Mais de 19 mil venezuelanos receberam novas oportunidades de vida no Brasil em 2020

05.11.19. Imigrantes venezuelanos recebem atendimentos de saúde em operação de acolhida.rFotos: José Nildo / Semsa.
 

Buscando melhores condições, oportunidades e liberdade para viver, o venezuelano Jonathan Perez escolheu o Brasil para recomeçar. Depois de perder o emprego e ver seu país entrando em estado de miséria, Jonathan foi atrás de uma vida digna para ele, sua esposa e seus quatro filhos. Após passar algum tempo nos abrigos instalados pelo governo brasileiro em Boa Vista (RR), em 2020 ele recebeu uma vaga de emprego em Curitiba (PR) por meio da Operação Acolhida do Governo Federal.

“É lamentável a situação da Venezuela. Aqui no Brasil me sinto acolhido e estou agradecido por essa receptividade. Todos os que chegam aqui têm a vontade de conseguir uma oportunidade e consegui, por isso estou contente, principalmente porque poderei estar em um lugar livre com a minha família, onde podemos expressar o que sentimos, comer o que queremos”, Jonathan conta emocionado no voo rumo a Curitiba. “Na Venezuela não se pode comer, não se pode fazer duas refeições ao dia. Temos medo de andar na rua ou falar qualquer coisa. Aqui posso trabalhar e oferecer uma vida digna à minha família”, completa.

O relato é de um dos 19,3 mil venezuelanos que saíram de seu país, chegaram ao Brasil e foram abrigados e interiorizados pela Operação Acolhida em 2020. A ação do Governo Federal foi desenvolvida para receber, abrigar e proteger os venezuelanos refugiados da crise provocada pelo regime ditatorial no país vizinho. Ao todo, desde 2018, 46,5 mil migrantes venezuelanos foram interiorizados para 645 cidades brasileiras de todas as regiões do país. Destes, 41,6 mil tiveram essa oportunidade na atual gestão do Governo Federal. Os municípios que mais receberam os novos moradores foram Manaus (4.931), Curitiba (3.073) e São Paulo (3.033).

O Subcomitê Federal de Interiorização, coordenado pelo Ministério da Cidadania, é responsável pelo processo de aprovação da transferência dos imigrantes das cidades de fronteira (Pacaraima e Roraima) para outros estados brasileiros. Essa é a principal estratégia do governo brasileiro para promover a inclusão socioeconômica daqueles que chegam.

“A interiorização é o principal diferencial dessa operação. Nós oferecemos aos nossos irmãos venezuelanos a possibilidade de recomeçar e seguir suas vidas por conta própria. O Brasil tem história de solidariedade. O governo Bolsonaro estende a mão aqui na América Latina aos nossos irmãos”, afirma o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni.

Interiorizado há dois anos, o venezuelano William Pirez recomeçou a vida em Florianópolis (SC), junto da esposa. Ele conta que saiu do país devido às péssimas condições de vida, de saúde e econômicas, e foi no Brasil que encontrou uma oportunidade de recomeçar. Formado em engenharia de alimentos, hoje ele trabalha em uma rede de supermercados, mas já começou a investir em produção própria.

“Eu tinha a minha rede de produtos na Venezuela, mas chegamos a um ponto em que era inviável permanecer. A miséria chegou para todos. Fui muito bem recebido no Brasil, adoro Florianópolis e não quero ser um peso aqui. Pelo contrário, penso que posso dar minha contribuição para esse país com meu trabalho”, afirma William, que já abriu uma pequena empresa e hoje vende produtos como compotas, pimentas e temperos.

Os migrantes e refugiados são reconhecidos como sujeitos de direitos e todos os atores da interiorização trabalham para que seu deslocamento seja realizado de maneira voluntária, informada, segura, digna e, para aqueles que não possuem recursos, para custear a viagem. No Brasil, mais de 265 mil migrantes e refugiados venezuelanos solicitaram regularização migratória.

Cuidado extra na pandemia

Envolvendo 11 ministérios, sociedade civil e agências internacionais, a Operação Acolhida seguiu seu funcionamento durante o período da pandemia de Covid-19. Somente em 2020, o Governo Federal investiu mais de R$ 630 milhões em toda a Operação.

Foram instituídas medidas adicionais em todos os processos conduzidos, como o reforço dos filtros sanitários, a inspeção médica adicional por ocasião de ingresso nos abrigos, a prioridade para a interiorização de pessoas que já estejam abrigadas pela operação e o monitoramento clínico por até duas semanas após a chegada aos locais de destino.

“A Operação Acolhida é reconhecida mundialmente pela forma como recebe e oferece caminhos e oportunidades aos nossos vizinhos. Quem vê esse trabalho renova sua fé na humanidade. A gente devolve a dignidade a essas pessoas que saem de uma situação extremamente difícil. Aqui elas podem acreditar no futuro”, destaca Lorenzoni.