Poucos testes podem ser a razão de tantas mortes por covid-19 no Brasil

Um profissional de saúde realiza um teste finalizado em um local de testes de coronavírus fora dos Serviços Comunitários de Saúde Internacionais no Distrito Internacional de Chinatown durante o surto de doença por coronavírus (COVID-19) em Seattle, Washington, EUA, em 26 de março de 2020. REUTERS / Lindsey Wasson
 

Estando em sexto lugar no número de mortes por covid-19 em todo o mundo e prestes a ficar no segundo lugar em número de casos confirmados, o Brasil é um dos grandes países que menos testes de contaminação aplicaram na população.

Enquanto há países que já aplicaram 13 milhões de testes, o Brasil só aplicou 735 mil. Na proporção da população é vergonhosa a posição do nosso país. Todos os outros países que tiveram mais de 20 mil mortes já testaram pelo menos 20 mil pessoas a cada milhão de habitantes. Espanha aplicou 65 mil testes a cada milhão; Espanha, 53 mil; Reino Unido, 45 mil; Estados Unidos, 40 mil; França, 21 mil. Enquanto isso, o Brasil aplicou apenas 3.462 testes por milhão de habitantes.

Sabe-se que o governo federal e os estaduais tiveram dificuldades para comprar testes. Mas, como explicar que tantos outros países conseguiram examinar percentual tão mais elevado da população e o Brasil continua testando timidamente.

A aplicação de testes em massa é apontada por muitos países como preponderante para enfrentar a pandemia, pois uma estatística confiável permite melhor planejamento dos governos e, assim, direcionar as ações para onde sejam mais necessárias.

A Rússia, por exemplo, que é o segundo país do mundo em número de casos de covid, com 317.554 pacientes infectados, teve apenas 3.099 mortes, e o Brasil, com 310.087 atingiu 20.047 mortes. Lá, porém, foram aplicados 7,84 milhões de testes, na proporção de 53.731 testes por milhão de habitantes.

Essa é uma responsabilidade de todos os governantes, de todos os níveis de governo, de todos os partidos. E todos eles estão em falta com o povo brasileiro quanto a essa questão.

Valdir Carleto