante animado com a atuação dos instrumentistas nas unidades escolares.

“Sou violoncelista da Orquestra Instituto Grupo Pão de Açúcar e por dois anos atuei na formação de crianças e jovens em um grupo de cordas. Além de São Paulo, essa experiência me levou ao Rio de Janeiro, onde também tive a oportunidade de ensinar música, um trabalho fascinante”, vibra o jovem, em busca de seu primeiro título como músico profissional.

Além de se dedicar aos grupos musicais da Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp) Tom Jobim, Giullia Assmann, de 23 anos, é contrabaixista da Orquestra Jovem há dois anos. Com grande controle de sua ansiedade e expectativas, a jovem, que acabara de fazer o teste, falou sobre a importância da Gru Sinfônica em meio a um cenário de real valorização dos instrumentistas. “Muitos amigos que já são profissionais acabam sem ter onde tocar, porque já ultrapassaram o nível das orquestras jovens. A Gru Sinfônica é motivo de grande felicidade porque vai reunir músicos com excelente formação”, explica a contrabaixista, igualmente empolgada com a oportunidade de atuar no ensino de música para as crianças.

A música transforma a vida das pessoas

Durante o processo seletivo, os participantes também entregaram o Plano de Curso, detalhando o planejamento para o ensino de seu instrumento e considerando características e elementos como repertório, método e idade dos alunos.

“A abertura de orquestras como a Gru Sinfônica é tudo o quer o país precisa, a classe artística das orquestras precisa desse fôlego. Há muitos músicos bons sendo formados nas faculdades e escolas de músicas, muitos sem ter para onde ir”, conta a paraense Mayara Alencar, de 30 anos, que também é professora da Emesp e confessa verdadeiro encanto pelo modo como a música pode transformar a vida das pessoas.

Mayara também tem uma formação surpreendente. Bacharel em performance pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e mestranda da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo na cidade do Porto, em Portugal, Mayara conta que faz parte do corpo artístico da orquestra do aclamadíssimo espetáculo O Fantasma da Ópera.

O professor de violoncelo do Conservatório, Fabio Pellegatti, um dos 12 docentes da instituição que compõem a banca de examinadores do processo seletivo da Gru Sinfônica, elogiou o alto nível dos candidatos, segundo ele, músicos experientes e com bom nível técnico e de interpretação musical. Pellegatti explica que, no caso do violoncelo, existem alguns aspectos técnicos que são comuns a todas as chamadas “escolas”que se formaram ao longo do século XVI na Itália até os dias atuais. “Assim, temos as escolas italianas, russas, francesas, mas com alguns pontos que são comuns a todas elas. A habilidade técnica observada nesses pontos foi levada em conta para avaliação dos candidatos”, esclarece.

O professor observa ainda que, para a seleção, foram utilizados dois critérios principais: como músico instrumentista, no qual o candidato executa uma peça de livre escolha, uma peça obrigatória de confronto e trechos de obras orquestrais pré-selecionadas, e como docente, em que é analisado o planejamento de aulas elaborado e apresentado durante o teste.

A Gru Sinfônica é uma iniciativa das secretarias de Educação e Cultura que, aliada à atividade da Orquestra Jovem, faz de Guarulhos referência para a música de concerto no Brasil.

Na próxima semana, os instrumentistas selecionados farão ensaios para a apresentação de lançamento da Gru Sinfônica, que acontecerá no próximo dia 8 de dezembro, aniversário de 459 anos da cidade, no Bosque Maia, às 20h. O evento de lançamento contará com a participação especial do maestro João Carlos Martins e celebra os 16 anos da Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos.

*Com informações da Assessoria de Imprensa da Secretaria de Cultura de Guarulhos