segunda-feira, 15 agosto 2022
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CPS compartilha histórias de figuras femininas na ciência

 

Promover oportunidades, incentivar o acesso ao conhecimento e fortalecer o compromisso de igualdade entre gêneros são alguns dos motivos que levaram a Assembleia Geral das Nações Unidas, um dos principais órgãos da Organização das Nações Unidas (ONU), a declarar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, comemorado em 11 de fevereiro. O Centro Paula Souza (CPS), maior instituição pública de ensino profissional da América Latina e reconhecido também como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), estimula o ensino da ciência e celebra a data compartilhando a história de algumas meninas e mulheres que fazem parte da comunidade acadêmica.

A força feminina

A ligação da professora da Escola de Técnica Estadual (Etec) Trajano Camargo, de Limeira, Gislaine Aparecida Barana Delbianco começou muito antes de ela compartilhar seus conhecimentos com os alunos em sala de aula. Foi nesta unidade, como aluna do curso técnico de Nutrição, que ela teve primeiras experiências com a área científica.

Gislaine conta que desde o início do curso já sabia que não queria trabalhar na área administrativa, destino comum para as mulheres na época, mas, sim, na produção. “Passei em um estágio em uma grande fábrica e no dia em que entrei no laboratório descobri que aquele seria o meu trabalho por toda a vida: a química. Assim que me formei no técnico, ingressei na faculdade para fazer o curso de Química e segui estudando e trabalhando na fábrica.”

Em 1985, ao trabalhar na produção, ela foi na contramão da demais meninas que eram contratadas pela empresa. “Eu só sai daquela função porque me casei, e, naquela época, mulheres casadas não eram permitidas naquele setor da fábrica. Quando me casei, ganhei de presente a demissão”, brinca.

Mas a ciência era uma paixão. Ela entendeu que poderia exercer a atividade de outra forma e ainda se tornar um exemplo nas salas de aula para outras meninas. Foi quando recebeu o convite da Etec Trajano Camargo e contribuiu na implantação do técnico em Química na escola, onde ainda desempenha um importante papel: “Descobri que como professora seria possível mudar muita coisa no mundo da ciência e mostrar a força da mulher nesse meio”.

Fonte de inspiração

Vitória Ventura sempre teve curiosidade para frequentar laboratórios, realizar experimentos e conduzir suas próprias pesquisas. Depois de se formar no curso técnico de Química integrado ao Ensino Médio na Etec de Limeira, agora estuda Geologia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A estudante sabia que um curso técnico lhe daria conhecimento e oportunidades e se surpreendeu positivamente. “Percebi que a ciência poderia ser muito mais ampla do que entendia. Na Etec existe uma cultura forte de projetos, feiras científicas e pesquisas. No primeiro ano, fizemos um trabalho de grupo sobre astronomia, homenageando Galileu Galilei.” O projeto acabou apresentado em escolas do Ensino Fundamental. “Foi quando plantei uma semente para espalhar ciência por aí”, conta Vitória.

Para compartilhar os conhecimentos conquistados e incentivar mais pessoas, ela também mantém um projeto de divulgação e incentivo na área científica: o perfil de Instagram Yo Cientificx, que leva ciência a crianças e jovens. “Talvez eu possa ser a inspiração para mais gente, assim como fui criando minhas referências”, diz Vitória, que já elabora um projeto de história em quadrinhos infantil, para um programa de voluntariado. “Levar leituras de assuntos científicos para crianças na escola pode despertar a curiosidade sobre o tema”, acredita.

“As meninas não precisam ter cara de cientista, não existe um perfil, não existe um padrão. A ciência de mais impacto é gerada quando os grupos são mais diversos. É preciso atingir igualdade para que todos possam coexistir no espaço da ciência.”

Paixão pela astronomia

Com participação em várias feiras e desafios científicos, Anita Fernandes de Siqueira, medalhista nas Olimpíadas Científicas, pretende ingressar no curso de Astronomia da Universidade de São Paulo (USP), assim que concluir o terceiro ano do técnico de Eletrotécnica Integrado ao Ensino Médio, na Etec Bento Quirino, de Campinas.

Nascer em uma família de professores a levou a criar uma forte ligação com os estudos. E a escola reforçou seu interesse por disciplinas nem sempre atraentes na infância. “Os professores do ensino fundamental eram mais abertos e nos incentivavam pensar e fazer projetos incríveis.”

A paixão pela astronomia também começou na infância, quando Anita ganhou da mãe adesivos de planetas. “Gosto de literatura e de outras áreas do conhecimento, mas a ciência sempre foi fascinante. E a astronomia é a área da ciência que mais me interessa.”

Sobre o futuro nos estudos, Anita sabe que “será um curso difícil e complexo, com muita física, matemática e coisas que nem imagino. Mas vai me ajudar entender o que hoje eu não entendo”. As possibilidades que a formação profissional pode oferecer no futuro estão no radar da estudante. “Pretendo fazer algum intercâmbio”, ela diz, certa da necessidade de tornar a ciência acessível.

E como aumentar a presença feminina na ciência? Para Anita está claro: “É essencial que haja incentivo de toda a comunidade, de maneira a inspirar mais meninas e as tratar como capazes. É preciso criar oportunidades para que elas participem de olimpíadas, criem projetos, se envolvam na iniciação científica e em feiras de ciência. Isso não se faz somente com o incentivo, mas com políticas públicas de inclusão”.

CPS reconhecido como ITC

A validação do compromisso do Centro Paula Souza (CPS) como instituição que fomenta, apoia e incentiva práticas científicas foi a conquista do título de Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), em setembro de 2021. O reconhecimento veio do Conselho das Instituições de Pesquisa do Estado de São Paulo (Consip).

O título promove um salto no desenvolvimento de processos, serviços e produtos – tanto no que se refere à aprendizagem em sala de aula quanto nas práticas profissionais, em colaboração com os setores produtivos. Esse momento tem grande importância para o CPS e destaca o empenho da instituição em atuar na raiz da inovação, na formação das mentes inovadoras.

Com o reconhecimento, o CPS figura, agora, entre os órgãos de pesquisa do Estado de São Paulo, como o Instituto Butantan, o Instituto Adolfo Lutz, o Hospital Emílio Ribas e as universidades estaduais, entre outros. “Ao nos tornarmos um ICT, passamos a nos beneficiar das políticas de inovação do Estado de São Paulo, mas, principalmente, também a contribuir de forma mais efetiva com a formulação e a implantação dessas políticas”, explica a diretora-superintende do CPS, Laura Laganá.

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