Felinos são mais sensíveis a doenças renais do que os cães

 
No Dia Mundial do Rim, promovido internacionalmente na segunda quinta-feira de março (neste ano 12/03), falar da saúde dos gatos é primordial. Isso porque, neste aspecto, os felinos são mais sensíveis do que cães, o que requer ainda mais cuidados preventivos com os bichanos.

A explicação está na quantidade que os gatos possuem de nefrons, que são unidades funcionais dos rins. São eles que fazem com que os órgãos cumpram a função de filtrar o sangue. Para se ter uma ideia, os humanos têm mais de um milhão de nefrons. Os cães, aproximadamente 450 mil. Já os gatos possuem apenas 250 mil nefrons. “Isso significa que, em qualquer quadro de saúde que possa causar lesões nos rins dos gatos, o dano é muito maior”, afirma a médica-veterinária Karine Kleine, vice-presidente do Colégio Brasileiro de Nefrologia e Urologia Veterinárias (CBNUV) e membro da American Society of Veterinary Nefrology and Urology.

De acordo com o médico-veterinário Eduardo Pacheco, membro da Comissão Técnica de Clínicos de Pequenos Animais (CTCPA) do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), o fato de os gatos, por hábito, beberem menos água do que os cães também influencia para a maior propensão ao surgimento de cálculos urinários e da Doença Renal Crônica (DRC). “A doença também pode ser provocada pelo envelhecimento e, ainda, por uso de medicamentos utilizados para outras doenças que o animal possa apresentar”, comenta Pacheco.

Outra característica dos felinos que influencia, conforme argumenta Karine, é a capacidade que os gatos têm de concentrar urina, o que está relacionado aos seus ancestrais, que vieram do deserto. “Essa concentração de urina, somada à baixa ingestão de água, propicia a formação de cálculos urinários e, consequentemente, pode levar à insuficiência renal.”

Doença renal é silenciosa

O médico-veterinário Eduardo Pacheco comenta que, em casos de estágios mais iniciais da DRC, não costumam ser perceptíveis sinais do problema, o que acaba impedindo que o diagnóstico e o tratamento sejam feitos precocemente. “A doença é reconhecida como silenciosa. Quando avança, os sinais são urinar em excesso e ingerir muita água”, aponta Pacheco. Dificuldade para urinar – que pode ser observada quando o animal se posiciona para liberar a urina, mas não consegue liberar o jato –, também pode ser um indicativo.

Check-up é crucial para o diagnóstico precoce

Por todos esses fatores apresentados pelos gatos, é de fundamental importância levar os animais para consultas e exames de rotina, principalmente os idosos, que já começam a ficar com a saúde mais debilitada. Pacheco cita que fazem parte desse check-up o hemograma e funções hepática e renal. “Para o diagnóstico precoce, devem ser feitos também exames de urina, ultrassonografia abdominal e pressão arterial, essenciais para identificar a doença na fase inicial”, diz o médico-veterinário, que ainda aponta para alguns marcadores da taxa de filtração glomerular como recurso adicional na detecção da doença renal.


Saiba como proteger seu gato dos problemas renais
Os médicos-veterinários Karina Kleine e Eduardo Pacheco comentam que o manejo do animal pelos tutores influencia de forma determinante para o surgimento de quadros de insuficiência renal.

Confira as dicas dos profissionais:
1 – Disponibilize água à vontade
Mantenha mais de uma vasilha pela casa e troque a água pelo menos duas vezes ao dia. A disponibilidade de água fresca estimula o animal a bebê-la.

2 – Não ofereça ração de baixa qualidade
As rações são suplementadas com vitaminas, minerais e aminoácidos. A deficiência destes nutrientes pode causar problemas que futuramente sobrecarregam os rins.

3 – Mantenha uma caixa de areia para cada felino
Isso impede que um gato deixe de urinar por questões comportamentais relacionadas à presença de outro bichano.

4 – Leve o pet para check-up semestral
Muitas doenças renais são secundárias; outras, patológicas. O diagnóstico precoce por meio de exames sempre será a melhor forma de prevenção ao avanço do quadro e comprometimento da saúde em decorrência da doença renal.

5 – Não baixe a guarda com os cuidados básicos
É preciso manter a vacinação anual em dia, assim como a prevenção contra parasitas como pulgas, carrapatos e vermes.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo – CRMVSP