domingo, 23 janeiro 2022
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Os caminhos da arte na vida de Simone

 

Simone Carleto, nascida em São Paulo, em 1973, é mãe de dois filhos, Gabrielle e Lucas, e é educadora na Prefeitura de Guarulhos, atuando como diretora de escola.

Quando perguntada a respeito de quais acontecimentos marcaram sua vida de modo decisivo, Simone é incisiva. “Fui mãe adolescente, e certa vez, ouvindo um comentário de Gilberto Dimenstein relativo ao tema gravidez na adolescência, me conscientizei de que a gravidez precoce tratava-se de uma tentativa inconsciente de criar vínculos. Essa justificativa para o grande número de jovens grávidas apesar de terem informações sobre contracepção fez muito sentido para mim. A partir daí, assumi com mais convicção meu papel materno, pois, apesar de muito jovem, sempre fiz o máximo para ser exemplar.”

Sobre sua carreira, Simone fala com orgulho da trajetória que construiu. Para ela, o mesmo empenho que dedicou à maternidade é necessário em tudo que se propõe a fazer. Assim, a artista-pedagoga comenta que buscou constituir uma carreira que pudesse conciliar a responsabilidade familiar com a atuação profissional. “Quando tive meus filhos, eu me tornei dona de casa. Fazia ovos de Páscoa, panetones, para vender na vizinhança e para conhecidos. Eu me interessava muito por saber como as crianças se desenvolviam. Ficava com meus filhos e outras crianças no parque, promovendo brincadeiras e outras atividades. Muitos frequentavam minha casa. Foi quando percebi minha aptidão para a educação.”

Simone conta que cursou o Ensino Médio – que havia concluído em 1990, já grávida de sua filha Gabrielle –, novamente, porém dessa vez formando-se no extinto curso de Magistério. “Era um curso maravilhoso, mais aprofundado que muitos cursos de Pedagogia da atualidade. Aprendi muito mais no Magistério do que no Ensino Médio anterior. A educadora que me tornei teve base fundamental no Magistério e também no Colégio Clip, a primeira instituição educacional na qual atuei profissionalmente, onde aprendi tudo o que apliquei do ponto de vista conceitual nos vinte anos subsequentes.”

Ao questionamento de quando se tornou artista, responde com grande entusiasmo. “Sempre atuei artisticamente de modo amador, embora minha base de sobrevivência tenha vindo sistematicamente da educação, mesmo quando me profissionalizei em teatro”.

Hoje intitulando-se artista-pedagoga, Simone Carleto relata que, no final do terceiro e penúltimo ano do Magistério, foi selecionada com mais de uma dezena de alunos da Escola Estadual Francisco Antunes Filho, para receber manuais com fichas de inscrição gratuitas para que estudantes de escolas públicas se inscrevessem no exame vestibular da Unesp. “Havia o Programa de Formação de Professores, que incentivava o ingresso em cursos de licenciatura. Vi que a maior parte dos campi da Unesp eram no interior, mas verifiquei que em São Paulo havia a licenciatura em Artes com habilitação em Teatro, hoje a Licenciatura em Teatro. Eu atuava desde a década de 1980 de modo amador, tendo iniciado em um grupo de jovens no Clube de Mães do Parque Cecap, provavelmente a única e pioneira escola comunitária em Guarulhos, onde minha mãe atuava como importante liderança. Havia um grupo de teatro de jovens, coordenado por Luiza Cordeiro, que me iniciou no teatro. Lá também eu cursei balé durante vários anos. Do mesmo modo, recebi muita influência da atuação de meu pai, que também foi fundador do Conselho Comunitário, que originou o Clube do Cecap. Ele desenvolvia campanhas culturais, esportivas e de meio ambiente, quando pouco se falava a respeito. Então eu desenvolvi um senso muito forte de atuação em comunidade.”

Depois de concluir a graduação em Artes Cênicas, Simone fez o Mestrado e Doutorado na mesma área, também na Unesp e ainda se formou em Pedagogia. Ela declara que se tornou atriz, professora e diretora de teatro, artista-pedagoga, que pesquisa modos de efetivar processos e procedimentos inovadores em educação, tendo como base o exercício de criatividade e o pressuposto de que todas as pessoas são capazes e têm habilidades distintas a serem desenvolvidas. Para ela, a noção de inclusão deve ser ampliada, de acordo com o que ela aprendeu com o educador José Pacheco, criador da Escola da Ponte, de Portugal. “Ele traz um conceito segundo o qual todas as pessoas são diferentes e precisam ser incluídas. Uma educação integral ensina a todas as pessoas a importância do respeito entre todas elas, a cooperação, ajuda mútua, na qual todas aprendem com todas”.

“Acredito e me esforço para tornar mais próximas as teorias nas quais me inspiro em ações práticas no cotidiano. Este é o maior desafio, pois o dia a dia escolar, por exemplo, é repleto de contradições e oportunidades de crescimento. Nesses mais de vinte anos de atuação, muito pouco consegui contribuir para inovações efetivas, apesar de ter, juntamente com outras pessoas, criado e coordenado a Escola Viva de Artes Cênicas de Guarulhos, uma proposição das mais relevantes e que teve reconhecimento na cidade”.

Quanto aos planos para o futuro, Simone anuncia que pretende publicar em breve pelo menos duas de suas pesquisas acadêmicas. “Tenho vários trabalhos que considero importante socializar na versão impressa, como livro”, adianta.

Porém, mais do que planos, já encara outros desafios. “Estou cursando pós-doutoramento, com Alexandre Mate, imprescindível mestre nas Artes Cênicas. Além de ministrar, como assistente do professor, uma matéria no Programa de Pós-Graduação da Unesp no ano de 2020, vou dirigir no primeiro semestre o espetáculo do terceiro módulo do curso profissionalizante em Teatro do Centro de Artes Cênicas Walmor Chagas, em São José dos Campos. Será uma grande oportunidade atuar ao lado de Claudio Mendel (que já foi diretor e secretário-adjunto de Cultura em Guarulhos) e Andreia Barros, artistas experientes e respeitados na nossa área teatral. Além disso, preparo publicações de meus trabalhos. São formas de materializar a capacidade feminina e, quem sabe, de inspirar outras pessoas a persistir sempre, com afinco e amor”, conclui.

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