A capoeira é reconhecida como a arte marcial que representa o Brasil ao redor do mundo. Mas o jiu-jitsu vem se firmando como o esporte individual que mais cresce no país, com cerca de 550 mil praticantes nos 2.500 estabelecimentos de ensino somente nas grandes capitais – segundo dados na Wikipedia.
A favor desta arte marcial que foi importada do Japão e criou raízes no Brasil, são apontados benefícios que ela proporciona para a saúde física e mental dos participantes, além de ser uma ferramenta de defesa pessoal. “Como praticante e professor da arte marcial, eu pude ver de perto o desenvolvimento da autoconfiança, socialização, consciência corporal, concentração e habilidades motoras dos alunos. Além disso, a prática do esporte proporciona benefícios à saúde, melhorando o condicionamento físico e a qualidade de vida. Na Goodfellas, valorizamos essa transformação positiva que a prática pode trazer para a vida das pessoas e buscamos incentivá-la em nossa comunidade”, explica Rodolfo Barcellos, professor de jiu-jitsu em Guarulhos, tricampeão mundial de Grappling WTKA e atleta profissional de MMA.
A relação de Barcellos com o esporte começou em Guarulhos, quando tinha apenas 7 anos. De lá para cá, manteve a conexão com a cidade, levando o nome dela mundo afora, o que lhe rendeu quatro títulos de Mérito Esportivo, concedidos pela Câmara de Vereadores por seus feitos como atleta e contribuição para o esporte local.
“Meu relacionamento com Guarulhos é muito especial e representa parte da minha história. Além de estudar na cidade, nos colégios Guilherme de Almeida e Parthenon, foi aqui que iniciei minha jornada nas artes marciais no Nosso Clube Vila Galvão, praticando judô, com apenas 7 anos, e seis anos mais tarde eu ingressei no jiu-jitsu. Hoje, tenho a oportunidade de empreender e ensinar essa arte marcial que tanto amo aqui, contribuindo para o desenvolvimento de novos praticantes e ajudando a formar uma comunidade forte e unida”, declara o professor faixa preta 4 graus que também é CEO do Goodfellas (www.goodfellas.app), uma plataforma que utiliza geolocalização e inteligência artificial para conectar e desenvolver praticantes e instrutores qualificados ao redor do mundo.

Para saber mais sobre a relação de Rodolfo Barcellos com o esporte e como a tecnologia pode ser aplicada no aperfeiçoamento do esporte, tivemos um bate-papo virtual com o atleta. Confira:
Click Guarulhos (CG): O que mudou na sua vida por conta da prática desse esporte?
Rodolfo Barcellos (RB): Para mim, o jiu-jitsu é mais do que um esporte; é uma filosofia de vida que me permitiu não só desenvolver minhas habilidades físicas e mentais, mas também me levou a escolher uma profissão e encontrar um propósito maior. Através dele, conheci pessoas incríveis e tive a oportunidade de viajar para lugares que jamais imaginaria. O esporte me ensinou a superar desafios e a nunca desistir dos meus sonhos.
(CG): Quais foram os títulos que você recebeu representando a cidade?
(RB): Eu, como representante da cidade de Guarulhos, tive a honra de conquistar diversos títulos no mundo do jiu-jitsu e artes marciais. Com muito esforço e dedicação, fui tricampeão do brasileiro de Grappling da Confbec, tricampeão mundial de Grappling da WTKA, em um evento realizado em Buenos Aires, e bicampeão mundial do Naga, uma importante competição realizada nos Estados Unidos. Essas conquistas foram fruto de uma trajetória de muito trabalho e comprometimento, onde eu pude contar com a ajuda e incentivo de muitas pessoas ao longo do caminho. Por isso, é com muito orgulho que levo o nome da cidade de Guarulhos comigo, mostrando que com determinação e foco, é possível atingir grandes realizações.

(CG): Você é detentor de títulos internacionais. Como foi essa jornada de sair do Brasil para competir no exterior?
(RB): Ao longo da minha carreira como atleta, sair do Brasil para competir no exterior foi uma jornada desafiadora, porém gratificante. Foi um sonho que se transformou em necessidade, já que a maioria das competições de alto nível acontece fora do país. Admito que foi difícil me adaptar a uma nova cultura, lidar com a saudade da família e da minha terra natal, mas, graças a Deus, fui muito bem recebido e acolhido nos Estados Unidos. Lá, criei outra família e pude passar os princípios desta prática que tanto amo para muitas pessoas, além de ter conquistado alguns títulos internacionais representando o Brasil. Essa experiência me fez crescer muito como pessoa e atleta, e eu sou grato por ter essa oportunidade.
(CG): Você ministrava aulas quando ainda era competidor. Como surgiu esse interesse em compartilhar seus conhecimentos?
(RB): Desde o início da minha jornada no jiu-jitsu, eu já tinha em mente a vontade de ensinar e compartilhar meus conhecimentos com outros praticantes. Acredito que ensinar é uma forma de aprimorar a própria técnica, pois é preciso estar sempre estudando e aperfeiçoando as habilidades para transmiti-las de forma clara e eficiente. Além disso, quando comecei a dar aulas, percebi o impacto positivo que ele tinha na vida das pessoas, não só como esporte, mas também como ferramenta de desenvolvimento pessoal. Foi a partir dessas experiências que a vontade de compartilhar meus conhecimentos se fortaleceu e se tornou parte integral da minha carreira no esporte.
(CG): Como você vê a cena do jiu-jitsu na região?
(RB): Apesar do grande potencial e interesse dos moradores, na prática, ainda há espaço para mais incentivos e apoio para que mais pessoas possam ter acesso a essa prática transformadora.
(CG): O perfil dos alunos mudou no pós-pandemia? O que as pessoas procuram hoje com a prática?
(RB): Com a pandemia, muitas pessoas tiveram suas rotinas alteradas e isso refletiu na prática esportiva, inclusive no jiu-jitsu. Percebi que o perfil dos alunos mudou um pouco, principalmente no que diz respeito às motivações para a prática. As pessoas procuram mais a atividade física para recuperar o tempo perdido durante o período de isolamento social e, além disso, valorizam mais o convívio social e a possibilidade de estar com outras pessoas, fazendo algo que gostam e que faz bem para a saúde. Acredito que a prática é uma forma de reunir as pessoas em torno de um objetivo comum e oferecer um ambiente saudável e positivo para o desenvolvimento pessoal e físico.
(CG): Você já treinou atletas da cidade?
(RB): Certamente. Como professor de jiu-jitsu em Guarulhos há mais de 15 anos, tive a oportunidade de treinar diversos atletas ao longo da minha carreira, incluindo atletas de alto nível. Alguns dos destaques são Robson Negão e Fernando Capitão, que treinaram comigo em busca de se tornarem profissionais na modalidade. O Robson Negão teve a honra de participar do TUF (The Ultimate Fighter) e representou muito bem a cidade de Guarulhos no mundo das artes marciais. É sempre gratificante ver meus alunos se destacando e alcançando seus objetivos, seja no nível amador ou profissional.
(CG): Quais dicas você dá para quem deseja ser um lutador profissional?
(RB): Para quem deseja se tornar um lutador profissional, minha primeira dica é procurar uma academia de qualidade, com professores qualificados e que possam guiá-los na trajetória. Além disso, a perseverança é fundamental, pois o caminho não é fácil. É preciso ter dedicação aos treinos, buscar constantemente evoluir e acreditar em si. E, como bem disse Ayrton Senna, o compromisso, o esforço e a dedicação não podem ser feitos de forma “meia boca”: é preciso dar o seu melhor em cada treino e em cada luta.

