Obesidade e sobrepeso atingem mais de 50% no País; nutricionista dá dicas

Três em cada 10 crianças de 5 a 9 anos atendidas pelo SUS estão acima do peso - Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
 

De acordo com o Ministério da Saúde, dados de 2019 apontam que três em cada 10 crianças de 5 a 9 anos atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estão acima do peso, o que perfaz um total de 4,4 milhões. Do total de crianças, 16% (2,4 milhões) estão com sobrepeso, 8% (1,2 milhão) com obesidade e 5% (755 mil) com obesidade grave. Abaixo de 5 anos, são 15,9% com excesso de peso. Esses números demostram que a obesidade no Brasil vem crescendo cada vez mais. Levantamentos recentes apontam que mais de 50% da população está com excesso (55,7%) ou seja, na faixa de sobrepeso e obesidade.

A obesidade e o sobrepeso são doenças crônicas não transmissíveis, que podem desencadear quadros de pressão alta (hipertensão), diabetes, infarto, osteoartrose, desbalanço nos níveis de colesterol, triglicerídeos, doenças na vesícula biliar, problemas ortopédicos e até alguns tipos de cânceres.

Nicoli De Martino, nutricionista – Foto: Arquivo Pessoal

Segundo a nutricionista Nicoli De Martino (CRN–53798), “a maioria da população brasileira comete quatro erros que, sem dúvida, favorecem o ganho de peso e aumentam os riscos de desenvolver sobrepeso e obesidade.” A profissional aponta quais são esses erros e dá dicas para que as pessoas possam mudar o estilo de vida.

Sedentarismo
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 47% das pessoas em idade adulta no Brasil não cumpre a recomendação padrão de praticar ao menos duas horas e meia de esforço físico moderado por semana, ou 75 minutos de atividade intensa. Juntamente a isso estão comendo bem mais do que realmente precisam para nutrir o corpo. Com isso estão gerando uma reserva de energia (calorias) muito grande, sem que haja o gasto adequado delas.

Nicoli recomenda reduzir um pouco a quantidade de comida no prato e a frequência de “beliscos” no decorrer do dia.

Sono inadequado
Você já ouviu falar no ciclo circadiano? Esse ciclo é a maneira pela qual o organismo se adapta à duração do período claro (dia) e do período escuro (noite), de forma a sincronizar as funções metabólicas com a duração de um dia (aproximadamente 24 horas). A melatonina, o hormônio que sinaliza o início da noite e sua duração, inicia vários processos em nosso corpo, os quais prepararam o organismo para o repouso.

Por isso, ficar muito tempo mexendo no celular antes de deitar é extremamente prejudicial, pois o excesso de luz artificial durante o período noturno, assim como dormir tarde demais, causam um desbalanço nesse ciclo, gerando alterações no metabolismo e aumentando o peso corporal. A nutricionista indica ficar em um ambiente mais calmo e menos iluminado antes de dormir.

Alimentos industrializados
A indústria de alimentos e bebidas desenvolveram uma série de produtos que ativam nosso cérebro, gerando consumo excessivo na ausência de fome e descontrole alimentar. Os alimentos industrializados (bolachas, biscoitos, macarrão instantâneo, sorvetes, balas, salsichas….) são ricos em açúcar, gordura e sal. A mistura deles trazem uma sensação de prazer e induzem o cérebro a querer consumir cada vez mais.
“Desembrulhe menos e descasque mais. Evite comprar muitos alimentos industrializados, opte por frutas, verduras e alimentos mais naturais”, indica a profissional.

Falta de água
Tomar água pura é fundamental para favorecer as reações do organismo que ajudam, inclusive, a manter a glicemia (açúcar do sangue) sob controle, além de favorecer os processos metabólicos, maior aproveitamento dos nutrientes, e a quebra da gordura estocada no corpo.
“Portanto, beba no mínimo 1,5 litros de água por dia”, recomenda.