Chegada da Fotografia ao Brasil completa 180 anos

Arco íris na estrada que liga Cuiabá (MT) à Chapada dos Guimarães - Foto: Alexandre de Paulo/Click Guarulhos/jan. 2020

A efeméride que marca a chegada da primeira câmera fotográfica ao Brasil, trazida da França pelo abade Louis Compte e entregue ao Imperador Dom Pedro II, entusiasta das ciências e tecnologias, considerado o 1° fotógrafo brasileiro, ocorreu no dia 8 de janeiro de 1840, data em que é comemorado o Dia Nacional do Fotógrafo, ou da Fotografia. Um ano antes, na Academia de Ciências e Belas Artes de Paris, a invenção de Niépce e Daguerre, o daguerreótipo, espantara o mundo. O instrumento óptico/químico, uma caixa preta batizada com o sobrenome de um dos inventores, tornara perene a ação do homem e da natureza no tempo e no espaço.

Alvorecer visto do Rio Cuiabá – Sesc Pantanal (MT) – Foto: Alexandre de Paulo/Click Guarulhos/jan. de 2020

Desde então, a atividade do fotógrafo passou a registrar expedições, momentos históricos e corriqueiros da atividade humana, ampliando a capacidade de capturar imagens, a partir da habilidade de combinar a intensidade da luz, o ângulo, o enquadramento e a nitidez da imagem. Mais do que uma simples reprodução da realidade, a fotografia ganhou ao longo desses 180 anos no Brasil, complexidade estética e interpretativa, com expoentes dessa arte reconhecidos nacional e internacionalmente por seus trabalhos.

Passeio de barco, de madrugada, pelo Rio Cuiabá – Sesc Pantanal – Foto: Alexandre de Paulo/Click Guarulhos/Jan. 2020

O surgimento da fotografia remonta à virada do século XVIII para o XIX. Nomes como os dos franceses Joseph Nicèphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851), do inglês Henry Talbot (1800-1877) e do franco-brasileiro Hércules Florence (1804-1879) ficaram marcados na história pelo esforço e dedicação aplicados em pesquisas para obter uma reprodução imagética de acontecimentos além do uso da pintura e do desenho. Artefatos fotossensíveis, câmaras escuras, chapas de bronze, vidro e papéis revestidos com cloreto de prata foram pavimentando o desenvolvimento da fotografia.

Guia registra com celular o nascer do Sol no Sesc Pantanal – Foto: Alexandre de Paulo/Click Guarulhos/Jan. 2020

No marco zero, 19 de agosto de 1939 (Dia Mundial da Fotografia), o físico, astrônomo e político francês François Arago (1786-1853), secretário da Academia de Ciências da França, apresentou ao mundo o modelo de câmera desenvolvido por Niépce e Daguerre, batizado daguerrótipo, que fazia a captura de uma imagem única, em placa de cobre, o que não permitia cópias.

Pássaro sobre tronco de árvore às margens do Rio Cuiabá – Sesc Pantanal – Foto: Alexandre de Paulo/Click Guarulhos/Jan. 2020

Posteriormente o físico britânico William Talbot adotou um rolo de papel sensibilizado com sais de prata, possibilitando a reprodução das imagens, o que ficou conhecido como “negativo” e deu origem ao rolo de filme, hoje peça de museu, que antecedeu a fotografia digital.

Turistas fotografam com celular no mirante Morro dos Ventos (MT) – Foto: Alexandre de Paulo/Click Guarulhos/Jan. 2020

Segundo o curador, crítico e professor universitário Tadeu Chiarelli, a chegada da fotografia no Brasil, em 1840, ocupou o espaço de outras formas de registro, como a imagem xilográfica e em placas de metal. “O nascituro desta atividade vai se confundir com o 2º Império, comandado por D. Pedro II”.

Vista do Mirante da Chapada dos Guimarães (MT) – Foto: Alexandre de Paulo/Click Guarulhos/Jan. 2020

A fotografia foi um dos segmentos de produção de conteúdos mais afetados pelas grandes mudanças tecnológicas que marcaram o fim do século XX e as primeiras décadas do século XXI. Grandes companhias internacionais, como a Kodak, criada em 1880 e responsável pela popularização da fotografia. A kodak, pioneira na introdução da foto em cores, em 1935, e da câmera digital, em 1989, foi duramente impactadas pelo surgimento dos dispositivos digitais e da incorporação destes aos smartphones. Em 2012, a companhia pediu concordata.

Cachoeira na Chapada dos Guimarães (MT) – Foto: Alexandre de Paulo/Click Guarulhos/Jan.2020

Gerações mais novas podem inclusive não ter tido contato com câmeras fotográficas analógicas, que demandavam o uso de filme negativo, que após o uso do equipamento necessitava ser revelado para a visualização das imagens em papel fotográfico.

Plataforma de acesso entre o Sesc Pantanal e o Rio Cuiabá (MT) – Foto: Alexandre de Paulo/Click Guarulhos/Jan.2020

Profissão não regulamentada
Apesar de completar 180 anos, o ofício de fotógrafo ainda não é regulamentado no país. Ele é diferenciado da profissão de repórter-fotográfico, comemorado em 2 de setembro, uma das atividades do jornalista, normatizada tanto na legislação geral trabalhista brasileira (a Consolidação das Leis do Trabalho) quanto em decretos específicos.

Uma proposta tramita no Congresso buscando reverter este quadro. O Projeto de Lei da Câmara (PLC) no 64 de 2014, de autoria do deputado Fernando Torres (PSD-BA) foi aprovado na Câmara dos Deputados, passou por comissões no Senado Federal e está pronto para votação em plenário nesta casa legislativa.


Pelo texto, seria definido como fotógrafo aquele que, “com o uso da luz, registra imagens estáticas ou dinâmicas em material fotossensível ou por meios digitais, com a utilização de equipamentos óticos apropriados, seguindo o processo manual, o eletromecânico e o da informática até o final acabamento”.

A matéria prevê que o exercício da atividade possa ser feito por diplomados em cursos superiores e em cursos técnicos de fotografia, além daqueles que na data de entrada em vigor da Lei (caso aprovada) estiverem exercendo o ofício por no mínimo dois anos.


O PLC também elenca modalidades do ofício, como fotografia por empresa especializada, para ensino técnico e científico, para efeitos industriais, comerciais e/ou de pesquisa e para publicidade, divulgação e informação ao público.

Em seu parecer na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, o então senador e hoje prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, afirma que a proposição “dará o devido reconhecimento profissional a este importante segmento profissional e econômico, que merece o apreço de todos pelo excepcional trabalho que desenvolvem, registrando o cotidiano e os momentos mais importantes da família brasileira, e de outros eventos relevantes”.

*Com informações da Agência Brasil