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“O Diabo Veste Prada 2” estreia causando polêmica sobre os rumos do jornalismo

A rede Circuito Cinemas, no Shopping Bonsucesso, promoveu uma sessão especial para jornalistas e influenciadores, na estreia do filme “O diabo veste Prada – 2“, na noite de quinta-feira, dia 30/4. Após serem recebidos com um coquetel oferecido por patrocinadores, os convidados lotaram uma das salas do complexo.

Dirigido por David Frankel e com roteiro de Aline Brosh McKenna, o filme (The Devil Wears Prada 2) teve orçamento de 100 milhões de dólares e já faturou mais de 230 milhões no primeiro fim de semana.

A personagem Miranda Priestly volta às telas vinte anos depois de entrar para a história do cinema como uma das vilãs mais icônicas já criada. O primeiro longa, lançado em 2006, foi um fenômeno de público e crítica: venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia ou Musical com Meryl Streep, recebeu indicações ao Oscar de Melhor Atriz e Melhor Figurino, além de nomeações ao BAFTA e ao MTV Movie Awards. Acumulou 21 vitórias, em 53 indicações, deixando um legado cultural que atravessou gerações, influenciando carreiras na comunicação e na moda e jornalismo. Não causará espanto se desta vez repetir todo esse êxito.

Na nova trama, Miranda, a editora-chefe da revista fictícia de moda Runway, enfrenta o desafio de ter sua antiga secretária Emily, interpretada por Emily Charlton, exercendo a função de executiva de alto escalão da marca de luxo Dior, que é um dos principais patrocinadores da publicação. Isso se passa no momento em que o Jornalismo impresso entra em colapso. Enquanto Miranda se vê diante de uma rival que ela mesma ajudou a formar, e que impõe à revista agir sob regras que ela, anunciante, determina, a personagem Andy Sachs, vivida por Anne Hathaway, vem de uma bem-sucedida carreira como jornalista investigativa no jornal New York Vanguard, do qual acaba de ser demitida, junto com toda a equipe, para trabalhar na Runway e, embora recebida com frieza por Miranda, acaba sendo vital para a sobrevivência das duas – e da revista – e para jogar fumaça nos planos, digamos diabólicos, de Emily.

Braço direito de Miranda na Runway, o personagem Nigel Kipling, interpretado por Stanley Tucci, tem função fundamental no desenrolar da trama, bem como na chegada de Andy na equipe. Os artigos muito bem fundamentados e bem escritos por Andy, elogiados por críticos, não repercutiam nas redes sociais. Todos eles tiveram de se reinventar para que a Runway não sucumbisse. Entre outas façanhas, Nigel engendra um show com Madonna, em um evento em Milão – Itália.

Como se virar pelo avesso para aprender a caminhar por esses novos tempos, pisando em ovos?
Como conquistar novos públicos, sem desmerecer tudo que haviam construído por décadas?
Haverá quem queira investir nesses profissionais?

Paralelo inevitável

Os jovens influencers que lotaram a sala do Circuito Cinemas, enquanto os jornalistas presentes não chegavam a meia dúzia, talvez não tenham noção do abismo que se abriu aos pés dos profissionais da Imprensa com o advento da internet.

Posso testemunhar o quanto foi brutal a queda do Jornalismo impresso, principalmente depois da virada do século. Iniciei na Comunicação na adolescência, produzindo jornalzinho de bairro, “O Plazinha”, impresso em mimeógrafo, no bairro do Sapopemba, zona Leste da Capital. Segui por essa trilha na escola estadual Anne Frank, onde cursei os antigos Ginasial e Colegial, no bairro do Brás. Reproduzi o modelo nas agências do Banco do Brasil na Vila Maria e em Guarulhos, e fundei os jornais “Comunicação” e “Olho Vivo“, no Parque Cecap, em Guarulhos, respectivamente em 1979 e 1981. Respirei papel e tinta por 20 anos, até que teve início o Olhão.com.br por volta de 2002, na internet. O Olho Vivo transformou-se no “Diário de Guarulhos“, em 2007, já em sociedade com Alexandre Polesi, que nasceu praticamente junto com o “Diário do Grande ABC“, do qual seu pai, Fausto Polesi, havia sido um dos fundadores. Portanto, também sempre ligado ao impresso. Em 2009, deixei a sociedade e, além de continuar a editar a RG – Revista Guarulhos, lancei, com meu filho Fábio, a única revista semanal de Guarulhos, a Weekend, que teve 423 edições, até que ambas sucumbiram à força da internet, pois tornaram-se inviáveis, devido ao alto custo de sua produção.

Em 2015, inaugurei o Click Guarulhos, valendo-me da experiência de alguns anos à frente do Olhao.com, e buscando exercer sempre a linha editorial de prestação de serviço à população que consagrou o Olho Vivo.

Embora reconhecido até por concorrentes e por desafetos, pela seriedade com que sempre exerci o Jornalismo – imodestamente com J maiúsculo –, sinto na pele a cada dia o quanto as futilidades e sensacionalismos viralizam, enquanto o que preza pela qualidade muitas vezes passa despercebido pelo grande público.

Assim como Andy, Miranda e Nigel souberam surfar nas ondas da tecnologia para levar a Runway a ter sobrevida na internet, vou buscando aprender as novas técnicas, tateando caminhos desconhecidos e me cercando de assessorias competentes para navegar nesses novos mares, jamais abrindo mão da independência editorial e nunca fazendo uso das armas fáceis das imagens de sangue e de violência, que são, sem dúvidas, eficazes para conquistar cliques, mas não têm a mínima utilidade pública.

Como diria o poeta português José Régio, em “Cântico Negro”, “Não, não vou por aí! Só vou por onde
me levam meus próprios passos… Se ao que busco saber nenhum de vós responde, por que me repetis: ‘Vem por aqui!’? Prefiro escorregar nos becos lamacentos, redemoinhar aos ventos,
como farrapos, arrastar os pés sangrentos, a ir por aí…”.

Já assistiu “O Diabo veste Prada – 2”?

Se ainda não assistiu, recomendo. Além de muito bem produzido, engraçado em muitos momentos, e tendo excelente desempenho de todos os atores, é um filme que reproduz com fidelidade a saga da mídia nos novos tempos. E faz pensar: “Qual mundo você quer deixar para seus filhos? O que seja útil aos seres humanos, efetivamente? Ou o mundo dos cliques, esse mundo virtual onde todos se julgam influenciadores e ninguém admite estar sendo influenciado?”

Valdir Carleto
jornalista – MTb 16674

A estreia de “O diabo veste Prada 2” no Circuito Cinemas, no Shopping Bonsucesso, teve patrocínio de Ragazzo, Maria Pitanga, Pontal, Cacau Show, Happy Day Cabine Fotográfica, Buffet do Sala e Jet Azul, com assessoria de Imprensa da equipe de Weber Shandwick.

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