Com os devidos cuidados, reciclagem de materiais deveria ser reativada

 

Na lista de atividades que a Prefeitura de Guarulhos pretende permitir a flexibilização da quarentena, divulgada na noite de terça-feira pelo prefeito Guti e cujo decreto está para ser publicado nesta quarta-feira, não inclui o serviço de reciclagem de materiais.

Desde o início da quarentena, os depósitos de ferro velho, como são chamados, e outros que trabalham com recicláveis, estão fechados, ou atuando de forma precária, praticamente escondidos. Além disso, com a suspensão do trabalho nas cooperativas de reciclagem que recebem o material recolhido nos PEVs (Pontos de Entrega Voluntária) – ou ecopontos –, eles pararam de aceitar os recicláveis.

Por que opinamos que esse ramo deveria ser incluído? Por várias razões:

  1. Muitas famílias sobrevivem da coleta e venda desses materiais;
  2. Com a recusa de aceitar esses materiais nos PEVs, aumentou o despejo nas ruas, praças e terrenos baldios, o que contraria a necessidade de zelar pela saúde pública, inclusive quanto a criadouros do mosquito transmissor da dengue;
  3. Não podendo descartar recicláveis nos PEVs, a maioria das famílias que os separava passou a colocá-los junto com o lixo orgânico, aumentando o custo que a Prefeitura tem com a coleta, pois paga pelo peso. Além disso, sobrecarrega o aterro sanitário, o que deveria ser evitado;
  4. Fatalmente, as famílias mais conscientes, não querendo jogar esses recicláveis nas ruas, nem juntá-los ao lixo orgânico, estão acumulando-os em suas casas: muitas não têm mais espaço para fazê-lo e outras, que têm quintais, podem estar, sem querer, propiciando surgimento de criadouros do mosquito transmissor da dengue e a proliferação de insetos.

    Fica, portanto, registrada a sugestão para que a Secretaria de Serviços Públicos elabore os protocolos necessários para a retomada da aceitação de reciclagem nos PEVs, bem como os setores que estão envolvidos na elaboração do Decreto que definirá as atividades que serão autorizadas a retomar o trabalho levem em consideração os argumentos aqui elencados.

    Passada a pandemia, reforça-se a necessidade de implantação de um sério e amplo plano de coleta seletiva em Guarulhos, o que representa muito em termos de saúde pública, além de contribuir para aumentar a vida útil dos aterros sanitários.

    Valdir Carleto

    RESPOSTA DA PREFEITURA
    Encaminhada a sugestão, a Assessoria de Imprensa da Prefeitura respondeu:

    “Em atenção à demanda, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano informa que a possibilidade está sendo estudada pela Pasta, assim como as datas para a implantação.”