Lixo de Campinas pode vir para aterro vizinho a Guarulhos

Lixo de Guarulhos está sendo recolhido emergencialmente no aterro da CDR, próximo ao Cabuçu - Foto: Alexandre de Paulo
 

Segundo a página Notícias de Campinas e pelo portal Bandmulti.com.br, a prefeitura de lá contratou a Proactiva/CDR Pedreira para depositar o lixo orgânico da cidade em aterro sanitário de Guarulhos. Segundo o secretário de Serviços Públicos de Campinas, Ernesto Paulella, a empresa foi a segunda colocada, mas a primeira foi desabilitada por falta de documentação. O custo será de R$ 900 mil a mais por ano, devido à distância para o transporte do lixo até Guarulhos.

A notícia foi postada pela página Movimento Cabuçu é pulmão – que se opõe à novidade – e causou estranheza ao Click Guarulhos, porque o aterro da CDR fica no município de São Paulo, em área vizinha a Guarulhos. A Proactiva pleiteia a aprovação de um novo aterro, em terreno de sua propriedade no município de Guarulhos, no bairro do Cabuçu, também nas proximidades do aterro municipal de Guarulhos que sofreu deslizamento há 15 meses. Essa demanda causou grande polêmica nas audiências públicas que foram feitas, até com acusações de truculência de seguranças e de interesses escusos que estariam motivando rápida tramitação do processo. Não há informações sobre o andamento. Questionamos a Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Guarulhos e a resposta foi de que o aterro que receberá o lixo de Campinas não é o de Guarulhos.

Nas reportagens publicadas pelos portais de Campinas, consta que o secretário de Serviços Públicos da cidade, Ernesto Paulella, afirmou que no edital a empresa vencedora apresentou duas licenças ambientais para depósito do resíduo sólido: em Guarulhos e Iperó (região de Sorocaba). “Achamos que a empresa vai levar o resíduo para estes dois lugares”, disse ele.

Diante do conflito de informações, entramos em contato com a Prefeitura de Campinas e enviamos questionamento ao secretário de Serviços Públicos de lá para que esclareça de quais prefeituras a Proactiva apresentou licenças ambientais. Encaminhamos pedido de resposta também à comunicação do Grupo Veolia, à qual pertencem a Proactiva e a CDR/Pedreira.

A Prefeitura de Campinas respondeu, via Assessoria de Imprensa da Secretaria de Serviços Públicos:

Segundo a Secretaria de Serviços Públicos de Campinas, as licenças apresentadas pela empresa são dos aterros de São Paulo e de Iperó (região de Sorocaba). Porém, antes que seja dada a Ordem de Serviço, a Secretaria irá solicitar que a empresa apresente o Cadri (Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental), emitido pela Cetesb, que garante que esses aterros podem receber o lixo de Campinas.

Tudo leva a crer que na fala à Imprensa da cidade o secretário quis referir-se à região e não especificamente ao município onde está situado o aterro da empresa contratada.

Assim que chegar resposta do grupo Veolia, publicaremos.

É evidente que, do ponto de vista prático, de reflexo na vida das pessoas da região, pouca diferença faz se o aterro fica em São Paulo ou em Guarulhos, porque a população que vive nos bairros guarulhenses próximos sofrerá as consequências do mesmo jeito. Porém, no aspecto legal e político, é relevante, pois, se é um aterro do município de São Paulo, não há medida que a administração de Guarulhos pudesse ou possa tomar para evitar. Quem pode impedir que o lixo de Campinas venha para o aterro vizinho a Guarulhos é a Cetesb, a julgar pelo que informou a Prefeitura de Campinas.

foto de arquivo: Alexandre de Paulo