Identificada em outubro na Índia, a variante Delta da Covid-19 está presente em mais de 80 países, inclusive no Brasil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Reino Unido, estudos recentes apontam que a cepa tem sido associada a um maior risco de desenvolvimento de sintomas graves que podem levar à hospitalização
No entanto, a variante apresenta sinais que podem ser confundidos com um resfriado mais forte, como dor de cabeça, dor de garganta e coriza nasal e febre, alerta o Symptom Covid Study — grupo de pesquisa liderado pelo King’s College London (KCL) que acompanha os sintomas da doença com o auxílio de 4 milhões de colaboradores em todo o mundo.
Por outro lado, sintomas associados às infecções pela Covid-19, como tosse e perda do olfato e paladar, tem-se tornado cada vez menos comuns, aponta o grupo. A ocorrência de febre, contudo, tem ocorrido em todas as principais cepas, inclusive na Alpha, identificada no Reino Unido, na Beta (África do Sul) e na Gama (Manaus/Brasil).
Cepa no Brasil
Dois pacientes do interior de São Paulo foram diagnosticados com a variante delta da Covid-19. É o terceiro caso confirmado da nova cepa no estado.
Os novos casos foram confirmados em um homem, de 44 anos, que mora em Pindamonhangaba, e em uma mulher, de 30 anos, de Guaratinguetá. Os dois tiveram apenas sintomas leves, informou a Secretaria Estadual de Saúde na sexta-feira, 16.
A nova variante foi identificada por sequenciamento genético feito pelo Instituto Butantan. Os municípios e o governo estadual ainda estudam se houve transmissão comunitária nesses casos.
Na quarta-feira, 14, a Prefeitura de São Paulo, onde a variante foi identificada pela primeira vez no estado, confirmou que a variante delta já circula no município.
Segundo Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, as novas cepas têm sido “monitoradas de perto” em todo o estado para a adoção de medidas de controle de sua disseminação.
“São Paulo tem feito o sequenciamento genético de cerca de 6% das pessoas que testam positivo para identificar quais variantes estão circulando no estado”, disse o diretor, na manhã desta sexta (16) após o instituto entregar mais 1 milhão de doses da Coronavac ao Ministério da Saúde.
O governador João Doria (PSDB), diagnosticado com Covid na quinta, 15, também fez o teste de sequenciamento para investigar se foi contaminado com a nova cepa. O resultado ainda não foi concluído.
O vice-governador Rodrigo Garcia informou que, assim como os familiares de Doria, todos os servidores e secretários que tiveram contato com o governador nos últimos dias foram testados para a Covid-19.
“Fiz o teste e ele foi negativo”, disse Garcia. Outros secretários também testaram negativo para o vírus.
Pesquisas indicam que a variante delta apresenta nível de transmissibilidade cerca de 50% maior do que as linhagens anteriores do vírus. Os estudos também indicam que as vacinas usadas hoje contra a Covid-19 têm menor resposta neutralizante nesta cepa.
As características desta variante é que têm feito outros países, como Chile e Reino Unido, a já planejar o início de um novo ciclo vacinal em sua população. Segundo Covas, São Paulo também planeja o próximo ciclo de vacinação, ainda que não tenha conseguido imunizar toda a população adulta do estado.
Com as novas doses de Coronavac entregues ao governo federal no dia 16 de julho, o Instituto Butantan alcança a liberação de 55,1 milhões ao Programa Nacional de imunização. O contrato prevê a aquisição total de 100 milhões de doses.

