Analisando diferenças entre a letra original e a versão de “Lontano dagli occhi”

 

LONTANO DAGLI OCCHI – De Sergio Endrigo e Bardotti

Uma análise da letra original, comparando com a versão gravada por Moacyr Franco no Brasll, de autoria de Nazareno de Britto

Muitos de meus amigos sabem que sou um estudioso das letras de músicas.

No fim da década de 1960, auge da música italiana, Sergio Endrigo gravou “Lontano Dagli Occhi”. Pouco depois, Moacyr Franco gravou a versão para o português “Distante dos Olhos”

Ouvindo uma e outra, a mim parecia que era a tradução exata do original.

Anos depois, entretanto, o radialista Hélio Ribeiro, de quem sempre fui admirador, apresentou a versão livre para o português e notei que era diferente da letra gravada por Moacyr Franco. A alteração está no trecho final.

Com a internet, pude acessar os conteúdos de uma e da outra. E quando estudei italiano no Centro Britânico, em Guarulhos, entendi melhor o significado da letra original e porque o som das palavras me iludiu quando eu comparava a letra gravada por Moacyr Franco.

Para quem tiver interesse de comparar, reproduzo aqui a letra original, a tradução ao pé da letra e a versão de Nazareno de Britto. No final de cada uma delas, está o respectivo link para o YouTube.

Com todo respeito à poesia original, para mim faz mais sentido a versão gravada por Moacyr, que não reproduz o significado que os autores buscaram transmitir, mas talvez tenha mais a ver com o que acontece com a maioria das pessoas.

Compare, reflita e opine.

Ah! Cabe explicar por que essa música me veio à cabeça nestes dias: No começo, em ambas as versões, é dito que as noites estão estranhas, porque as crianças não estão brincando na rua. Moro em um condomínio onde é comum elas correrem e brincarem muito. Na quarentena, está tudo silencioso e já até sinto falta do burburinho delas.

ORIGINAL EM ITALIANO

Lontano dagli occhi

(Sergio Endrigo e Bardotti)

Che cos’è?
C’è nell’aria qualcosa di freddo
Che inverno non è
Che cos’è?
Questa sera i bambini per strada
Non giocano più
Non so perché
L’allegria degli amici di sempre
Non mi diverte più
Uno mi ha detto che
Lontano dagli occhi
Lontano dal cuore
E tu sei lontana
Lontana da me
Per uno che torna
E ti porta una rosa
Mille si sono scordati di te
Lontano dagli occhi
Lontano dal cuore
E tu sei lontana
Lontana da me

Ora so
Che cos’è questo amaro sapore
Che resta di te
Quando tu
Sei lontana e non so dove sei
Cosa fai, dove vai
E so perché
Non so più immaginare il sorriso
Che c’è negli occhi tuoi
Quando non sei
Con me
Lontano dagli occhi
Lontano dal cuore
E tu sei lontana
Lontana da me
Per uno che torna
E ti porta una rosa
Mille si sono scordati di te

YouTube

TRADUÇÃO DO ORIGINAL, POR HÉLIO RIBEIRO

Lontano dagli occhi

De Sergio Endrigo e Bardotti, versão livre para o português do radialista Hélio Ribeiro

O que é isso?
Há algo frio no ar
Que inverno não é
O que é isso?
Hoje à noite as crianças na rua
Não brincam mais
Não sei porque
A alegria de velhos amigos
Não me diverte mais
Alguém me disse que
Longe dos olhos
Longe do coração
E você está longe
Longe de mim
Para alguém que volta
E ele te traz uma rosa
Milhares se esqueceram de você

Longe dos olhos
Longe do coração
E você está longe
Longe de mim

Agora eu sei
O que é esse gosto amargo
O que resta de você
Quando você está longe e eu não sei onde você está
O que você está fazendo, para onde você está indo
E eu sei porque
Não consigo mais imaginar um sorriso
O que está em seus olhos
Quando você não está comigo
Longe dos olhos
Longe do coração
E você está longe
Longe de mim
Para um que volta
E te traz uma rosa
Milhares se esqueceram de você

Youtube:

VERSÃO GRAVADA POR MOACYR FRANCO

Distante dos olhos

Versão de Nazareno de Britto para a letra original de Sergio Endrigo e Bardotti, gravada no Brasil por Moacyr Franco

Por que é?
Que esta lágrima corre tão fria
E o inverno já foi?
Por que é?
Que esta noite os meninos da rua
Nao vejo brincar.
Nao sei por que a alegria dos amigos de sempre
Nao me diverte mais, e um me disse assim:
Distante dos olhos, aos poucos esqueces
O amor que não dorme no teu coração.
Mas a quem eu mande levar-te uma rosa
Pergunta se estou me esquecendo de ti.
Tão longe dos olhos, tão perto de mim
Não há um caminho que não leve a ti.
E já sei porque sempre esse amargo soluço eu tento esconder
Quando penso que talvez alguém passe, te abrace… te fale de amor.
Também porque não consigo lembrar o sorriso que existe em teu olhar
Quando não estás aqui.
Distante dos olhos, aos poucos esqueces
O amor que não dorme no teu coração.
Mas a quem eu mande levar-te uma rosa
Pergunta se estou me esquecendo de ti.
Tão longe dos olhos, tão perto de mim
Não há um caminho que não leve a ti.
Mas a quem eu mande levar-te uma rosa
Pergunta se estou me esquecendo de ti.
Tão longe dos olhos, tão perto de mim
Por todo caminho eu vou te encontrar.

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