segunda-feira, 27 junho 2022
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Escritoras guarulhenses participam da final da Feira do Livro no Pacaembu

 

Três escritoras guarulhenses estavam entre as centenas de mulheres que estamparam a capa do jornal Folha de S.Paulo da segunda-feira, dia 13 de junho, em reportagem que abordou a participação feminina na Feira do Livro, encerrada no fim de semana, em São Paulo.

A fotografia, tirada na arquibancada do estádio do Pacaembu, vem sendo compartilhada pelas autoras, como um brado de vitória, tendo em vista que, aos poucos, elas vão quebrando tabus e ganhando espaço em um território antes dominado pelos homens.

É possível que outras escritoras de Guarulhos estivessem participando, além das que identificamos: Karla Maria, jornalista, autora dos livros “Mulheres extraordinárias”, “Irmã Dulce, a santa brasileira que fez dos pobres sua vida” e “O peso do jumbo”, todos pela Paulus Editora; Luciene Müller, empresária e autora do livro “Colo invisível” e Fátima Gilioli, jornalista e autora dos livros “Código 303 – uma reportagem sobre o alcoolismo, a doença da negação” e “#Esse futuro não!”.

Caso alguma outra escritora de Guarulhos estava presente naquele momento, envie-nos informações e foto para que possamos incluí-la nesta matéria: e-mail: [email protected]

Reproduzimos a seguir textos que elas enviaram ao Click Guarulhos, nos quais relatam sua experiência em participar desse momento marcante:

Karla Maria

Sempre cuidamos. Cuidamos das casas, dos filhos e dos nossos idosos. Trabalhamos, plantamos,  fomos exploradas, as mulheres pretas e indígenas foram escravizadas, e no meio dessas vidas, de geração em geração, a arte se manifestou e se manifesta nas frestas e madrugadas, no escondido de um patriarcalismo que sempre buscou nos apequenar, rotular, calar.

Ocupar a arquibancada do Pacaembu no domingo, 12, com outras mais de 400 escritoras foi bonito, uma pequena revolução aconteceu no peito e no sorriso de cada uma de nós. Empunhávamos nossas obras e com elas páginas de história, fantasia, realidade, poesia, páginas decoloniais de um Brasil que precisa se conhecer. As escritoras negras sentadas à nossa frente. O grito contido de basta de crueldade. Veja a mensagem, a realidade. É, foi, poderoso e simbólico. 

Que manhã bonita. E a beleza se espalhou feito pólvora um recado aos editores e a esse mundo que ainda não se deixa levar e guiar pelas mulheres e por  toda sua arte e potência. 

Maria Firmina dos Reis, uma mulher preta lá do Maranhão, foi a primeira a publicar um romance no Brasil. Era 1859. Úrsula, sua obra, um romance abolicionista.

Poucos sabem, porque a valorização de nossa cultura e de nossas mulheres, das mulheres pretas, nunca aconteceu. 

É chegada a hora. Faça o exercício e conte quantos livros escritos por mulheres há em sua estante?

Quantos você leu e comprou? Elas, nós, sempre escrevemos e existimos. Essa foto impacta porque nos tira da invisibilidade, mas somos muitas outras… Quantas ainda estão escondidas aqui em Guarulhos?

Leia mulheres, leia a vida que brota de suas linhas. De minha parte, uma jornalista paulistana que fincou seu coração por aqui, desci daquela arquibancada do Pacaembu certa de que não estou só e de que há muito ainda a escrever, denunciar, fincar na memória de nosso país, para que nossas filhas e netas não precisem se juntar para provar que existem e sejam respeitadas e valorizadas. 

Para que elas tenham a liberdade de criar e viver sem tolimentos e rótulos tão próprios deste nosso sistema falido e carcomido pelo machismo ao longo de séculos. 

Preparem suas editoras e gráficas, nós mulheres temos muito a escrever e publicar. Páginas de realidade e sonhos,  denúncias e existências materializadas em livros, este objeto que permeia e ameaça o sistema aí imposto. 

É coletivo. É sobre nós. Somos muitas e não tem volta. 

O Brasil precisa e nós também!

Fátima Gilioli

Achei uma iniciativa sensacional. Fiquei feliz por estar lá, ao lado de centenas de escritoras, em um espaço que normalmente costuma ser ocupado mais por homens. Se nossos livros não são tão lidos, não é por falta de qualidade, porque há certamente grandes obras escritas por mulheres, mas falta visibilidade para elas.

Meu primeiro livro é uma reportagem sobre o alcoolismo. Foi meu trabalho de conclusão de curso de jornalismo que ficou engavetado por um longo tempo. Quando foi possível, fiz uma publicação independente. É o “Código 303, uma reportagem sobre o alcoolismo, a doença da negação”. Ficou entre os 10 finalistas do Prêmio Guarulhos de Literatura. Então, acho que tem algum valor…rs. Trago informações sobre essa doença tão grave, que é menosprezada e sempre envolta em muito preconceito. Ele tem também depoimentos impactantes de quem sofre por ela. Passei a fazer algumas palestras sobre o tema e tenho um projeto para levar para os jovens nas escolas. A pandemia atrapalhou um pouco essa sequência. 

Esse primeiro livro me levou a conhecer muitos autores aqui da cidade e a convivência com eles me fez desejar mais. Comecei a escrever crônicas, contos e até me aventurei na poesia. 

O “#EsseFuturoNão!” é uma ficção, uma distopia que surgiu como válvula de escape para tudo de assustador que o Brasil e o mundo vêm experimentando há alguns anos. Tanto na questão da destruição da natureza, ameaça de escassez de água, de alimento, até o campo político, tão absurdamente desgovernado, com nossa democracia constantemente ameaçada. É uma história de amor entre jovens, mas também de muito sofrimento e luta. 

Tenho um projeto em andamento para publicar uma coletânea de crônicas e contos, em conjunto com algumas amigas e sob a supervisão do professor Alaercio Zamuner, que muito nos tem ensinado em encontros de literatura.

Quanto aos poemas e demais trabalhos, sempre os publico em meu blog e em redes sociais. Organizamos em grupo alguns encontros literários e saraus, que nos estimulam ainda mais a continuar estudando e criando.

Recentemente, tive o prazer de ter uma poesia e uma crônica publicados pelo Prêmio João Ranali de Literatura, da Prefeitura de Guarulhos. Foi uma feliz surpresa.

Luciene Müller

História.
Escritoras reunidas com seus livros no peito.
Mulheres fortes e corajosas, publicadas das mais diversas formas.
Capa da @folhadespaulo de hoje.
Eu estava lá com meu livro Colo Invisível nas mãos e ao lado de quem eu leio e admiro.
A menina que cresceu nas ruas de São Paulo e dormia na @bibliotecaalvaresdeazevedo, muitas vezes coberta com as páginas das notícias, esteve ontem de mãos dadas a parte das autoras que ama.
Amanhecemos na capa do jornal.
Momento único e inesquecível.
Que nossas mensagens alcancem o globo por um mundo melhor.
Que todas tenham colo e continuem colo.

Impossível citar os nomes de cada uma. O que importa é que sabemos que estamos juntas.

Esta é a foto de São Paulo. Há inúmeras pelo Brasil, Lisboa e Londres.

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