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Histórias que o povo conta

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Em início de carreira, o apresentador e empresário Sílvio Santos mantinha em seu programa de rádio um quadro denominado “Histórias que o povo conta”, com relatos inusitados enviados pelos ouvintes, na maioria das vezes versando sobre temas sobrenaturais, casos envolvendo fantasmas e aparições assustadoras.

O título desta edição é inspirado naquele quadro, porém mostrando relatos de pessoas residentes em Guarulhos há décadas e baseados em situações que viveram efetivamente, comparando a vida na cidade naquela época com a atual e comentando sobre o que mais sentem falta dos tempos anteriormente vividos.

 

A sugestão partiu do empresário Almir Nogueira Júnior, que, junto com seus irmãos Alexandre e Sandro, atuou na cidade com a saudosa rede de locadoras Roma Vídeo. Cogitou que ouvíssemos sua mãe, Terezinha Damato Nogueira, e sua tia Adelina Abrunhosa. Ideia prontamente aceita, passamos a entrevistar diversas outras pessoas que pudessem transmitir histórias interessantes, comemorando de uma forma diferente o aniversário de Guarulhos, que completa neste 8 de dezembro, 461 anos a contar de sua fundação, em 1560.

Que possamos juntos, com as reminiscências do passado, os legados que adquirimos e as tecnologias disponíveis, fazer de Guarulhos uma cidade melhor para todos.

Historiador sente saudades do sossego da cidade

O professor, advogado, escritor e historiador Silvio Ribeiro, membro da Academia Guarulhense de Letras (AGL), enumera fatores que faziam de Guarulhos até um passado nem tão distante uma cidade pacata, bem diferente da dos dias atuais.

A data de nascimento oficial de fundação, em 1560, é definida como 8 de dezembro, quando o padre jesuíta Manoel de Paiva rezou a primeira missa dedicada a Nossa Ssenhora da Conceição, sendo por isso considerado fundador. Já no Hino a Guarulhos, por exemplo, a autora Nicolina Bispo faz referência ao também jesuíta João Álvares, o que gera controvérsias.

“Em termos de progresso, Guarulhos teve uma dormência de aproximadamente 350 anos. Ainda nos anos 1940, o centro de Guarulhos era muito simples, com suas ruas centrais sem calçamento, em pura terra batida. A partir do início dos anos 1950, houve uma verdadeira explosão industrial e populacional, com crescente atividade imobiliária, comercial e outros tipos de serventias. A construção da rodovia Presidente Dutra e logo a seguir da rodovia Fernão Dias facilitou a arrancada do desenvolvimento local”, diz.

Ele menciona características antigas que, em seu entendimento, deveriam vigorar nos dias atuais: o respeito, o carinho, o trato entre si, que havia entre as pessoas em suas relações.
Guarulhos não tinha locais atrativos para diversão e lazer. Até início dos anos 1950, se dispunha apenas da rua D. Pedro II – antes denominada rua Direita –, para encontros de todo tipo; e um só cinema – o República, no Centro.

Silvio considera que a construção da praça Getúlio Vargas, a partir de 1952, aproveitando onde o local do Clube Paulista de Guarulhos F.C., que foi desapropriado, houve um avanço no lazer central. “Contudo, não havia transtornos que exigissem a presença policial. “Havia apenas um delegado e pouco meia dúzia de policiais civis e praticamente a mesma quantidade de integrantes da Força Pública, cujo comando girava em torno de um capitão, para atender Guarulhos em sua totalidade”, conta.

Os raros casos de delinquência exagerada resumiam-se em alterações insignificantes. Ribeiro menciona o saudoso escritor e editorialista João Ranali, que foi delegado de Polícia na época e um dos fundadores da AGL, segundo o qual passavam-se dias e meses sem haver um caso que exigisse providências policiais. “Era comum algum bêbado fazer escândalo. Então, ele era conduzido à delegacia, colocado no cela e aí passava a noite. No dia seguinte, ele era obrigado a lavar a cela, varrer a delegacia, acomodar o lixo e depois era solto. Essa era a pena imposta por ter perturbado a ordem legal”, relata.

Guarulhos Comarca

Até 1956, Guarulhos era considerada uma simples cidadezinha de interior, dependente juridicamente da Capital, São Paulo. Com a instalação da Comarca, em 1956, o município passou a ter vida própria, sendo desligado da Capital, passando a contar com juiz togado e um promotor público e, a partir daí, tudo passou a ser resolvido no município, ficando totalmente desligado da Capital. Desde então, as causas judiciais, bem como as cartorárias (registros, escrituras, etc.), começaram a ser resolvidas em Guarulhos.

A partir da metade dos anos 1960, e acentuando-se nas décadas seguintes, houve o aumento desenfreado da população guarulhense. “Inegável que houve enorme progresso em todos os setores da atividade humana. Porém, como costuma acontecer, o progresso é um tanto desumano, tornando quase intolerável a convivência humana, difícil de se viver de forma saudável em ambientes que anteriormente eram tranquilos”, filosofa.

O professor cita a criação da Região Metropolitana da Capital, com a inclusão de Guarulhos entre os 39 municípios que integram a Grande São Paulo. Ele lamenta que, devido à imensa densidade demográfica de Guarulhos, a cidade não consegue atender adequadamente sua população, principalmente em termos de equipamentos de saúde, nem gerar empregos para todos.

Promessas não cumpridas

“Todo município brasileiro que se preza detém em sua historiografia, principalmente no que se refere aos primeiros moradores, seus patrimônios históricos, pessoas e famílias que ajudaram no desenvolvimento, para orgulho de quem nela vive. “Já Guarulhos muito pouco ou quase nada prima por essa cultura. A começar pela má conservação das praças. Faltam locais onde crianças e famílias pudessem passar algumas horas respirando o frescor de árvores e flores livremente, tudo com total segurança, embora não se possa atribuir toda responsabilidade ao poder público, já que muitas vezes o povo também não colabora na conservação do que é de todos”, comenta.

Apesar da ressalva à falta de colaboração da população, enumera promessas de políticos, que nunca foram cumpridas, mesmo previstas em leis. Uma delas refere-se à Lei 2789/83, alterada pela Lei n. 3.094/86, que autoriza a Prefeitura a construir e inaugurar no dia 08 de dezembro de 1986 uma estátua em bronze, tamanho natural, a ser fixada na praça Tereza Cristina, ao lado da Igreja Matriz (Catedral), sobre uma base de granito, e uma placa em homenagem ao fundador de Guarulhos, jesuíta Manuel de Paiva. “Nunca foi providenciada”, critica. Outro exemplo que nunca saiu do papel é a Lei n. 2.9034/1984, que criou a Pinacoteca Municipal de Guarulhos, autorizando o Executivo a regulamentar a mesma, a qual se destinaria a acolher obras doadas por guarulhenses.

Família

Silvio Ribeiro chegou a Guarulhos, vindo no trem da Cantareira, há 74 anos. Contava com sete anos de idade. “Desembarcamos em Gopoúva, vindo a morar nas proximidades dessa minha querida estação, onde vivi muitos anos. O local era desabitado, não havia ainda o bairro Jardim Tranquilidade; ali era um extenso campo com partes alagadas, lagoas, onde cheguei a pescar muitos lambaris. Ao redor da estação, havia apenas meia dúzia de casas e um pequeno armazém do Sr. Zarzur, onde havia de tudo um pouco”, relembra.

Seu pai foi Jaime Ribeiro. Havia comprado um terreno no Jardim Gopoúva, atrás da estação, e nele construiu uma singela moradia. Era subtenente do Corpo de Bombeiros em São Paulo (na praça Clovis Bevilacqua), onde aposentou-se no posto de capitão.

Sua mãe foi dona Antonia Silveira Ribeiro. Era do lar, mas também parteira prática, o que a tornou muito conhecida. Muitas parturientes nem podiam pagar a pequena quantia devida pelo seu trabalho, o que fazia com que grande maioria fosse atendida gratuitamente. Ela ainda conseguia roupas para os recém-nascidos das mães carentes e até alimentos para as mais necessitadas. Por isso, acabou sendo madrinha de batismo de muitos bebês. Por onde passava, ouvia “A bênção, madrinha!”.

Silvio menciona que muitas vezes ele ia levar os donativos às famílias. Por entender muito sobre essa atividade humana, mamãe era respeitada pelos raros médicos que havia em Guarulhos na época, dentre eles Dácio Montans, um dos fundadores do Hospital Carlos Chagas e o Dr. Nogueira. Eles a ajudavam nos partos mais difíceis.

Silvio Ribeiro casou-se com a contadora Dirceu Pompeu; o casal teve dois filhos, que lhes deram duas netas e um neto.

As relações familiares e lembranças de Adelina Abrunhosa

Saudade de tudo um pouco resume as memórias que Adelina Nogueira Abrunhosa revela em entrevista à RG. Irmã do conhecido e saudoso contabilista Almir Nogueira, ela é viúva do comerciante Heraldo Abrunhosa, que foi sócio de Romeu Silingarde e de Raul Possenti no lendário bar Ponto Chic e também das lojas multimarcas de veículos, que levavam o sobrenome da família e marcaram época por algumas décadas na cidade em vários endereços, depois também em São Paulo.

Adelina conta que seu avô tinha ótimo relacionamento com a direção dos Correios em São Paulo e lhe foi pedido que indicasse alguém para assumir a agência do serviço em Guarulhos, que estava sendo inaugurada. Ele indicou a própria filha, Helena da Silva, mãe de Adelina e casada com o agente fiscal de higiene Lino Antonio Nogueira, que também foi vereador em Guarulhos e denomina avenida paralela à via Dutra, na entrada da cidade.

O casal morava no Belenzinho e, como estava cansativo o deslocamento diário de Helena para Guarulhos para trabalhar no Correio, Lino pediu ao então chefe local da Saúde, o médico Roble Teixeira de Aquino, que fosse transferido para Guarulhos. Atendido o pleito, o casal alugou uma casa na rua Siqueira Campos. A jovem Adelina, acostumada no bairro paulistano, não se conformava com a mudança e começou a ficar com febre, cuja causa não era descoberta, até que se concluiu que era apenas tristeza, pois ela não tinha companhias na cidade. O irmão Almir estava estudando em seminário, pois dizia desejar ser padre. Consequência: os pais voltaram a morar no Belenzinho.

Tempos depois, a mãe começou a trazê-la consigo para o trabalho e ela, quando tinha 15 anos, acabou fazendo amizade com outras moças, muitas das quais frequentavam o Correio, porque namoravam por correspondência, o que era habitual na época. Adelina conta que junto com outras jovens participou da filmagem do filme “Sinhá Moça”, com Anselmo Duarte, na praça IV Centenário. Graças às amizades que fez, começou a frequentar o Clube Recreativo e acabou se acostumando com Guarulhos, para onde a família mudou e onde fincou raízes para sempre.
Os Correios precisaram de uma pessoa para dividir as tarefas de Helena, que sugeriu o nome de Adelina, o que foi aceito pela direção. A mãe trabalhava de manhã e ela à tarde. Durante alguns meses, atuou na instalação da agência da avenida Emílio Ribas, no Jardim Tranquilidade, para onde ia de trem. “Doces lembranças”, suspira.

Indagada sobre o comentado “footing”, paquera que consistia em rapazes andando pela rua D. Pedro II, entre a Igreja Matriz e a rua Luiz Gama, em um sentido e as moças no sentido inverso, ela confirma que isso era um hábito e que as meninas comentavam entre si quais eram os meninos com quem desejariam namorar. “A rua tinha poucos comércios, eram quase só residências. No fim da tarde, o Sr. Pedrinho passava acendendo as luzes da rua”, relembra. Depois que foi criado o bar Ponto Chic, era em frente ao estabelecimento que os rapazes se concentravam, enquanto as jovens passavam de um lado para o outro para serem observadas.
Adelina casou-se em 1960 e Heraldo preferiu que ela deixasse o trabalho, após nove anos na autarquia. O marido faleceu em 2006 e casal teve três filhos: Kátia, Heraldo Jr., conhecido como Lallo, e a temporã Vanessa.

A criação dos filhos é o grande legado de Terezinha

Terezinha Damato Nogueira morava em Santo Amaro, em São Paulo, mas quis o destino que ela viesse a conhecer seu futuro marido em um baile em Guarulhos. Era o ano de 1960, ela trabalhava na Esso. Almir Nogueira era contador na tecelagem Carbonell. Casaram-se em 1962. O pai dele, Lino Antonio Nogueira, foi vereador em Guarulhos, no início da década de 1960.
O período que ela mais gostou da cidade foi até 1985, pois todos se conheciam, as famílias se encontravam, amigos muito unidos, frequentavam-se mutuamente, em almoços e jantares.
Ela recorda dos bailes no Clube dos Bancários, onde muitos romances tiveram início.

Outra lembrança é das comemorações pela conquista do tricampeonato mundial pela Seleção Brasileira, em 1970. “Uma época muito boa, da qual me lembro com muita saudade e nostalgia”, diz.

Fatos marcantes em sua vida foram os nascimentos dos três filhos: Almir Júnior, Alexandre (Nande) e Sandro. Eles iniciaram os estudos no Colégio Claretiano. O marido, depois de formar-se em Ciências Contábeis, cursou Administração de Empresas e em Direito.

Criados os filhos, o casal buscou aproveitar o que a cidade oferecia em termos de diversão e convívio. Porém, chegou um momento em que os dois resolveram separar-se.

Terezinha assumiu para si a tarefa de criar os filhos “em voo solo”. Direcionou seu foco somente para os filhos, não voltando a se casar.

Seus esforços valeram muito, pois os três foram bem encaminhados e obtiveram êxito em tudo que se propuseram a fazer. Juntos, seus filhos fizeram história com a Roma Vídeo, que iniciou com uma loja, na avenida Paulo Faccini, cresceu, virou uma rede e representou na época uma das principais vídeolocadoras do país.

Almir Júnior empreende com a DMA – Damato Marketing Automotivo, com a qual mobilizar centenas de pessoas auxiliando concessionárias de veículos a conseguir expressivos resultados de vendas. Nande, depois de atuar com uma pizzaria no local onde o Roma Vídeo começou, mudou-se com a família para os Estados Unidos. Depois de participar no escritório de contabilidade do pai, que faleceu, em 2009, Sandro formou-se em Direito, especializou-se na área de proteção de dados, tema sobre o qual tem livros publicados. Cuida do Jurídico da DMA e contribui esporadicamente com as atividades.

Terezinha se sente com a missão cumprida. “Eu sempre quis ter uma filha menina. Deus não permitiu, mas para me compensar, vieram logo cinco netas. Aí, minha história ficou completa”, conclui.

A tecnologia revelando a Guarulhos antiga

Em 2012, Sidney de Paula teve ideia de criar uma página no Facebook para que as pessoas pudessem postar fotos antigas de Guarulhos.

Nascido e criado em Guarulhos, Sidney sempre se interessou pela história da cidade, tornando-se pesquisador e historiador por paixão. Suas buscas pelo passado guarulhense remontam a 1850 e ele encontrou na rede social uma forma de ajudar a manter viva a história de Guarulhos, após colecionar muitas fotografias de tempos passados da cidade. Não teve dúvidas ao escolher o nome: fundou o Grupo Guarulhos Antiga.

A página conquistou muitos adeptos e cresce continuamente, contando já com mais de 20 mil membros e um acervo de quase 30 mil fotos da cidade, bem como textos e relatos de moradores, pessoas que viveram em Guarulhos ou têm estreita relação com o município. Sidney afirma ter como lema “O homem que não conhece seu passado não escreve o seu futuro”. Para participar do grupo, são regras básicas: ter algum vínculo com a cidade e as fotografias não podem ser postadas com finalidade político-eleitoral, nem para vender alguma coisa.
Alguns encontros anuais foram promovidos, reunindo seguidores. A pandemia impediu que outros fossem realizados. Mas, estão ansiosos por novas oportunidades.

O interesse de Sidney pelas coisas antigas de Guarulhos foi despertado pela música “Trem das onze”, de Adoniran Barbosa, imortalizada pelos Demônios da Garoa. Sidney apurou que o tal trem era o que vinha para Guarulhos e que as onze horas a que compositor se referia era o horário em que o último trem ia de volta da Base Aérea para São Paulo, pois Adoniran costumava vir a Guarulhos para beber com amigos e encontrar uma namorada.

Sidney comenta que onde é a chamada Casa Amarela, na praça Prefeito Paschoal Thomeu, parte da antiga IV Centenário, funcionava a estação de Guarulhos e um bar chamado Recreio Guarulhos, frequentado por Adoniran.

Em suas pesquisas, ficou sabendo de muitas histórias pitorescas, geralmente contadas por pessoas idosas. Conta-se que D. Pedro II passou algumas vezes por Guarulhos, chegando a pernoitar na cidade. Uns falavam de um fogo que aparecia na praça IV Centenário; outros que no ginásio estadual Capistrano armários apareciam abertos, um piano tocava sozinho e luzes acendiam e apagavam constantemente, fenômenos atribuídos ao fato de haver sepulturas na parte debaixo da construção da escola.

Sidney faz reparos a alguns dados conhecidos: afirma que a Igreja de N. Sra. dos Homens Pretos, demolida em 1930, não ficava onde foi assinalado no piso do calçadão da rua D. Pedro II, mas perto dali, à frente de onde está uma loja do Magazine Luíza.

Nicinha guarda lembranças de sua infância

Eunice Aparecida Silva dos Santos veio para Guarulhos com 5 anos de idade. É conhecida nas redes sociais como Eunice Nicinha, forma carinhosa como as pessoas costumam chamá-la. Participativa e animada, recebeu com alegria a proposta de Sidney para ajudar na administração da página Guarulhos Antiga.

Sobre a época em que veio para Guarulhos, conta que um misto de pesar e esperança permeava os corações de seus familiares naquele 12 de agosto de 1964. “Deixamos nossa terra boa e produtiva rumo ao desconhecido. Eu olhava assustada para a várzea onde descemos e pensava ‘Aqui que é Guarulhos?’. Meu pai não olhou pra trás, não lamentou por deixar nossa terra para a Hidroelétrica de Furnas, mas foi avante com o apoio da nossa mamãe e começando do zero, tudo de novo aos 49 anos! A promessa de receber indenização pela área não se cumpriu, porque falsificou a assinatura de meu pai e recebeu indevidamente no lugar dele”, relata.

Segundo Nicinha, seu pai era um comerciante que doava alimentos para quem não podia pagar. Como eram tempos difíceis, ajudou a matar a fome de muitos. Além dessa característica caridosa do pai, ela se lembra da figura de Waldomiro Pompêo, dono de uma serraria perto da via Dutra, onde sua mãe buscava serragem para usar no fogão. Ele veio a ser prefeito da cidade por duas vezes e até hoje é lembrado de forma positiva. Ela cita também com saudade do chafariz da praça Getúlio Vargas, cita um descarrilhamento que foi muito comentado e a última viagem do trem que servia à cidade.

Eunice trabalhou na Prefeitura por 30 anos, 13 dos quais como chefe da Divisão de Compras, na área da Saúde. “Eu me aposentei na UBS Cavadas, como sempre desejei”, conclui.

Sérgio Riganelli postou 2 mil fotos

Com intensa participação na página Guarulhos Antiga, Sergio Riganelli foi convidado por Sidney de Paula para ser um dos administradores da rede social, junto com Eunice Silva Santos, a Nicinha. Calcula-se que nada menos de 2 mil fotos do acerto da página tenham sido postadas por Sergio.

Ele reside em Guarulhos desde que nasceu, em 1960, inicialmente na avenida Monteiro Lobato esquina com rua Luiz Faccini, onde seu pai tinha uma oficina de rádios e outros aparelhos, vizinha a uma lavanderia. Ali posteriormente foi construído um prédio que abrigou o INSS e, por um tempo, a OAB.

Em 1966, mudaram-se para o Taboão, onde existe o Cemitério Primaveras I. Em 1968, foram para uma casinha, numa chácara, na rua Itaverava, região central, onde é hoje uma agência do Banco Itaú, até que seu pai comprou um sobrado vizinho, proximidades com o córrego dos Cubas. Porém, quando a Prefeitura foi abrir a avenida Paulo Faccini, surgiu um impasse, porque o sobrado e outras casas impediam a construção. Fotos mostram a obra parada em um sentido e no outro, pois os proprietários recusavam a indenização que se pretendia pagar. Por fim, a questão judicial foi resolvida em favor da Prefeitura e a família teve de deixar o imóvel, que foi demolido. Os Riganelli estavam entre os últimos a se mudar para dar lugar às duas pistas dessa que se transformou em uma das vias públicas mais importantes da cidade.

Com intensa participação na página Guarulhos Antiga, Sergio Riganelli foi convidado por Sidney de Paula para ser um dos administradores da rede social, junto com Eunice Silva Santos, a Nicinha. Calcula-se que nada menos de 2 mil fotos do acerto da página tenham sido postadas por Sergio.

Ele reside em Guarulhos desde que nasceu, em 1960, inicialmente na avenida Monteiro Lobato esquina com rua Luiz Faccini, onde seu pai tinha uma oficina de rádios e outros aparelhos, vizinha a uma lavanderia. Ali posteriormente foi construído um prédio que abrigou o INSS e, por um tempo, a OAB.

Em 1966, mudaram-se para o Taboão, onde existe o Cemitério Primaveras I. Em 1968, foram para uma casinha, numa chácara, na rua Itaverava, região central, onde é hoje uma agência do Banco Itaú, até que seu pai comprou um sobrado vizinho, proximidades com o córrego dos Cubas. Porém, quando a Prefeitura foi abrir a avenida Paulo Faccini, surgiu um impasse, porque o sobrado e outras casas impediam a construção. Fotos mostram a obra parada em um sentido e no outro, pois os proprietários recusavam a indenização que se pretendia pagar. Por fim, a questão judicial foi resolvida em favor da Prefeitura e a família teve de deixar o imóvel, que foi demolido. Os Riganelli estavam entre os últimos a se mudar para dar lugar às duas pistas dessa que se transformou em uma das vias públicas mais importantes da cidade.

A atuação sindical de Walter dos Santos

A história do Sindicato dos Comerciários de Guarulhos e Região se confunde com a de seu presidente, Walter dos Santos, que está há mais de 50 anos à frente da entidade, fundada em janeiro de 1964, pouco antes de eclodir a revolução militar. Se não tivesse sido aprovada a criação logo no início do ano, pelo Ministério do Trabalho, fatalmente não teria sido possível se fosse depois de 31 de março.

A fundação do Sindicato dos Comerciários surgiu por necessidade da categoria e pelo empenho de um grupo que não mediu esforços até conseguir seu objetivo. Uma fase dessa jornada foi a criação da Associação Profissional dos Empregados no Comércio de Guarulhos, que teve como presidente Júlio Augusto Soave.

Consta que, da fundação da associação provisória ao reconhecimento do Sincomerciários, foram 14 meses de luta organizativa e de enfrentamento com setores contrários à organização da categoria.

Nos primeiros anos, Walter não fazia parte da diretoria do Sindicato. Ele conta como passou a participar: “Eram poucos que queriam exercer cargos nos sindicatos, por causa do Regime Militar. As pessoas tinham medo de assumir posições. Como eu escrevia a máquina, fui nomeado secretário em 1966.”

Conquistas

Ao longo dos 57 anos de existência, o Sincomerciários registra inúmeras conquistas. Em 1976, inaugurou uma sede, na rua XV de Novembro. Vinte anos depois, a sede própria, na rua Morvan Figueiredo, e, também, a sede campestre, em Santa Isabel. em 2003, o pesqueiro, ao lado da sede campestre

Além da estruturação da entidade, Walter enumera conquistas no campo dos direitos trabalhistas: “Cada campanha salarial é uma batalha, porque não é fácil negociar, debater, com um número tão grande de patrões. Mesmo assim, nosso Sindicato pode se orgulhar de conseguir, ano após ano, obter os melhores reajustes da categoria, além de garantir outros direitos, servindo de modelo para entidades de outras cidades e até de outros estados”, comenta.

Um pesadelo para a classe trabalhadora, nas palavras do presidente é que as novas tecnologias no setor industrial expulsam força de trabalho, aumentando o exército de desempregados. Uma parte é absorvida nos setores de comércio e serviços, na maioria das vezes recebendo salários menores.

Internet vilã

Passa o tempo e as novidades ameaçam também o emprego dos comerciários, substituídos pelas vendas via internet, acarretando um volume imenso de lixo das embalagens, que acabam entulhando os aterros sanitários, pois nem todas as famílias têm consciência para separar e dar destino correto ao que é reciclável. É inevitável que Walter compare com o passado: “No período das casas de secos e molhados, os fregueses levavam suas embalagens para trazer as compras e os produtos eram vendidos a granel. Não se gastava quase nada com embalagens e o meio ambiente não era tão castigado. E o comerciário não era substituído por computadores”, desabafa.

De acordo com Walter dos Santos, o único caminho a seguir é ter consciência coletiva, organização nos locais de trabalho e mobilização social. “A diretoria do Sindicato não tem poder para resolver, sozinha, todos os problemas da categoria. Precisa da participação organizada dos comerciários. O Sindicato é uma ferramenta. Os comerciários são o motor capaz de movimentar o comércio e mudar os rumos da história da categoria”, afirma.

Walter Fuso viveu no Cecap seu melhor tempo

Segundo morador a mudar-se, em 1974, para o Condomínio Paraná, no Parque Cecap, Walter Fuso fez história no conjunto residencial. Foi síndico de seu condomínio por muitos anos e um dos fundadores do Conselho Comunitário, o clube do Cecap, do qual foi presidente por vários mandatos, tendo exercido funções também nos conselhos Deliberativo e Fiscal.

Ele conta que quando foi morar no Condomínio Paraná acompanhou conflitos com jovens do Condomínio São Paulo, que foi o primeiro a ser povoado, em 1972. “Talvez por ciúme de quem estava chegando pra morar no bairro; sei lá quais motivos…”, comenta. Porém, graças a alguns abnegados do SP, a paz foi selada. Cita alguns nomes desses pacificadores, com receio de esquecer de algum e justificada saudade, pois todos já são falecidos: Hercílio Rossini, Oswaldo Eufrásio, Jamir Temer, Paulo Carrilho, João Rosa de Pinho e Júlio Travassos.

Lembra-se que, no começo, os moradores serviam-se de barracas que vendiam gêneros alimentícios essenciais e até leite fresco, produzido por vacas que eram criadas nas imediações. Aos poucos, outros condomínios foram sendo construídos, a população se organizando e conquistando melhorias, com muito sacrifício.

Conta que o Conselho Comunitário teve a primeira sede na pequena casa ao lado do campo de futebol, apelidado de Panelão, atrás dos condomínios Paraná e Rio Grande do Sul, porque o clube construído pela Secretaria estadual de Promoção Social nunca era inaugurado. Depois de muito esperar providências, formaram um grupo de umas 30 pessoas, quebraram os cadeados e encontraram, prontos para uso, o belo ginásio de esportes, uma piscina semi-olímpica e outra infantil. Mais algum tempo e, com apoio dos próprios frequentadores, foram feitas novas construções e melhorias. A entidade, representando a população, sediou importantes eventos, jogos, shows com artistas famosos e encabeçou campanhas pelo atendimento de diversas reivindicações para o bairro.

Por algum tempo, Fuso foi assessor do vereador Geraldo Celestino, procurando contribuir com a cidade de alguma forma, porque entende que Guarulhos cresceu muito sem planejamento.
Mudou-se do Cecap por razões de saúde, para residir em casa térrea e posteriormente no litoral, “mas com o coração apertado”. Ainda assim, continuou a frequentar o conjunto, por ter ainda ali muitas amizades. “Passei no Parque Cecap os melhores anos da minha vida; tenho muita saudade”, sintetiza.

Isaíra Testae Freitas e sua forte ligação com Guarulhos

A história de Isaíra Testae Freitas, 84, se mistura um tanto com a da cidade. Nascida em Guarulhos, em 1937, faz parte da tradicional família que deu origem à banda Lira, hoje com 113 anos de atuação e utilidade pública do município. A família Testae – ou Testai – tem a sua história registrada em bairros e ruas da cidade.

É filha única de Benedito Alves Ferreira e Joana Testae Ferreira, também guarulhenses. Por parte de pai, sua família era possuidora de terras no então bairro dos Alves, que deu origem ao Parque Cecap. No entanto, por causa das jogatinas, seu pai acabou por perder tudo.

Foi casada com João da Costa Freitas, o “professor Joãozinho”, com quem teve quatro filhas: Laurici, Paula, Cláudia e Patrícia. Ele foi uma importante figura para o esporte da cidade, um dos idealizadores da Olimpíada Colegial de Guarulhos e articulador para a cessão da área para construção da ACM.

Amor sem medida por Guarulhos

Isaíra afirma ter imenso amor pelo município, e relembra ter discutido com uma amiga querida, ao ouvi-la criticando a cidade.

Se pudesse voltar no tempo, cita que gostaria de ouvir novamente a banda Lira tocando no coreto que existia em frente à Igreja Matriz. Relembra com saudosismo da época na qual a boiada passava pelas ruas centrais da Guarulhos, que ainda se desenvolvia; o Jardim Maia era uma grande fazenda: os bois atravessavam as ruas centrais para seguir em direção ao matadouro – nas proximidades de onde se situa a empresa Aché.

Lembra-se dos tempos de infância, quando “visitava” a chácara da família Brancaleone, de onde, junto de seus amigos, apanhava frutas como uvaia e pitanga, e precisava fugir dos proprietários que corriam atrás da criançada. 

Conta que a primeira rua a ser calçada foi a Luiz Gama, por causa da chegada da primeira agência bancária, ali instalada. Foi nessa importante via que Isaíra nasceu.

Um lugar que gostava de frequentar era o “Armazém do Seu Nelusco”, onde comprava guloseimas e demais alimentos; um dos poucos locais para se frequentar em uma cidade ainda em desenvolvimento.

Isaíra reafirma com orgulho o seu amor por Guarulhos e pela família, e não se cansa de contar boas histórias, falar das muitas amizades que fez, as festas das quais participou, os desfiles do Lions Clube e muito mais.

Rua D. Pedro II era onde tudo acontecia

Norma Zacharias Saraceni nasceu em Guarulhos, na rua D. Pedro II. É filha de João Zacharias – que dá nome a uma rua no Macedo – e de Amalin Zacharias. Os pais casaram-se – ele com 30 anos, ela com apenas 17 – e em seguida vieram do Líbano para o Brasil.
Não falavam português, mas assim como ele havia aprendido russo e outras línguas, adaptaram-se facilmente ao idioma local. Passaram a morar em Guarulhos, em uma casa alugada na rua D. Pedro II, até que ele comprou um terreno na mesma via, construiu uma casa no fundo com o salão na frente e instalou uma loja de tecidos e armarinhos.
Na verdade, Amalin cuidava do comércio, costurava roupas e as vendia, enquanto o marido gostava de escrever poemas. Aproveitava o miolo de papel das peças de tecido para anotar tudo que lhe vinha à cabeça. Conseguiu editar vários livros de poesias, em árabe, e saía viajando, vendendo exemplares para pessoas da colônia.

Norma conta que o sossego da rua era tal, que as crianças podiam brincar livremente na via pública. Saíam correndo quando vinha passando a boiada. Seu pai era muito carinhoso com as crianças e o lazer dele era ir pescar no rio Tietê.

Ela conta que estudou na Grupo Escolar Capistrano de Abreu e dois anos no Conselheiro Crispiniano. Transferiu-se posteriormente para o Ateneu Rui Barbosa, no bairro da Penha, e fez o curso Normal (Magistério) no Colégio Paulistano, em São Paulo. Formada professora, lecionou por alguns meses em Ilhabela, para onde a família mudou-se temporariamente. De volta a Guarulhos, foi professora do curso primário da Escola Estadual Paulo Nogueira, até aposentar-se.

Indagada sobre os passeios que faziam, cita os de trem, idas ao lago de Vila Galvão e a chácaras de famílias amigas na região do Cocaia, além de viagens a Campos do Jordão e Santos. No cotidiano, o lazer era concentrado na rua D.Pedro II, onde estava o Clube Recreativo, o cinema e ali também rapazes e moças praticavam o “footing”, em um ir e vir, trocando olhares e fazendo amizades.

Conheceu o marido, Ronaldo Beltran Saraceni, no Recreativo. Tiveram três filhos: Ronnie, Gisela e Rodrigo; três netos – Leonardo, Bruno e Mariana – e um bisneto, Leozinho, que está com 13 anos. Ronaldo Saraceni foi funcionário da Prefeitura de Guarulhos, chegando a exercer função de diretor de Educação e de chefe de gabinete do interventor Jean Pierre Herman de Moraes Barros; foi estabelecido por muitos anos com a loja Guaru Sport. Faleceu em 30 de março de 2021.

Norma escreveu e publicou o livro “Nuances de uma rua”, contando essas e outras peripécias de sua infância. Teve aulas de piano com a professora Maria Brand de Oliveira Arruda, mas não seguiu os estudos. João Zacharias faleceu muito novo e Amalin viveu até os 104 anos.

Um dos últimos shows de Adoniran Barbosa

Oswaldo Pavanello tinha 20 anos de idade, em meados da década de 1980, quando ele e seu irmão Laércio e o sócio André Medeiros, promoveram na FIG (Faculdades Integradas de Guarulhos), um show com Adoniran Barbosa e Clementina de Jesus, além do Grupo Talismã.

A presença dos dois artistas reuniu grande público e foi o último show que eles fizeram juntos, porque algum tempo depois Clementina faleceu e o autor de Trem das Onze, também. Presume-se que tenha sido um dos últimos shows de Adoniran.

Os direitos desse show foram vendidos para a TV Cultura e a lendária apresentação está disponível também no YouTube, em dois links: youtu.be/9BlN4x7Z8EE e youtu.be/jUxXYhOT-zk.

Baile do Vermelho e Preto deixou saudades

A apresentadora Malvina Russo não poderia imaginar que o Baile do Vermelho e Preto, que promoveu no Clube Recreativo em fevereiro de 2020, seria praticamente o último evento por um longo período, porque pouco depois veio a pandemia do novo coronavírus, o que impediu que eventos semelhantes viessem a ser realizados.

Ela cita um fato marcante: o amigo Marco Antonio Serra Pinto estava adoentado e fez questão de participar, com a esposa, Rose Testoni, pela oportunidade de reencontrar os amigos, vindo a falecer pouco tempo depois. O baile, que reuniu muita gente, convertendo-se em pleno sucesso, serviu para que todos, sem saber, estivessem se despedindo dele.

Malvina torce para que, finalmente, a pandemia realmente acabe e que as pessoas possam voltar a conviver. “Precisamos celebrar a vida. Saúde é o melhor que podemos desejar a todas as pessoas”, finaliza.

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