Informe-se bem para escolher a escola do seu filho

Михаил Мингазов / Pixabay
 

Pelo décimo ano consecutivo, a RG  lança a edição voltada à Educação, como forma de subsidiar as famílias com informações para ajudá-las na difícil tarefa de escolher a primeira ou uma nova escola para os filhos. Além da busca por qualidade, há de considerar uma série de outros fatores, como proposta de ensino, custo e até a região onde se localiza.

O roteiro traz dezenas de escolas da cidade, agrupadas em ensino infantil, fundamental e médio; e ensino superior, cursos profissionalizantes e outros, como escolas de idioma, dança e música. Enfim, um panorama das muitas opções que Guarulhos oferece. 

Na introdução, estão as principais propostas de ensino da atualidade, contendo as características de cada uma delas, para que se possa avaliar qual linha de atuação mais se assemelha à forma de pensar de cada família. Vê-se que alguns colégios adotam explicitamente uma ou outra proposta e outros mesclam aspectos que entendem ideais em cada uma. 

O roteiro está em ordem alfabética em cada segmento, com mínimas variações. Como a revista é custeada pela publicidade, as que anunciaram figuram com mais destaque. A título de informação aos leitores, diversas outras escolas foram incluídas, resumidamente.

Critérios importantes a serem considerados

Saber o que significam os principais tipos de propostas pedagógicas é vital. Mas, também é importante analisar alguns critérios recomendados por especialistas:

  1. Visite a escola e questione sua proposta pedagógica;
  2. Observe se a escola limita-se a ensinar ou se busca preparar o aluno para ser um cidadão;
  3. Verifique se a escola incentiva a solidariedade, o respeito, a ética, entre outros conceitos que formam o ser humano socialmente responsável;
  4. Atente-se para a qualidade dos profissionais que ali trabalham e pesquise se a escola respeita os direitos trabalhistas dos colaboradores;
  5. Analise os recursos que a escola disponibiliza aos alunos;
  6. Qualquer que seja a escolhida, lembre-se de que a educação da criança começa em casa. Acompanhe e participe ativamente da vida escolar de seus filhos. 

Metodologias de ensino

Um critério fundamental e que pode facilitar na hora da escolha é conhecer a linha pedagógica oferecida pela instituição. Por meio dela, é possível entender o que o colégio usa como base para ensinar e como lida com a individualidade do aluno.

Para se ter ideia da importância da proposta pedagógica, ela está prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação desde 1996 e foi criada com o principal objetivo de garantir a autonomia das instituições no que se refere à gestão de questões de ensino, administrativas e financeiras. Em resumo, é um documento que define desde a estrutura curricular até as práticas de gestão.  E quais são essas metodologias? Tradicional, Construtivista, Montessoriana e Waldorf, entre outras menos usuais. Na sequência, explicamos uma a uma. 

Tradicional

Essa metodologia é a mais adotada no País; porém, já é considerada defasada. Consiste, basicamente, no ensino centrado na figura do professor, com aulas expositivas, provas, pressão por resultados (em vestibulares e no Enem, por exemplo) e reprovações, dependendo do desempenho do aluno. O objetivo principal dessa norma era universalizar o acesso do indivíduo ao conhecimento. As escolas que adotam a linha tradicional tendem a acreditar que a formação de um aluno crítico e criativo depende justamente da bagagem de informação adquirida e do domínio dos conhecimentos consolidados. 

Construtivista

Ao contrário da proposta tradicional, o método construtivista tem o aluno como o centro do processo de aprendizado, desempenhando um papel ativo, ao buscar conhecimento na medida em que interesses e questionamentos surgem. A proposta é inspirada nas ideias de Jean Piaget, Lev Vygotsky e Henri Wallon e procura instigar a curiosidade, pois o aluno é levado a encontrar a respostas a partir de seus próprios conhecimentos e de sua interação com a realidade e com os colegas. Outra característica é que cada estudante tem seu próprio tempo de aprendizado e o currículo é extremamente flexível, contando com a participação dos alunos em sua estruturação. Os estudantes são imersos em situações bastante próximas da realidade, com o objetivo de fazer questionamentos, argumentar, chegar a conclusões por conta própria e encontrar as devidas soluções para os problemas.

Montessoriana 

Criada pela pedagoga italiana Maria Montessori, a linha montessoriana tem como objetivo garantir a máxima autonomia ao aluno no processo de aprendizagem. Ou seja, professores e pais assumem os papéis de facilitadores do conhecimento, proporcionando os meios pelos quais os alunos escolhem temas a serem estudados e interesses que devem ser pesquisados. Bem diferente do que se costuma ver nas salas de aula brasileiras, as classes são mistas em relação à faixa etária, já que alunos de diferentes idades podem ter interesses de aprendizado semelhantes. É uma metodologia de ensino para estimular a independência e a criatividade. O método também parte da ideia de que a criança é dotada de infinitas potencialidades. Individualidade, atividade e liberdade são as bases da teoria. Os objetivos individuais mais importantes seriam: encontrar um lugar no mundo, desenvolver um trabalho gratificante e nutrir paz e densidade interiores para ter a capacidade de amar. 

Waldorf

A pedagogia Waldorf é uma proposta inspirada nas ideias do filósofo austríaco Rudolf Steiner, fundador da antroposofia. Criadas em 1919, na Alemanha, as escolas Waldorf, também chamadas de escolas steinerianas, estão presentes em mais de 60 países e são consideradas um dos maiores movimentos educacionais independentes do mundo.

A abordagem educacional da escola Waldorf abrange o intervalo de idades entre a pré-escola e os dezoito anos. Para atingir a formação do ser humano, a metodologia atua no desenvolvimento físico, espiritual, intelectual e artístico dos alunos, incentivando o querer através da atividade corpórea das crianças em quase todas as aulas. O sentir é estimulado na constante abordagem artística e nas atividades artesanais específicas para cada idade. O pensar é cultivado gradualmente, desde a imaginação incentivada por meio de contos, lendas e mitos – no início da escolaridade –, até o pensar abstrato rigorosamente científico do ensino médio.

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