“Não tem mais Coluna do Carleto?”

 

Depois do dia 7 de fevereiro, não postei mais a Coluna do Carleto, que costumeiramente vinha publicando às sextas-feiras. Algumas pessoas que encontrei por esses dias me cobraram. Mas, sinceramente, foram muito poucas as reações que chegaram a mim, mesmo via redes sociais.

Explico porque não tenho me sentindo motivado a escrevê-la: com tantos afazeres na Carleto Comunicação, não tenho tido tempo – nem disposição, é verdade – para acompanhar as sessões da Câmara Municipal, nem para frequentar eventos partidários ou para manter contato permanente com os presidentes de partidos.

Assim, os colegas colunistas Pedro Notaro e Roberto Samuel conseguem estar muito mais a par desses meandros do que eu e têm muito mais fontes nos mais diversos setores da política local, para estarem bem informados sobre os bastidores da política local. Seria injusto e descortês ficar replicando notícias que eles tenham divulgado, ainda que desse nova roupagem ao conteúdo.

E essas coisas da política partidária em ano eleitoral mudam tão rapidamente de tom e caminho que não sei até que ponto que nós, jornalistas, não acabamos sendo massa de manobra de experts e espertinhos que sobrevivem de boas jogadas nesse terreno. Já senti mais de uma vez que algo que publiquei por sugestão de algum dos pretensos líderes partidários ou influenciado por informação que deles recebi serviu para que fizessem acordos espúrios ou para seus interesses fossem atendidos.

Observo – com alguma tristeza, confesso – que boa parte dos internautas prefere o tititi e o veneno – ou o sangue – à informação valiosa e de qualidade que sempre procurei transmitir em minha coluna, desde os saudosos tempos do Olho Vivo, nas mais de 400 edições da Revista Weekend e nesses mais de quatro anos do Click Guarulhos.

Não faz sentido, portanto, dedicar-me a levantar informações, fazer análises e checar dados para elaborar a Coluna, se não é isso que o público espera. Além do que atualmente há uma paixão exacerbada por alguns posicionamentos políticos extremos – de direita e de esquerda – e muitas pessoas não conseguem admitir que se expresse opiniões que destoem daquilo que elas pensam. Assim, não se pode elogiar uma atitude do presidente Bolsonaro, que os de esquerda caem de pau. Não se pode criticar, que os de direita se ofendem. Na esfera municipal, a mesma coisa. Se elogio um feito do prefeito Guti, sou puxa-saco. Se critico, é porque estou com saudade do PT. Quando, na verdade, busco apenas ser justo, tanto com um quanto com outro, pois ninguém é perfeito e nem tem só defeitos.

E não seria coerente que eu, com 66 anos de idade e 40 de experiência na profissão, me prestasse a ficar fazendo jornalismo de caça às bruxas ou levantando suspeitas que não possa comprovar, como deseja parte do público.

Tenho preferido ocupar o tempo no acompanhamento de reivindicações que recebemos no Click Guarulhos pelo WhatsApp 98849-7425, encaminhá-las aos órgãos responsáveis e publicá-las, sempre que possível com as respectivas respostas. Fico feliz quando alguma das sugestões que apresento é aproveitada e com as muitas vezes que são tomadas as providências que a população espera, fruto de publicações que fizemos.

Árvore cujos galhos estavam atrapalhando pedestres está sendo podada

Se há algo do qual não abro mão é do papel de prestador de serviços que o portal Click tem como essência e razão de ser. Sempre disse e repito: “Se não tiver utilidade pública, não tem utilidade”. Até notícias policiais precisam ter um caráter educativo, preventivo, um enfoque que seja útil para evitar outros casos.

Agradeço às pessoas que se manifestaram por sentirem falta da Coluna do Carleto. Ela voltará a ser postada quando houver motivo e conteúdo para tal, mas sem data certa. Prometo apenas publicá-la nas edições impressas da Revista Weekend, reproduzindo-a no portal Click Guarulhos e compartilhando o link no Facebook. A próxima está programada para circular por volta do Dia Internacional da Mulher, 8 de março.

Valdir Carleto