Exclusivo: Parque Cecap volta a ter reservatório de água de 5 mil metros cúbicos

Caixa d'água, com capacidade de 5 mil metros cúbicos, abastece o Parque Cecap e a Vila Barros - Foto: Alexandre de Paulo
 

O Click Guarulhos ouviu, com exclusividade, o gerente de Departamento da Unidade de Negócios Norte da Sabesp, responsável pela operação em Guarulhos, Valdemir Viana de Freitas. Ele é morador em Guarulhos e antigo funcionário da empresa.

Valdemir Viana de Freitas, gerente de Departamento da Unidade de Negócios Norte – Foto: Alexandre de Paulo/CG

Além de ter sido uma entrevista muito esclarecedora, relativamente a diversos aspectos, trouxe uma ótima notícia para os moradores do Parque Cecap, que ficaram um bom tempo sem poder contar com um reservatório e agora, depois de uma fase de testes, voltam a ter à disposição o equipamento da Vila Barros, situado na avenida Guilherme Lino dos Santos, com capacidade para 5 mil metros cúbicos, basicamente um metro cúbico para cada apartamento do Conjunto Habitacional.

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Acabou ou não o rodízio?

Valdemir Viana de Freitas, gerente de Departamento da Unidade de Negócios Norte da Sabesp – Foto: Alexandre de Paulo/Click Guarulhos

Valdemir garante que sim. Quanto às eventuais faltas d’água, devem-se a fatores locais e pontuais, como a ocorrência de algum vazamento que obrigue a interromper o fornecimento para efetuar o conserto, ou quando se trata de manutenção programada, ocasiões nas quais a Superintendência de Comunicação dispara informativos para os órgãos de Imprensa.

“Nosso foco é o cliente. O negócio da Sabesp é fornecer água. A empresa não tem nenhum interesse em suprimir o abastecimento. No final de 2018, havia 1,2 milhão de pessoas sofrendo com rodízio em Guarulhos. Nosso desafio era o de acabar com o rodízio em um ano. Podia parecer impossível, mas havia o firme propósito de atingir essa meta, e se tornou possível graças a poder contar com todo apoio da direção da empresa, o conhecimento técnico de todo o pessoal e o bom entrosamento com a Prefeitura de Guarulhos. É preciso frisar o quanto foram importantes nesse processo o empenho e a experiência dos funcionários do Saae”, salientou. Ele destacou que um fator que pesa para a busca de constante aprimoramento são as sanções aplicadas à Sabesp pela Arsesp, agência reguladora dos serviços de saneamento básico. “Em cada endereço onde chegam nossos serviços, não consideramos ter usuários, mas clientes e fazemos de tudo para que possamos superar as expectativas deles”, afirmou.

O gerente enumerou os passos que foram dados para atingir a meta. Já em janeiro de 2019, 700 mil pessoas passaram a ficar fora do rodízio, com algumas medidas estratégicas de remanejamento que foram tomadas. Em junho, já eram 200 mil pessoas que continuavam com rodízio; em agosto, 100 mil, até que, no aniversário da cidade, 8 de dezembro, foi possível anunciar o fim do rodízio. Foi ampliada a capacidade de fornecimento dos sistemas Tanque Grande e Cabuçu e fundamentalmente o volume de entrada de água no reservatório da Sabesp no bairro do Gopoúva, além de obras para recebimento de água do sistema Alto Tietê, pelo lado Leste, e Cantareira, pelo lado Norte. Durante 2019, o investimento foi de R$ 70 milhões nessas melhorias.


Fim do rodízio não quer dizer água a toda hora

Um ponto que foi destacado é que a população precisa entender que não ter rodízio quer dizer ter água todos os dias, mas não durante todas as horas de cada dia. “Infelizmente, nem todos entendem e isso gera queixas nem sempre justas, nem necessárias. Já caiu sensivelmente o índice de reclamações de guarulhenses contra a Sabesp, mas ainda é bem acima do razoável. Um motivo para que surjam tantos vazamentos simultâneos, exigindo de nós um enorme esforço para dar conta dos reparos no menos tempo possível, é que a rede de Guarulhos é antiga. Como aumentou a pressão da água nos tubos, muitos deles não suportam e estouram. Gradativamente, estamos substituindo-os. Há casos em que não é possível trocar apenas um pedaço; aí tem de interromper o abastecimento para trocar uma barra inteira, às vezes várias barras de tubo. No verso das contas de consumo há o número do telefone para contato, o 195, e o 0800 011 9911, cujas ligações são gratuitas. Cerca de 95% dos casos de queixas ao Procon poderiam ser resolvidos com um mero telefonema para um desses números”, lamentou.

Parque Cecap

O Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado, conhecido popularmente como Parque Cecap, tem 4.680 apartamentos em dez condomínios – além de dois novos núcleos habitacionais construídos com outro projeto arquitetônico, pela CDHU. Os dez antigos condomínios foram planejados sem estrutura para comportar caixas d´água sobre os blocos. Para permitir que os apartamentos nunca ficassem sem água, foi construído um reservatório, com capacidade para 5 mil metros cúbicos (cinco milhões de litros) de água, na parte alta do bairro, já na Vila Barros. Há algum tempo, entretanto, houve suspeita de que a estrutura do reservatório estivesse comprometida. Por isso, sua utilização foi suspensa. Diante das muitas queixas que chegaram à Sabesp, foi encomendado um estudo e concluiu-se no final de 2019 que a estrutura é confiável, motivo pelo qual, após uma série de testes, o fornecimento de água aos condomínios passou a contar novamente com o reservatório.

Caixa d’água que abastece o Parque Cecap e a Vila Barros – Foto: Alexandre de Paulo/CG

O ideal, segundo ele, é que cada condomínio tivesse um reservatório, que fosse capaz de suportar um eventual problema no abastecimento. Na impossibilidade de ser colocado sobre os blocos, poderia ser uma torre vertical, com volume suficiente para algumas horas, no mínimo.

Valdemir conta que muitos moradores associaram a falta d’água que ocorreu em determinados momentos à construção de uma adutora que passa pela avenida Odair Santanelli, o que é totalmente infundado, pois esse caminho foi escolhido por ser o de menor trajeto a ser percorrido, em direção ao bairro das Lavras, mas nada tem a ver com a rede que abastece o Cecap.


Há excesso de cloro na água da Sabesp?

Uma queixa recorrente – principalmente no Parque Cecap – é de que a água aparece muito turva, dando a impressão de que está com excesso de cloro. O gerente garante que isso é falso. “Ocorre que quando se aumenta a pressão, é como se a água tivesse sido batida no liquidificador: há o borbulhamento, ela fica esbranquiçada, o que leva as pessoas a cogitar que seja excesso de cloro. Mas a qualidade da água fornecida pela Sabesp é monitorada continuamente, com coleta por amostragem em diversos locais. A quantidade de cloro obedece a rígidos padrões, inclusive fiscalizados pela agência reguladora. Pode-se observar que após alguns minutos a água que parecia turva torna-se totalmente transparente; se houvesse excesso de cloro isso não aconteceria”, afirmou.

Percentual de tratamento de esgoto

O gerente esclareceu que num primeiro momento a Sabesp havia assumido apenas a gestão do abastecimento de água, porque a Prefeitura tinha contrato de Parceria Público-Privada com um consórcio de empresas e foi preciso esperar o tempo necessário para tomar as medidas jurídicas cabíveis para rompimento do contrato, com a demonstração de que as obrigações assumidas pelo consórcio, de construir coletores-tronco para levar os esgotos até as estações de tratamento não haviam sido cumpridas.

A partir do rompimento com o consórcio, a Sabesp pôde assumir também o gerenciamento do esgoto da cidade, em 8 de dezembro de 2019. Por isso, o investimento previsto para este ano é de R$ 150 milhões. Recursos, portanto, não faltarão, mas há de superar muitos obstáculos de ordem técnica.

Valdemir explicou que o índice de tratamento de esgoto atual é de cerca de 12% e a meta, que considera bastante ambiciosa, é de terminar 2020 com 40% do esgoto tratado. Para tanto, estão sendo elaborados projetos adequados, levando em conta que os cursos naturais por onde haveriam de passar os coletores de esgoto, ao longo de córregos, muitas vezes estão impedidos pelas ocupações habitacionais irregulares. Por isso, projetos anteriores não podem ser aproveitados. Uma das barreiras a superar é o fato de haver águas pluviais ligadas na rede de esgoto, o que provoca vazamentos em momentos de chuvas fortes.

Um fator positivo apontado por ele é que Guarulhos poderá contar com as estações de tratamento de esgotos da Sabesp em São Miguel Paulista e no Parque Novo Mundo, o que evitará a necessidade de construção de mais uma ETE que estava prevista antes da transferência dos serviços do Saae.

Piscinão da Vila Galvão e rede de galerias de águas pluviais

Indagamos do gerente a respeito da ineficiência do piscinão da Vila Galvão, que não melhorou em praticamente nada o problema das enchentes no bairro. Ele respondeu que os sistemas de drenagem e os piscinões não fazem parte das atribuições da Sabesp, mas da Prefeitura.
Disse que situações pontuais que têm ocorrido de interferência de galerias de águas pluviais na rede de esgotos têm sido resolvidas prontamente via diálogo com a Proguaru e a Prefeitura.

Conclusão

Valdemir Viana mostra-se confiante de que seu trabalho e de sua equipe à frente do Departamento já está propiciando sensível melhoria nos serviços de abastecimento da cidade e afirma que todos os esforços para que o êxito obtido no que diz respeito à água se repita quanto ao tratamento de esgoto.

Adiantou que a Sabesp tem consciência de que o investimento na melhoria do abastecimento de água precisa continuar, porque há áreas da cidade que estão em visível adensamento populacional e que isso demandará aumento no volume de água a ser fornecido, e consequente construção de novos reservatórios.

Concluiu dizendo que a meta diária é obter o mais alto nível de satisfação dos clientes da Sabesp e que, além de ser um dever de toda a equipe, é para ele, do ponto de vista pessoal, um fator essencial de satisfação profissional, pois, como morador em Guarulhos, será um orgulho contribuir com sua experiência para a melhoria de algo tão importante na vida das pessoas, que é o saneamento básico.