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Novo rodízio pode gerar mais problemas do que soluções

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A decisão do prefeito da Capital, Bruno Covas (PSDB), de ampliar o rodízio na cidade para todos os dias da semana, em todos os horários, e em todos os bairros, pode ter a melhor das intenções, mas tende a gerar mais problemas do que soluções.

Os argumentos colocados nos comentários nas redes sociais não podem ser atribuídos apenas a pessoas insensíveis, que não estão preocupadas em salvar vidas. Ao contrário, nota-se que muitas delas estão exatamente empenhadas em alertar que, ao limitar a circulação de carros, o prefeito pode estar, sem querer, promovendo maior aglomeração de pessoas, pois, ao serem obrigadas a usar o transporte coletivo, trabalhadores estarão se expondo muito mais do que se pudessem usar o transporte individual. O aumento de mil ônibus decidido por Covas tende a não ser suficiente.

O decreto, publicado nesta sexta-feira, mostra preocupação com quem atua na linha de frente de combate à pandemia, mas há inúmeros outros trabalhadores, de diversos ramos de atividade, que precisam se locomover e terão dificuldades para demonstrar isso e evitar multas. Por exemplo, quem trabalha na Ceagesp, ramo essencial para o abastecimento. O cadastro dessas pessoas terá de ser feito por seus empregadores, mas muitos deles são microempreendedores ou autônomos. E quem trabalha nos supermercados? E nos postos de combustíveis? E nos condomínios? E nas indústrias?

Outro aspecto que precisa ser considerado: o das pessoas que residem em cidades vizinhas e precisam se dirigir ao médico ou ao hospital em São Paulo. É o caso de quem mora em Guarulhos e pode ter necessidade de ir ao Jaçanã, à Penha, a São Miguel Paulista… Por exemplo, ao Hospital Nipo-Brasileiro, que fica no Parque Novo Mundo, e ao qual muitos guarulhenses recorrem porque faz parte da rede de seus planos de saúde. Esses cidadãos não poderão escolher dia par ou ímpar para serem atendidos. Os agentes de trânsito terão como agir com bom senso, abordando o motorista para saber de sua necessidade para estar trafegando?

Enfim, quantas pessoas que estão trafegando de carro por São Paulo podem, de verdade, deixar de transitar pela cidade? Se os shoppings estão fechados, lojas, restaurantes, bares, clubes e danceterias também, onde as pessoas estão indo se divertir, passear? O rodízio drástico pode ter por finalidade coibir abusos, que certamente é praticado por uma minoria, mas por outro lado pode punir indevidamente a maioria.

Sabe-se que a atitude de Bruno Covas foi motivada pelo fato de a taxa de isolamento ter caído muito abaixo do tolerável e porque a ocupação dos leitos hospitalares está perto da saturação. Dá para imaginar que seja uma tentativa de mostrar à população que é a situação é realmente grave. Mas, a exemplo de muitas opiniões que li, temo que o aumento no número de passageiros nos ônibus, no metrô e nos trens pode causar muito mais contaminação pelo vírus do que se essas mesmas pessoas continuassem transitando com seus carros.

Devem ter sido indagações como essas que levaram o Ministério Público a pedir esclarecimentos à Prefeitura de São Paulo sobre o rodízio.

 

Valdir Carleto

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