Ministro Mandetta alerta para teste falso-negativo de coronavírus

 

Na transmissão ao vivo desta tarde de sábado, o ministro Luiz Henrique Mandetta alertou que é perigoso confiar em testes primários de infecção pelo novo coronavírus, pois o resultado é rápido, mas pode dar negativo para pessoas que estejam com vírus há poucos dias.

Segundo ele, não se deve correr para fazer o teste ao menor sintoma, porque a pessoa pode achar que está livre para circular entre outras e, sem saber, estará espalhando o vírus. Portanto, é importante só ir fazer o teste quem alguns dos sintomas previstos para a doença: coriza, febre, tosse seca e, principalmente, dificuldade para respirar, que é o sintoma que mais se diferencia da gripe comum.

Mandetta também afirmou que não se deve achar que a cloroquina é panaceia, a cura para a covid-19. Explicou que não dá para aplicar sem critério em pacientes infectados pelo vírus, porque pode provocar arritmia e problemas na função hepática. “Se aplicarmos cloroquina indiscriminadamente, provocaremos mais mortes do que salvaremos vidas”, analisou.

Informou que cada prefeito terá de informar ao Ministério quantos leitos de UTI em sua cidade, tanto de hospitais públicos quanto privados. Avisou que quem passar dados incorretos ou falsos será responsabilizado civil e criminalmente, pois é necessário poder confiar nos dados que forem enviados, para fazer o planejamento nacional.

Condenou os discursos alarmantes, os muitos palpites que chegam de todos os lados, de pseudoespecialistas. Explicou que inventos que estão circulando nas redes sociais como milagrosos para substituir os respiradores não podem ser utilizados pelas autoridades da Saúde, porque não foram testados: “Estamos lidando com vidas, não podemos arriscar, sem que a eficácia seja comprovada”.
Ao mesmo tempo, recomendou que as famílias conversem mais entre si, procurem informações confiáveis, tomando todas as precauções, protegendo os idosos”.

Deu razão ao presidente Bolsonaro quanto à preocupação com a economia, mas disse acreditar que haja possibilidade de um meio termo, que cuide da saúde das pessoas e, perto do dia 6 ou 7 de abril, dependendo de como a situação estiver, se possa ir afrouxando as medidas de quarentena. Condenou a realização de eventos, solenidades, todas as situações que reúnam muitas pessoas, que tenham serviço de bufê, com gente servindo salgadinhos e bebidas. Explicou didaticamente por que não se deve liberar as crianças e jovens para voltar às escolas: “Eles são assintomáticos; voltarão para casa sem aparentar que têm o vírus e irão transmiti-los aos pais e avós”. Admitiu que, embora se procure uniformidade nos procedimentos, pode ser que algumas cidades terão de implantar o chamado “lockdown”, que é a máxima paralisação das atividades.