Manifestações deste domingo serão em locais separados e com forte esquema de segurança

Viaduto Santa Ifigênia durante a quarentena.
 

As forças de segurança do Estado de São Paulo preparam um esquema reforçado de policiamento para as manifestações deste domingo (7). Segundo a Secretaria de Segurança Pública, mais de quatro mil policiais estarão a postos para garantir a tranquilidade da população, a preservação do patrimônio e o direito à livre manifestação.

Após a decisão do juiz Rodrigo Galvão Medina, que concedeu ontem liminar proibindo a realização de atos de grupos antagônicos na avenida Paulista, os organizadores, em diálogo com o Ministério Público Estadual, comunicaram a mudança de local para que os eventos ocorram separadamente. Com isso, os grupos contrários ao governo Bolsonaro irão reunir-se na região do Largo da Batata, em Pinheiros, e os favoráveis na avenida Paulista.

Para garantir a integridade de todos, a Polícia reforçou o esquema de segurança em toda cidade de São Paulo, com destaque para os pontos de concentração dos manifestantes. Policiais de batalhões territoriais e especializados, como o BAEP, Trânsito e Choque, atuarão nas regiões dos atos. Além deles, serão utilizados também três helicópteros, seis drones, 150 viaturas, quatro veículos guardiões e um veículo lançador de água. Outras unidades da PM permanecerão de prontidão e, se necessário, serão deslocadas para prestar apoio às equipes.

Todas as ações serão monitoradas por meio de câmeras do sistema Olho de Águia, com câmeras fixas, móveis, motolink e bodycams. A Polícia Civil também reforçou sua atuação e terá um sistema especial de plantão para dar celeridade ao registro de ocorrências, caso seja necessário no 4º, 5º, 14º e 78º Distritos Policiais.

Aos que forem para a manifestação, a Secretaria de Segurança Pública alerta que não será permitido portar:

• Bandeiras e faixas com mastro ou hastes;
• Guarda-chuvas;
• Bastão para tirar fotos;
• Materiais, objetos cortantes ou pontiagudos;
• Bebidas alcoólicas;
• Arma de fogo ou branca de qualquer espécie;
• Fogos de artifício;
• Taco de basebol, golfe e similares;
• Outros objetos que possam causar riscos, dano ou importunação as pessoas;
• Revistas pessoais serão realizadas


Opinião



Considerando que o Brasil ainda não atingiu o pico da pandemia, pois os últimos dias têm havido recordes no número de novos casos e de mortes, defendemos que não se deve promover concentração de pessoas, em nenhuma hipótese, sejam contra ou a favor do governo. Mesmo o uso de máscaras, obrigatório em todo o estado de São Paulo, ajuda a proteger do contágio pelo coronavírus, mas não garante que as pessoas não se contaminem.

Além do isolamento ainda ser necessário, há outro fator a ser considerado: mesmo com forte esquema de segurança, grupos mais radicais podem provocar situações de confronto fora dos locais definidos para as manifestações.

A liberdade de expressão e de manifestação é direito sagrado, mas, durante a pandemia e por causa da situação de ânimos acirrados, ela pode neste momento ser exercida utilizando-se, por exemplo, as redes sociais.

Deixemos as manifestações presenciais para quando a pandemia for superada. Principalmente em respeito aos que ficarão em casa e podem vir a ser contaminados pelos que participarem das aglomerações. E em respeito aos que estão na linha de frente das atividades essenciais, fundamentalmente na área da Saúde, e que nada têm a ver com posicionamentos políticos de parte a parte.



Valdir Carleto