domingo, 5 dezembro 2021
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Reajuste salarial de 70,1% dos trabalhadores foi abaixo da inflação

Dados do Salariômetro divulgados nesta quinta-feira (25) pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) mostram que 70,1% dessas negociações ficaram abaixo da inflação, ou seja, com perda real.

O reajuste recebido pelos profissionais foi, em média, de 9%, o que representa uma defasagem de 1,8 ponto percentual em relação ao INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado nos últimos 12 meses, de 10,80%.

O INPC verifica a variação do custo de vida médio apenas de famílias com renda mensal de um a cinco salários mínimos (de R$ 1,1 mil a R$ 5,5 mil). Esses grupos são mais sensíveis às variações de preços, pois tendem a gastar todo o seu rendimento em itens básicos, como alimentação, medicamentos, transporte etc.

O Salariômetro também aponta a proporção de reajustes abaixo, igual ou acima do INPC no mês, no ano e nos últimos 12 meses:

• Abaixo do INPC:  70,1% (mês), 51,5% (ano) e 47,8% (nos últimos 12 meses);
• Igual ao INPC: 17,5% (mês), 28,0% (ano) e 30,5% (nos últimos 12 meses); e
• Acima do INPC: 12,4% (mês), 20,4% (ano) e 21,6% (nos últimos 12 meses).

Ou seja, em outubro, apenas 17,5% das negociações salariais garantiram a reposição da inflação e 12,4% proporcionaram ganho real ao trabalhador (reposição da inflação mais um percentual de aumento excedente).

Na comparação entre os setores, somente os da construção civil, papel, papelão, celulose e embalagens, fiação e tecelagem, energia elétrica e utilidade pública optaram por manter o poder de compra de seus profissionais, ou seja, deram o reajuste equivalente à inflação.

Os segmentos de extração e refino de petróleo (-8,8%) e publicidade e propaganda (-8,4%), por sua vez, proporcionaram as maiores perdas.

Perdas nos acordos coletivos foi maior

Quando se fala em acordos coletivos, a perda real foi ainda maior. Enquanto o reajuste médio foi de 8% em outubro, o INPC foi de 10,80%, como citado acima, ou seja, perda real de 2,8 ponto percentual.

Com as negociações, o piso médio ficou em R$ 1.478 (mês), R$ 1.404 (ano) e R$ 1.405 (acumulado nos últimos 12 meses).

Ao todo, o país contabilizou 193 negociações coletivas em outubro. São Paulo liderou os acordos, com 72 duas das negociações, seguido por Minas Gerais (49) e Santa Catarina (16).

O acompanhamento das negociações coletivas é realizado por meio dos acordos e convenções
que constam na página Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A Fipe coleta os dados e informações disponíveis no Mediador, tabulando e organizando
os valores observados para 40 resultados da negociação coletiva, desagregados em acordos e
convenções e também por atividade econômica e setores econômicos.

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