Primaveras terá programação online para o Dia das Mães em luto

 

O Dia das Mães está chegando e, com ele, a angústia de quem perdeu a mãe, ou mesmo mães que perderam o filho. Esse ano, em razão da pandemia, há uma sensação generalizada de luto, atingindo também famílias que perderam tios, avós, amigos.

Para acolher a todos, as psicólogas Ana Lúcia Naletto e Lelia Faleiros, do Centro Maiêutica, que assessoram o Primaveras na área de Cuidado com o Enlutado, prepararam a palestra “Como viver o Dia das Mães em luto”, que farão on-line, no domingo 09 de maio, às 10h10. Ela será transmitida pelas redes sociais do Primaveras (www.facebook.com/grupoprimaveras).

“Parece que luto e comemoração não combinam. A tristeza pode fazer parte de uma celebração, ela só não pode impedir que aconteça. Celebrar os vínculos e o amor é o que precisamos neste momento”, destacam as psicólogas Ana Lúcia e Lelia, especializadas em luto.

Veja, abaixo, a entrevista completa.

Quais desafios a pandemia trouxe para a elaboração do luto? Como podemos superá-los ou amenizá-los?

Ana Lúcia Naletto e Lelia Faleiros: Viver o luto já é um desafio, mas em um contexto de pandemia sofre uma ampliação que afeta ainda mais os envolvidos. Um dos pontos centrais da dificuldade é a ausência da rede de apoio (família e amigos) que é tão bem-vinda e tão eficaz no suporte à família em luto em diferentes contextos, seja numa ajuda prática, seja na presença, seja oferecendo alguma distração possível para o enlutado.

Contudo, este não é o único fator dificultador. Há também os lutos paralelos promovidos pela pandemia, com os quais os enlutados e aqueles que não perderam ninguém estão lidando também, o luto do mundo tal como vivíamos, as perdas simbólicas de rotina, de lazer, de pequenas coisas do dia-a-dia que se perderam.

E há, ainda, um outro agravante que é a sensação de perigo constante rondando permanentemente porque a disseminação do vírus ainda não está controlada. Viver em hiper vigilância é um fator de muito estresse, especialmente quando a ameaça é a ocorrência de um adoecimento e morte.

Aqueles que perderam alguém por Covid, que já viveram a ocorrência do vírus de forma letal na sua família, ainda precisam ficar vigilantes para que não aconteça de novo e essa ameaça de novas perdas é um peso muito grande para o enlutado, que precisaria ter o mundo do lado de fora mais bem organizado, já que dentro dele as coisas estão um “caos” mas, neste momento, o que ele tem é caos do lado de dentro e caos do lado de fora também.

Só há um fator que nos parece positivo para o enlutado neste contexto, que é o de se sentir pertencente a um grande grupo, o grupo dos que estão sofrendo. Além dele ver que há muitas outras famílias na mesma situação, ainda tem a questão de se perceber em sofrimento assim como todos que estão vivendo esta pandemia. Essa sensação de pertencimento oferece um certo conforto.

Como o momento atual tem afetado mesmo quem não perdeu ninguém próximo? Coletivamente, como estamos lidando com esse luto?

Ana Lúcia Naletto e Lelia Faleiros: As pessoas que não viveram uma perda de alguém querido por morte são afetadas também, porém de forma diferente. A morte dos outros ecoa dentro de cada um de nós e nos lembra que ela existe, nos coloca em alerta e com medo. Além disso, o luto não é só por morte, todos perderam alguma coisa, seja a segurança do mundo conhecido, a rotina, os contatos humanos, os amigos da escola, entre outras.

Temos observado um agravamento na condição de saúde mental tanto em crianças quanto adultos, mesmo aqueles que não tiveram perdas, devido à “fadiga pandêmica”, um termo utilizado para sinalizar uma condição de exaustão prolongada decorrente do momento de pandemia e da extensão desse tempo de crise.

Em datas especiais, como o Dia das Mães, que dicas podemos dar para famílias enlutadas? 

Ana Lúcia Naletto e Lelia Faleiros: Nós incentivamos a celebração deste dia, adequada ao momento da pandemia, claro! Carinho e homenagens fazem bem à alma e neste momento estamos precisando muito de coisas que aqueçam o coração. Celebrar os vínculos e o amor é o que precisamos neste momento.

Para as mães que perderam seus filhos e para os filhos que perderam suas mães, sugerimos que celebrem sua história de amor construída entre vocês, porque isso nunca morre. Escolham sua forma de celebrar, de cultivar a memória. A tristeza pode fazer parte de uma celebração, ela só não pode impedir que aconteça.

Para o pós-pandemia, qual será o legado desse momento? Teremos traumas, dores não curadas? Se sim, o que podemos fazer sobre isso? 

Ana Lúcia Naletto e Lelia Faleiros: Acreditamos que o uso do termo “novo normal” traz essa expectativa e esperança de que possamos nos reorganizar. Toda crise traz perdas, mas também aprendizados. Os estudos apontam uma atmosfera de grande stress (fadiga pandêmica) e com ele uma preocupação com a saúde física e mental das pessoas. A pandemia tem trazido um laboratório de emoções, e sem dúvida teremos marcas emocionais que precisarão ter atenção especial. O cuidado sócio emocional vai ser o grande legado nessa esfera.
O que já sabemos é que contabilizamos um aumento de transtornos, ansiedade, crises de pânico e outros. Os lutos individual e coletivo estão sendo realizados sem despedidas e sem rituais, o que para a saúde mental é um agravante.
Não podemos antecipar o futuro, mas acreditamos que a morte e os rituais de despedidas serão reconhecidos como cerimônias indispensáveis para o processo de luto.

Live “Mãe – Luz que não se apaga” – Domingo, 09/05/2021
www.facebook.com/grupoprimaveras

9h Live Missa com Frei Messias
10h Live Cerimônia dos Balões
10h10 Live Palestra “Como viver o Dia das Mães em luto”, com Ana Lúcia Naletto
11h Live Missa com Padre Thiago
12h Live Homenagem especial