quarta-feira, 25 maio 2022
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Mães do coração

 

Mais do que aceitá-los, elas os desejaram e os acolheram

A edição do mês de maio da Weekend presta uma homenagem a mulheres que adotaram filhos, tivessem já sido mães ou não. Por razões diversas, elas buscaram o amparo legal, prepararam a documentação exigida e ficaram na fila, aguardando a oportunidade de acolher quem precisava de uma família para chamar de sua.

Nas páginas seguintes, cada uma delas conta sua história, que, invariavelmente, fala de carinho, de amor, de compreensão e compartilhamento. Ou de expectativa, como é o caso de quem ainda está à espera de concretizar seu sonho.

Cerca de 5 mil crianças e adolescentes esperam para ser adotados no Brasil, apesar de haver mais de 32 mil pretendentes à adoção, aponta o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A grande maioria das crianças que podem ser adotadas tem mais de sete anos, enquanto aqueles que estão na fila para adotar desejam crianças mais novas.

Adote um Boa Noite

Para estimular a chamada adoção tardia, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) tem o programa Adote um Boa-Noite, que tem foco no atendimento a crianças e jovens com mais de sete anos ou com alguma deficiência. Desde outubro de 2017, o site divulga fotos e relatos de crianças e adolescentes acolhidos pelo Poder Judiciário.

Desde seu lançamento, o programa concretizou 25 adoções. Outros seis adolescentes que não participavam do Adote um Boa-Noite foram adotados por pessoas atraídas pelo projeto.
Atualmente, há 30 processos de adoção em andamento pelo programa. Para saber mais a respeito, acesse: www.tjsp.jus.br/AdoteUmBoaNoite

Família acolhedora

A adoção é um processo judicial regido pela Estatuto da Criança e do Adolescente. Garante o direito fundamental da convivência familiar e comunitária que permite que uma criança ou adolescente se torne legalmente filho(a) de uma família com a qual não tem laços genéticos. Essa medida só pode acontecer quando se esgotarem todas as possibilidades de retorno à família biológica ou extensa (avós, tios, etc). O processo é definitivo e irrevogável e os direitos do filho adotivo são os mesmos de um filho consanguíneo.

Já o Acolhimento Familiar é uma medida protetiva excepcional e temporária; o prazo determinado máximo é de dois anos. É empregado para acolher crianças e adolescentes em situação de risco social (seja por negligência, abandono ou abusos) em uma família, até que sua situação seja definida: que seria o retorno à família de origem, encaminhamento para família extensa (tios ou avós biológicos, por exemplo) ou adoção.

Em Guarulhos, a Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social mantém convênio com o Instituto Forti, que atua no Programa Família Acolhedora. Segundo a coordenadora, Caroline Carvalho, as famílias interessadas passam por um curso de capacitação e são orientadas sobre os preceitos legais que envolvem o acolhimento. Não podem ter se inscrito no Cadastro Nacional de Adoção, nem ter interesse em adoção, pois a proposta é reintegrar a criança à sua família de origem ao término do programa.

O Instituto Forti está instalado na rua Josefina, 215, Vila Progresso. Contatos pelo tel. 4803-6121. Mais informações sobre o Programa podem ser obtidas acessando o site www.familiaacolhedora.org.br ou www.guarulhos.sp.gov.br/article/guarulhos-busca-interessados-em-participar-do-programa-familia-acolhedora

Adoção em dose dupla

Elaine e Sérgio já eram casados há 17 anos e não tinham filhos. Sentiam que faltava algo para completar a felicidade do casal.

Ela estava com 39 anos e sempre nutrira em seu coração o desejo de ser mãe. “Escolhi a adoção e não a inseminação, pois o desejo de ser mãe era maior do que gestar”, afirma.
Elaine conta que o casal aguardava havia seis anos a oportunidade de adotar duas crianças, e, mesmo depois de tanto tempo de espera, foi pego de surpresa. “Ainda havia 57 casais na nossa frente; já estávamos decididos a mudar o perfil para um filho só, quando na mesma semana em que iríamos mudar o perfil, o telefone tocou. Ficamos em choque, pois não estávamos preparados”, recorda.

Eram duas meninas, irmãs biológicas, disponíveis para que as adotassem: a Manu tinha 3 anos e a Lore, 1 ano. “Poderíamos ter dito não e esperar mais um pouco para receber uma criança só. Mas, quando sentimos que elas foram escolhidas por Deus, nos abrimos e dissemos sim a essas duas crianças. Foi muito desafiador e difícil no início, mas valeu e tem valido a pena a cada dia”, comenta.

Perguntada se elas sempre souberam que foram adotadas, Elaine responde: “A Manu sim. Até pela idade, ela tem lembranças, não muito boas, infelizmente. Mas, com muito amor e terapia, ela cresce muito bem resolvida com sua história. A Lore ainda está entendendo; contamos a ela que nasceu do nosso coração; não nasceu de nós, mas para nós. E à medida que ela permite, tocamos no assunto, com muito respeito à história delas, sem passar tristeza e, sim, segurança e acolhimento”.

Hoje, Manu tem 6 anos e a Lore, 4 anos. Elaine e Sérgio vivem praticamente para elas, que participam de tudo na vida do casal. “Não dá para imaginar como seria sem elas, que nos completam plenamente”, diz Sérgio.

Bruna é apaixonada pelo enteado

“Quando Antônio me foi apresentado, foi amor à primeira vista: aqueles olhinhos preencheram meu coração. Eu me apaixonei, pois sempre quis ter a experiência de ser mãe de menino”, diz Bruna Vannucci Plaça, casada com Carlos Plaça; eles são pais de Isabella.
Antônio Carlos é fruto de um relacionamento anterior de Carlos e foi morar com o casal quando tinha de 7 para 8 anos.

Ela conta que desde sempre ele e Isabella – a Bella – são muito parceiros. “Muitos se surpreendem quando falamos que são mais que irmãos do coração, são irmãos de alma”, revela. Acrescenta que sua experiência com o Antônio, a quem chama carinhosamente de Totti, sempre foi recíproca. “Ele sempre foi muito carinhoso, é uma criança fácil de se apaixonar; sou extremamente apaixonada por ele”,

Antônio mantém contato com a mãe biológica, e as duas se dão muito bem. “Eu sou extremamente grata a ela por confiar seu amor da vida a mim para cuidar e amar. O mais lindo de tudo isso é nossa maturidade para ver que multiplicar amor é bem melhor do que dividir e foi assim que somamos e multiplicamos esse amor por ele, o que só fez bem. Ah! Se todos soubessem o quanto isso faz maravilhas na vida de uma criança”, comenta.
Ao contar sua história, Bruna deixa uma mensagem a todas as mães, mães de coração e madrastas: “O significado da palavra Mãe é amor, carinho, respeito, admiração e, acima de tudo, é algo a ser somado, é a base na vida de uma criança, e é com muito amor que divido minha história e do Totti para vocês se inspirarem a ser mães do coração.”

Zina tem no acolhimento sua essência

Zina Costa foi mãe aos 17 anos e já aos 19 terminou o relacionamento que mantinha. Sua filha, Cristiane, sempre dizia que queria um irmãozinho.

Quando Cris tinha 12 anos, Zina atuava em um trabalho social, quando recebeu em sua porta o bebê Éder, filho de uma mãe de quatro filhos, desesperada com a dificuldade de criá-los. Zina obteve inicialmente a guarda dele. Os demais irmãos foram acolhidos por outras famílias e tempos depois, foram voltando para a casa da mãe, Neusa, mas Eder foi efetivamente adotado pela família de Zina, que o acolheu com muito amor. Ela comenta que Eder trouxe uma alegria muito especial à família e que ele teve muita sorte, pois acabou tendo duas famílias e várias mães: Cris ajudava a cuidar dele e a mãe de Zina, Nair – a Naná – também logo se afeiçoou do menino. Ele mantém um relacionamento frequente com a mãe biológica e com os irmãos.

Zina menciona que Eder é uma bênção em sua vida, mora com ela, lhe faz companhia, ajuda nos cuidados com a vovó Naná e é muito amoroso e responsável. “Não tenho dúvida de que foi uma providência divina”, diz.

Cuidado e acolhimento sempre foram palavras muito presentes na vida de Zina, que se formou em Psicologia e fundou o Instituto Acolher, que promove cursos para berçaristas e para cuidadores de idosos, além de envolver-se em projetos sociais.

“Acho que cuidado é sinônimo de amor, de dedicação. E que eu nasci para isso. Meu maior prazer é ser mãe. Sou mãe da minha filha Cris e do Eder; fui, de certa forma, por algum tempo, mãe de meus irmãos mais novos, Solange e Júnior (em memória); e Deus me proporcionou vir a ser mãe da minha mãe, que nos últimos 12 anos sofre de Alzheimer. Eu cuido dela com todo carinho e ela até me chama de mãe”, conclui.

“Senti em meu coração que deveria cuidar dela”, diz Vera

Vera Lúcia Barbosa dos Santos tinha 41 anos de idade e já era mãe de duas meninas: Talita tinha 15 anos e Vitória, sete anos.

Um dia, conversando com seu ex-marido por telefone, ele comentou que cuidava sozinho da filha Ana Beatriz, de um ano de idade, porque não podia contar com a mãe biológica da menina, pois a mulher usava drogas. Assim, como precisava trabalhar, tinha de deixar a filha aos cuidados de uma vizinha.

Vera percebeu no tom de voz do ex-marido que ele estava triste com essa situação. Sentiu em seu coração o desejo de cuidar da criança. Conversaram a respeito e quatro dias depois, ele a trouxe e desde então Ana Beatriz faz parte de sua família.

Pela situação em que a mãe biológica vivia, perambulando pelas ruas, Ana já não a via há uns sete anos. Há cinco meses, a mãe faleceu, vítima de atropelamento na via Dutra.

“Ana Beatriz é uma bênção na minha vida e na de minha família. Está com 17 anos e cursa o último ano do ensino médio”, diz Vera.

Vidas que se encontram

A história de Pauline Machado, 48 anos, e de seu filho Alexandre, 21, começou há pouco mais de quatro anos.

O encontro dos dois foi em um abrigo para crianças e adolescentes em Curitiba, cidade onde Pauline mora com o filho, a mãe e a nora. Pauline conta que a ideia da adoção veio após o falecimento da avó e o pensamento em dar continuidade ao legado deixado por ela.
A jornalista e empreendedora Pauline sempre pautou a sua vida em trabalhos voluntários e foi exatamente em um deles, com uma atividade de incentivo e autoestima aos adolescentes em um abrigo, que conheceu o Xandi, como ela chama o filho.

“Em um desses encontros com os adolescentes estava o meu filho, mas eu ainda não sabia. Na minha cabeça ainda adotaria um menino de 8 a 9 anos. Até que um dia eu olhei pra ele e senti: Meu Deus, eu encontrei o meu filho. Ele é o meu filho”, diz.

Logo veio o pedido de adoção e pelo fato de ele ter 17 anos na época, todo o trâmite, entre a solicitação e adoção, saiu em tempo recorde. “Dei entrada em janeiro de 2018. Em fevereiro, o Xandi passou os fins de semana comigo. Em março obtive a guarda temporária e ele já estava em definitivo em minha casa. Em maio, a finalização do processo. E aí sim, meu filho legalmente”, conta.

Xandi morou no abrigo desde os 10 anos, após a perda dos pais. Quando os caminhos de Alexandre e de Pauline se cruzaram, veio a certeza de que o universo conspirava a favor. Além da identificação entre mãe e filho, Alexandre já veio com o sobrenome Machado de família.

Para Pauline a experiência de ser mãe do Alexandre é maravilhosa. “Somos muito amigos”, pontua. Ela lembra que quando conversaram pela primeira vez sobre a adoção, seu filho disse que queria ser adotado mas não sabia se ele saberia ser filho, porque não se lembrava mais de como era essa relação. “E eu respondi que estávamos quites, pois eu também nunca tinha sido mãe de humanos antes”, diverte-se Pauline, mãe de Alexandre e de quatro gatinhos.

E assim, os dois, mãe e filho, hoje estudantes universitários, aprendem diariamente, compartilham os mais variados sentimentos, com acertos e dúvidas, mas amor infinito. “Amo ser mãe do Xandi”, encerra Pauline.

Família encontrou na adoção um lindo caminho de amor

Em 1996, Elaine Cristina de Mello Lavecchia teve sua primeira gestação, quando nasceu seu filho Gustavo, fruto de seu primeiro relacionamento. Nutria o desejo de ser mãe novamente, mas passou por um divórcio sofrido e ficou 12 anos sozinha com o filho.

“Porém, Deus tinha uma nova história para nós. Contraí matrimônio novamente, com Flávio Ricardo Lavecchia Teixeira. Em 2011 e 2013, sofremos dois abortos espontâneos, que foram dolorosos, o que nos motivou a começar a acalentar o desejo da adoção”, relata.
Porém, só em 2019 o casal tomou a decisão de dar entrada na documentação para habilitar-se à adoção: “Entendemos claramente que Deus tem as formas e as maneiras de cumprir os planos d´Ele para cada um de nós. Oramos juntos, eu, meu esposo e meu filho e passamos a cuidar dos procedimentos legais para a adoção.”

Flávio tem ótimo relacionamento com Gustavo e o considera como filho. Quanto à decisão de adotar, diz: “Entendemos que era um plano de Deus. Então, encontramos na adoção que seria um lindo caminho de amor para realização de um sonho. Estamos na reta final de sermos habilitados pela Vara da Infância de Guarulhos. Ser pai de filho ou filha por adoção será um presente que vamos receber de Deus. Isso alegra muito o nosso coração. Estamos nos sentindo no processo de gestação”, brinca.

Elaine conta que, com a pandemia, tudo ficou mais lento nas repartições públicas e é extensa a documentação necessária. “Os trâmites são bastante burocráticos”, comenta. Elaine cita alguns documentos exigidos, como declaração de sanidade mental, certificado de participação em curso preparatório para adoção e entrevistas com equipe técnica, composta por psicólogos e assistentes sociais.

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