Famílias sem acesso à internet não conseguem usar o dinheiro do auxílio emergencial

Saque do auxílio emergencial
 

A Caixa Econômica Federal depositou nesta sexta-feira (9) o auxílio emergencial para os beneficiários nascidos em fevereiro, mas, mesmo com dinheiro na conta, muitas famílias ainda precisam esperar para comprar o básico.

A diarista Maria de Lourdes da Silva já está com o dinheiro disponível no aplicativo da Caixa, mas não tem como usar esse dinheiro?

“Não tem como usar porque eu não tenho telefone. Não tenho celular. Esse dinheiro está fazendo falta porque eu não trabalho. Meu marido está desempregado também. A gente está vivendo de doação. A geladeira está vazia”, disse ela.

Silvana Rufino de Oliveira, que está desempregada, nasceu em janeiro e o dinheiro está no aplicativo da Caixa, mas, para ela, não adianta.

“Eu não tenho como comprar com aplicativo alimento para os meus filhos”.

O auxílio emergencial está disponível, mas só para quem tem o aplicativo da Caixa Econômica Federal. Dados da Fundação Getúlio Vargas mostram que, entre os mais pobres, 40% não acessam a internet. Essas pessoas vão ter que esperar para sacar o dinheiro vivo na boca do caixa. Milhões estão sem renda e precisam desses recursos para comprar comida.

O dinheiro só estará disponível para saque a partir do dia 4 de maio. A Caixa diz que hoje o auxílio pode ser usado pelo aplicativo Caixa Tem, para pagar boletos, compras na internet e em maquininhas; que é possível realizar compras em supermercados, padarias, farmácias e outros estabelecimentos com o cartão de débito virtual e QR Code.

“Se essas famílias não têm hoje o que comer, como é que a gente vai exigir que elas tenham celulares e acesso à internet para poder acessar o benefício?”, questionou Henrique Silveira, coordenador da Casa Fluminense, um centro de pesquisas para a redução da desigualdade.

Ele diz que o governo precisa saber exatamente quem não está acessando o benefício e por quê:

“É importante que o governo federal, junto com as prefeituras, utilize uma busca ativa por diversos mecanismos para garantir que aquela família que não tem acesso à internet receba o benefício, que é tão necessário neste momento”.

A exigência fez surgir nas ruas um mercado paralelo para quem não tem telefone ou internet, mas tem urgência de dinheiro na mão: um atravessador.

“Tem a pessoa que pode tirar com uma maquininha, aí você pede R$ 30, R$ 20 e a pessoa dá cento e poucos na mão. Ou então espera mês que vem para pegar os R$ 150”, explicou o lanterneiro Paulo César Marques.

A Caixa afirmou que custeia a navegação no aplicativo e que o beneficiário consegue usar o Caixa Tem mesmo que não tenha pacote de dados suficiente. Declarou ainda que o cronograma de operações de saque, de transferências e de PIX é para evitar aglomerações.