A importância da aprendizagem socioemocional

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Não são apenas as habilidades e competências técnicas os diferenciais do século XXI. É claro que o aprendizado técnico faz a diferença, mas ele só é válido, na prática, quando usufruímos da aprendizagem socioemocional. Por isso, ela é tão importante no desenvolvimento das crianças. Vamos entender o porquê!

Hoje, as coisas nos parecem “dadas”. Vamos ao mercado, selecionamos o que queremos e, muitas vezes, pagamos em caixas automáticos, sem precisar falar com ninguém. Ou entramos em um Uber sem sequer ser necessário informar o destino ao motorista.

Tudo é tão mecânico que nos esquecemos de que a humanidade só se torna completa quando conquistamos autoconsciência, sabemos lidar com frustrações, sabemos gerenciar nosso tempo e espaço, temos consciência social, negociamos e criamos laços. Isso é a aprendizagem socioemocional.

Se no século passado, a educação era permeada por exercícios, testes, disciplina rígida e alunos enfileirados, as mudanças tecnológicas e as mudanças culturais têm mostrado que isso já está ultrapassado.

Mais do que a transmissão de conhecimento, o ensino integral corresponde ao desenvolvimento de todas as competências das crianças. Afinal, é nessa fase da vida que as habilidades socioemocionais são aprimoradas.

Uma matéria divulgada na revista Nova Escola, mostra que as habilidades socioemocionais melhoram os desempenhos dos alunos.

O material traz um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que comprova que a aprendizagem socioemocional é determinante para o autocontrole e um melhor comportamento.

Big Five: as dimensões decisivas para o bem-estar

Muitos estudiosos e psicólogos focam nas cinco grandes dimensões do ser humano – também conhecidas como Big Five – como decisivas para o bem-estar social e a qualidade de vida. São competências socioemocionais que podem ser ensinadas e aprimoradas e influenciam, até mesmo, no aprendizado técnico, como:

Abertura a novas experiências: Essa habilidade influencia no modo como as crianças enxergam o novo, de forma positiva. Pode ser desde uma experiência artística até uma experiência intelectual. Crianças com essa habilidade não crescem preconceituosas e estão menos propensas a praticarem atos de bullying.

Extroversão: Está relacionada à capacidade de se relacionar com autoconfiança e energia com o mundo externo. Crianças extrovertidas são mais sociáveis, conseguem se envolver melhor em projetos e não têm medo de se expressarem no mundo.

Consciência: Permite às crianças entenderem qual o seu papel no mundo e qual as pequenas responsabilidades que possuem. Uma criança consciente sabe que é capaz de exercer algumas tarefas, como o dever de casa, arrumar os brinquedos que estão fora do lugar. Isso desenvolve a autonomia dos pequenos.

Estabilidade emocional: É o sonho de muitos adultos, inclusive. Diante de situações estressantes ou adversas, quem é que consegue manter a cabeça no lugar? Pois saiba que essa é uma habilidade que pode ser aprimorada nas crianças e que contribui para o autocontrole.

Amabilidade: Se você acha que o mundo precisa de empatia e de cooperação, então, você acredita na aprendizagem socioemocional. A amabilidade é a capacidade de tolerar, de apreciar as diferenças, de ser generoso. Em suma, de ser humano.
Quando investimos no desenvolvimento dessas habilidades desde a infância, contribuímos para uma sociedade melhor. Afinal, o mundo não precisa de empatia, respeito e solidariedade, por exemplo?

As mudanças só acontecem quando reconhecemos que essas dimensões podem ser ensinadas e trabalhadas. E a aprendizagem socioemocional é o pontapé inicial para a mudança de cultura, de pensamento e de vida.