O engenheiro Plínio Tomaz, um dos mais experientes estudiosos e autores brasileiros sobre tudo que se refere à água e membro da Academia Guarulhense de Letras, enviou à Redação do portal Click Guarulhos uma informação a respeito de um dispositivo desenvolvido por estudantes brasileiros, premiados pela Nasa, porque esse mecanismo seria capaz de retirar microplásticos da água do mar, acoplado a embarcações. Não deixa de ser uma boa notícia, mas é algo muito modesto diante de um problema de ordem mundial, pois é impraticável tentar purificar a água do mar dependendo de equipamentos atrelados a barcos ou outras embarcações.

Entramos em contato com o professor Plínio Tomaz para que ele nos fornecesse mais informações. Ele explicou que há evidências de que haja microplásticos até na água da chuva e no ar que respiramos, em áreas situadas a até 100 quilômetros em redor de centros industriais e áreas densamente povoadas, o que é preocupante para a humanidade. Mas adiantou que é um tema ainda pouco estudado e que o que se sabe até então são conjecturas, cujas certezas dependem ainda de muita pesquisa.
Autor de diversos livros, Plinio Tomaz faz parte dos pesquisadores que elaboram normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e ele informa que tem se dedicado a reunir informações para editar novas normas a respeito deste polêmico tema.
A partir daí, resolvemos elaborar esta reportagem, compilando informações disponíveis na internet, desde que oriundas de fontes confiáveis. Em resumo, o que se pode depreender é que o imenso consumo de plásticos de todo tipo, principalmente em embalagens, o que foi agravado durante a pandemia, pois cresceu significativamente o volume de compras pelos meios digitais, com entregas em domicílio, geralmente embaladas em plásticos, isopor, adesivos e outros materiais e ainda é pequeno o percentual dos consumidores que se preocupam em enviar essas embalagens para reciclagem.
O que são microplásticos?
Os microplásticos são partículas minúsculas. Genericamente convencionou-se que são menores de 0,5 mm, mas têm sido identificadas partículas menores de 5,5 microns; cada micron ou micra equivale a um milésimo de milímetro.
Segundo o site ciclovivo.com.br, cientistas da Universidade de Utah (Estados Unidos) conduziram um estudo em 11 parques nacionais dos EUA, durante 14 meses. Foram identificados vários tipos de microplásticos e material particulado (PM) e cerca de 4% das partículas atmosféricas analisadas correspondiam a polímeros sintéticos. “Na região analisada, o oeste dos Estados Unidos da América (EUA), pesquisadores estimam que a chuva traga mil toneladas de microplásticos por ano”, diz o estudo. O passo seguinte foi investigar a origem desse material e a conclusão é que os microplásticos são principalmente provenientes de fontes de emissões secundárias; 84% dos fragmentos vieram das estradas, 11% dos oceanos e 5% dos solos agrícolas. “Os microplásticos estão sendo encontrados nos locais mais remotos do planeta e até mesmo em órgãos humanos e alimentos, como frutas e vegetais. E estão caindo do céu, misturados com a chuva”, completa o site.
A revista científica Science Advances publicou uma pesquisa do Instituto Alfred Wegener, na Alemanha, apontando que está literalmente nevando microplásticos. Na tentativa de descobrir exatamente como os microplásticos são transportados por grandes distâncias, eles pegaram amostras de lugares que deveriam estar relativamente livres do plástico.
Foram incluídos os blocos de gelo do Ártico, um arquipélago norueguês chamado Svalbard e os Alpes suíços. Os cientistas ficaram assustados com os resultados. Por litro de neve no Ártico, eles encontraram 14.400 partículas de microplástico . Em partes da Europa, encontraram até 154 mil partículas por litro.
Variando em tamanho de 11 micrômetros a 5 milímetros, a maioria dos detritos que sobraram era de verniz, borracha e outros tipos de plástico. A equipe diz que, como o pólen das plantas, os pequenos pedaços de plástico são puxados para o ar e movidos milhares de quilômetros antes de cair com a chuva e a neve.
“Até o momento, praticamente não há estudos investigando a extensão em que os seres humanos estão sujeitos à contaminação por microplásticos”, disse a autora do estudo, Melanie Bergmann. “Mas, uma vez que determinamos que grandes quantidades de microplástico também podem ser transportadas pelo ar, isso levanta naturalmente a questão de se e quanto plástico estamos inalando”, raciocinou.
Partículas em pulmões e em placentas
Um dado muito preocupante resultou de um estudo realizado pelo Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e liderado pelo engenheiro ambiental Luís F. Amato Lourenço em seu pós-doutorado, com amostras coletadas em 2019.
A publicação do portal UOL cita que é um achado científico inédito no mundo e aponta que nove tipos de microplásticos foram detectados em pulmões humanos. Foram fragmentos submilimétricos em tecidos pulmonares de 13 indivíduos, obtidos em autópsias, numa amostragem de 20 indivíduos. Eram partículas menores do que 5,5 e fibras que variavam de 8,12 a 16,8 microns.
O que diz a OMS
Em seu primeiro relatório sobre a questão, a Organização Mundial da Saúde informa que descobriu que partículas maiores e a maioria das menores passam pelo corpo sem serem absorvidas. Mas que as descobertas foram baseadas em “informações limitadas”, e exigiu mais pesquisas. ‘Precisamos urgentemente saber mais sobre o assunto”, disse o órgão da ONU. Bruce Gordon, da OMS, em entrevista à BBC News em 2018, comprometeu-se a iniciar pesquisas mais amplas.
Ainda que não disponha por enquanto de dados mais concretos sobre os malefícios dos microplásticos à saúde humana, a OMS considera a poluição por plástico um problema urgente e aconselha reduzir o uso de plásticos sempre que possível e melhorar os programas de reciclagem.

Plinio Tomaz sintetiza o problema informando que especialistas de todo o mundo são unânimes em afirmar que as pessoas precisam encontrar meios de usar menos plásticos. Enquanto isso não acontece, é preciso ter consciência e ensinar as crianças desde pequenas a reciclar todo e qualquer tipo de plástico. E algo fundamental: todos precisam ter claro que nenhum material deve ser jogado nas ruas, pois tudo vai para a boca de lobo, dali para o córrego, para o rio, para o mar e termina no ar, voltando para o ser humano em forma de poluição de todos os tipos, inclusive em partículas de microplásticos.
Guarulhos agora dispõe de coleta seletiva em muitos bairros. Mas, mesmo onde ainda não haja esse serviços, materiais recicláveis podem ser entregues em ecopontos e há centenas de pessoas vivendo de reciclagem, às quais podem ser doados esses resíduos.
Referências:
UMA DECISÃO IMPORTANTE FOI TOMADA NA ONU NESTE 2 DE MARÇO
Segue link de reportagem publicada no G1 nesta quarta-feira, 2/3:

