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Médico que foi viciado em drogas conta sua experiência em livro

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A história de superação do médico Marcelo Reginato é a essência do livro Mudanças para pessoas que são inteligentes, mas não têm sabedoria. Na autobiografia, o autor relata corajosamente sua jornada de dependência química e a luta para recuperar a dignidade.

Ele era um calouro do curso de Medicina quando teve o primeiro contato com as drogas. O que começou por diversão, logo se transformou em um vício. Desde então, foram 15 internações, inúmeras consultas psiquiátricas, terapias e grupos de apoio, até que pudesse finalmente se considerar livre das substâncias.

Hoje, livre das drogas, Reginato retorna às atividades nas UTIs e é reconhecido pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo, que o condecorou após comprovar sua saúde mental e aptidão para exercer novamente a profissão.

 

Em entrevista, o médico e autor do livro compartilha lições importantes sobre a relevância da psiquiatria, psicoterapia, filosofia, apoio familiar e espiritualidade. E relata como tudo isso o ajudou a seguir em frente:

1 – Qual foi a inspiração por trás do livro “Mudanças para pessoas que são inteligentes, mas não têm sabedoria”?

M.R.: Com toda a certeza, o ex-jogador de futebol Casagrande, que assumiu publicamente seu problema com a dependência química. Vi uma entrevista dele no programa do Faustão e imaginei como seria uma experiência de redenção e libertação, pois quando vencemos um obstáculo muito grande na vida, queremos compartilhar uma mensagem de força, fé e esperança aos que ainda sofrem com essa doença. E, devo reforçar que é uma doença reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), não é fraqueza, nem desvio de caráter.

2 – Como foi o processo de escrever sobre sua própria experiência como dependente químico?

M.R.: A ideia surgiu durante minha última internação, que foi a mais prolongada; teve duração de 12 meses. Precisei amadurecê-la e fazer como numa tese de conclusão de curso no final da faculdade, pesquisar sobre o tema, organizar em capítulos, e a parte mais difícil, que eu nunca tinha passado, foi realmente estar seguro e firme no propósito da recuperação. Se eu publicasse o livro e recaísse, perderia todos os créditos da conquista dessa obra.

3 – O livro aborda a importância da psiquiatria, da psicoterapia, da filosofia e do apoio familiar na recuperação. Como esses elementos contribuíram para o seu processo de mudança?

M.R.: A desconstrução do ego, a perda da autoestima, do amor-próprio, o ressentimento do passado, a raiva do presente e o medo do futuro são as principais características de apresentação do psiquismo do dependente químico. Abordo a mudança primeiramente através da psiquiatria, em que o psicanalista Flávio Gikovate desenvolveu as terapias cognitivas comportamentais, mais focadas em soluções práticas e a curto prazo, mudando o padrão do pensamento e comportamentos disfuncionais, adquirindo “a consciência maior” de seu problema. Dentro da psicoterapia, eu cito a terapia reacional emotiva, desenvolvida por Albert Ellis, cujo objetivo é identificar e contestar as crenças disfuncionais do indivíduo, buscando manter um estado de equilíbrio emocional. Essa nova linha de raciocínio pressupõe que os indivíduos possuem tendências tanto inatas quanto adquiridas para se comportarem e de pensarem de forma irracional. Minha família foi o cerne de sustentação para vencer esse obstáculo, ofertando todos os recursos e apoio incondicional. Nunca desistiram de mim.

4- Como foi o processo de retomar sua carreira como médico após a recuperação? Quais foram as dificuldades e conquistas nesse processo?

M.R.: Antes de poder voltar a exercer, eu precisei passar por uma junta de psiquiatras do Cremesp para testar minha sanidade mental e realizar exames toxicológicos; depois, minha família não queria que eu trabalhasse com uma carga horaria extensa para não ter estresse mental que justificasse a retomada do uso, fora que, por morar em uma cidade pequena, no interior, meus costumes fora do trabalho repercutiam, fechando as portas dos hospitais para trabalhar como plantonista, pois foram 10 anos nesse processo de internações.

A saída foi ir para a Capital (São Paulo), arregaçar as mangas e começar por baixo, nas periferias, e de cara limpa. Minha vida profissional alavancou de uma forma inesperada! Hoje conquistei meu sonho de trabalhar como médico coordenador e diarista de uma UTI em um hospital particular aqui na Capital.

5 – Você considera que essa experiência pessoal influenciou na sua carreira como médico? Se sim, como?

M.R.: Desenvolvi o que os gestores de saúde valorizam mais hoje em dia. Costumam usar o termo em inglês “soft skills” que compreende: empatia, criatividade, proatividade, capacidade analítica e resolução de problemas. Tudo isso é oriundo de você ser mais humano e ter compaixão pelo próximo.

6 – Qual a mensagem que gostaria de deixar com a obra?

M.R.: Meu livro aborda vários temas como inteligência emocional, programação neurolinguística, relação mãe e filho, médico e religião, felicidade, entre outros. A mensagem que quero transmitir é de força, fé e esperança. Mostrar que através dos meus passos, outras pessoas consigam enxergar uma luz no fim do túnel para conseguir fazer a própria jornada do herói.

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