Estudo prevê mínimo de 44 mil mortes por covid-19 no Brasil; se restrições forem mínimas, podem passar de 1 milhão

Segundo a OMS, o novo coronavírus já se alastra em todos os continentes – Foto: OMS
 

Uma estatística do Imperial College London, do Reino Unido, para os cenários da covid-19 no Brasil, foi divulgado no dia 26 e avalia quantos casos são previstos e quantas mortes se cogita que haverá no País, dependendo do grau de isolamento que seja praticado nas diversas regiões, em cada estado, em cada cidade.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, respondendo a pergunta de jornalistas sobre a validade desse estudo, disse que além desse há muitos outros feitos com seriedade, porém, é preciso levar em conta características locais que podem não terem sido levadas em conta nessas previsões

Antecedentes do estudo

No começo da pandemia o governo do Reino Unido havia decidido apostar em uma estratégia de “imunidade de massa”, que consistia em não tomar medidas restritivas; em vez de parar o país, deixariam que o vírus infectasse a população de modo que rapidamente as pessoas pudessem ficar imunizadas.

Porém, o governo do Reino Unido desistiu dessa ideia quando uma equipe de especialistas epidemiológicos do Imperial College of London apresentou uma previsão de como se desenrolaria a disseminação da covid-19 em diferentes cenários de contenção para o Reino Unido e para os Estados Unidos. Para elaborar essa previsão, utilizaram dados de contágio, estatísticas de hospitalização e óbitos vistos em outros países e estudaram como o vírus se dissemina em diferentes ambientes etc.

Como um breve resumo: se circular livremente, o vírus tem a capacidade de infectar cerca de 80% da população geral em um período muito curto. Das pessoas infectadas, cerca de 20% precisam de hospitalização, 5% dos casos são críticos e precisam de UTI e suporte respiratório, e cerca de metade dos casos críticos vêm a óbito.

No entanto, o súbito aumento de casos ultrapassa a capacidade do sistema de saúde, gerando colapso, e disso resulta um número muito maior de mortes — de covid-19, assim como de outras causas — simplesmente porque não há hospital para tratar todas as pessoas que precisam ao mesmo tempo.

Segundo a previsão, se não houver restrições nos contatos, no mundo inteiro seriam 7 bilhões de pessoas infectadas com covid-19 e 40 milhões de mortes neste ano. Os números previstos por esses estudos fizeram com que governos desistissem das posturas mais relaxadas e tomassem as medidas mais restritivas para evitar o colapso do sistema de saúde e um número muito maior de mortes.

Cálculos dependendo do grau de isolamento

O Imperial College of London divulgou números previstos para os desfechos da pandemia em todos os países, nos cenários sem intervenção, com mitigação, e com supressão. Explicando o que quer dizer cada um desses termos:

Mitigação envolve proteger os idosos (reduzir 60% dos contatos) e restringir apenas 40% dos contatos do restante da população.

Supressão envolve testar e isolar os casos positivos, e estabelecer distanciamento social para toda a população.

Supressão precoce – implementada em uma fase em que há 0,2 mortes por 100 mil habitantes por semana e mantida. É o que foi feito em Guarulhos: as restrições ao funcionamento do comércio foram feitas quando ainda não havia ocorrido nenhuma morte na cidade.

Supressão tardia – implementada quando há 1,6 morte por 100 mil habitantes por semana e mantida.

No Brasil os cenários previstos são os seguintes:

Cenário 1- Sem medidas de mitigação:

  • População total: 212.559.409
  • População infectada: 187.799.806
  • Mortes: 1.152.283
  • Indivíduos necessitando hospitalização: 6.206.514
  • Indivíduos necessitando UTI: 1.527.536

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Cenário 2 – Com distanciamento social de toda a população:

  • População infectada: 122.025.818
  • Mortes: 627.047
  • Indivíduos necessitando hospitalização: 3.496.359
  • Indivíduos necessitando UTI: 831.381

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Cenário 3 – Com distanciamento social e reforço do distanciamento dos idosos:

  • População infectada: 120.836.850
  • Mortes: 529.779
  • Indivíduos necessitando hospitalização: 3.222.096
  • Indivíduos necessitando UTI: 702.497

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Cenário 4 – Com supressão tardia

  • População infectada: 49.599.016
  • Mortes: 206.087
  • Indivíduos necessitando hospitalização: 1.182.457
  • Indivíduos necessitando UTI: 460.361
  • Demanda por hospitalização no pico da pandemia: 460.361
  • Demanda por leitos de UTI no pico da pandemia: 97.044

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Cenário 5 – Com supressão precoce

  • População infectada: 11.457.197
  • Mortes: 44.212
  • Indivíduos necessitando hospitalização: 250.182
  • Indivíduos necessitando UTI: 57.423
  • Demanda por hospitalização no pico da pandemia: 72.398
  • Demanda por leitos de UTI no pico da pandemia: 15.432

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Observações:

Os próprios autores do estudo comentam que modelaram essas curvas com base nos padrões de dispersão dos países ricos e que nos países pobres os resultados da pandemia podem ser piores do que o previsto. Esses números previstos não levam em conta a existência de favelas, comunidades sem abastecimento de água e/ou saneamento, entre outros complicadores que temos no Brasil.

É preciso comentar que os números reais da pandemia no Brasil, seus casos e óbitos, poderão estar amplamente subnotificados devido à falta de testes e demora nos resultados.

Mesmo nos melhores cenários, reduzindo a rapidez da transmissão e aumentando os recursos do sistema de saúde, é provável que faltem leitos de UTI e respiradores para parte dos doentes.

Em resumo, a diferença entre ficarmos todos em casa (supressão) ou adotar uma estratégia mais branda de mitigação e proteção apenas dos grupos de risco pode ser da ordem de MEIO MILHÃO de vidas.


Links para quem quiser se aprofundar nos dados desse estudo:

Os diversos relatórios estão disponíveis no site do Imperial College of London:

Link para o trabalho “The Global Impact of COVID-19 and Strategies for Mitigation and Suppression”:
https://www.imperial.ac.uk/media/imperial-college/medicine/sph/ide/gida-fellowships/Imperial-College-COVID19-Global-Impact-26-03-2020.pdf

https://www.imperial.ac.uk/media/imperial-college/medicine/sph/ide/gida-fellowships/Imperial-College-COVID19-Global-Impact-26-03-2020.pdf

As tabelas com os números oferecidos constam no apêndice:
https://www.imperial.ac.uk/media/imperial-college/medicine/sph/ide/gida-fellowships/Imperial-College-COVID19-Global-unmitigated-mitigated-suppression-scenarios.xlsx