Em entrevista coletiva, transmitida ao vivo, o ex-juiz federal Sérgio Moro fez um balanço positiva das atividades do Ministério da Justiça e Segurança Pública, enumerando atos contra o crime organizado, queda da criminalidade, incluindo menos dez mil homicídios e outros delitos.
Comentou sobre o convite que recebeu do então presidente eleito, Jair Bolsonaro, tendo lhe sido garantida carta branca para montar sua equipe. E por isso aceitou, na esperança que pudesse desempenhar bem a função, contribuindo para o combate à corrupção.
Contou que, no segundo semestre de 2019, houve interesse do presidente de substituir o comando da Polícia Federal, sendo que o único nome que ele próprio havia indicado era o do diretor-geral. Afirmou que nenhum dos superintendentes estaduais teve sua influência na nomeação. “Eu disse que não teria nenhum problema em substituí-lo, desde que me fosse citada uma causa objetiva, pois eu entendo que estava sendo feito um bom trabalho”, informa.
Explicou que a decisão agora de Bolsonaro de substituir o diretor-geral, além de descumprir um compromisso que assumiu com ele, pode ser um grande equívoco, uma interferência política e destruir todo um trabalho que vinha sendo desenvolvido.
Contou que, ontem, dialogando com o presidente, discordou que houvesse troca sem uma causa efetiva. Mas que, para evitar um desgaste no governo neste momento, concordaria com a substituição, desde que pudesse apontar um nome que desse continuidade ao trabalho. Porém, percebeu que isso não seria aceito pelo presidente.
Moro afirmou que Bolsonaro lhe disse que queria trocar o diretor e superintendentes, para poder ligar quando quiser, pedir relatórios, saber das investigações. Moro diz entender inviável que seja assim, porque citou exemplo que como seria se na época do presidente Lula ou de Dilma Roussef, se eles pudessem ligar para a Superintendência do Paraná para se inteirar de investigações da Lava-Jato.
Quanto à exoneração do diretor-geral Maurício Valeixo, publicada no Diário Oficial da União, afirmou que não assinou a portaria e que o diretor também não assinou pedido de exoneração. Que a forma como Bolsonaro agiu nesse episódio mostra que ele prefere vê-lo fora do cargo e que, portanto, não pode aceitar essa substituição, independentemente de quem vier a ser nomeado no lugar. “O trabalho estava sendo bem realizado, a interferência política pode ser totalmente negativa, a autonomia da Polícia Federal é fundamental. Então, não tenho condições de permanecer do cargo. Vou encaminhar em seguida meu pedido de exoneração e e espero que quem for nomeado para comandar a Polícia Federal não permita interferência política na nomeação de superintendentes”.
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Moro confirma saída do governo, por discordar de interferência política na PF
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